Casos de câncer colorretal na urgência e emergência crescem 37% nos primeiros oito meses do ano em Campinas

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Um levantamento realizado pelo Grupo Surgical aponta que o número de casos de câncer colorretal descobertos nos serviços de urgência e emergência aumentou 37% de janeiro a agosto deste ano, se comparado com o mesmo período do ano passado. A tendência de crescimento já vinha sendo sentida pelo grupo, que também registrou um aumento de 41,6% nos primeiros oito meses de 2019, se comparado com 2018. Os dados são referentes aos hospitais Madre Theodora, Santa Tereza, Irmãos Penteado, Beneficência Portuguesa e Maternidade de Campinas, todos em Campinas (SP), Hospital e Maternidade Galileo, em Valinhos, e Santa Casa de Vinhedo.

De acordo com o cirurgião de urgência e emergência, Bruno Pereira, que é CEO do Grupo Surgical, os dados apontam que as pessoas estão deixando de fazer a prevenção e descobrindo a doença em estágios mais avançados. “Isso piora o prognóstico em cerca de 30%. Para se ter uma ideia, nos primeiros oito meses deste ano, das 87 cirurgias de câncer colorretal que realizamos, apenas 19,5% foram eletivas. As demais foram de urgência e emergência”, explica. No ano passado, 73% das cirurgias deste tipo também foram feitas de urgência e emergência. “A cirurgia de urgência e emergência, por si só, já é mais delicada do que uma eletiva. Além disso, a pessoa, ao descobrir o câncer em estágio avançado, diminui as chances de cura”, reforça o cirurgião.

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), este ano, o Brasil deve registrar 41 mil novos casos de câncer colorretal, e muitos deles poderiam ser prevenidos. “Cerca de 90% dos casos de câncer colorretal começam com um pólipo, que pode evoluir para um tumor maligno. Mas isso demora anos. Portanto, se a pessoa fizer exames preventivos de colonoscopia, esse pólipo, na grande maioria das vezes, pode ser retirado antes de virar câncer”, explica o cirurgião.

Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a colonoscopia deve ser feita a partir dos 50 anos de idade e, caso esteja tudo normal, repetida a cada 10 anos. Se houver algum caso de câncer colorretal na família, ela deve ser realizada a partir dos 40 anos ou 10 anos abaixo da pessoa mais nova diagnosticada com a doença, ou seja, se a mãe teve com 45, o filho deve fazer com 35. “É muito difícil um pólipo virar um tumor avançado se os exames preventivos forem feitos corretamente”, destaca Pereira.

Segundo o cirurgião, o principal sintoma que leva o paciente a buscar ajuda médica na urgência é a mudança do hábito intestinal, que pode ser tanto constipação quanto diarreia, além de dor abdominal. “Sangramento ao evacuar também é um sintoma muito comum”, comenta. “Ainda há um certo preconceito com este tipo de exame, por isso, é importante que haja muita orientação nos consultórios. Os médicos, mesmo de outras áreas, precisam orientar seus pacientes de rotina sobre a importância da prevenção”, diz.

Obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e uma dieta rica em carnes vermelhas, gorduras e processados estão entre os principais fatores de risco da doença. “Casos de câncer colorretal em parentes de primeiro ou segundo graus, histórico de pólipos e doenças inflamatória intestinal também são fatores que precisam ser levados em conta”, orienta o cirurgião.

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