Como a transformação digital pode ser aliada da segurança do paciente

A telessaúde, digitalização, liderança e qualidade de atendimento foram os principais temas abordados nos 3 dias do 4° Seminário Internacional de Segurança do Paciente e Acreditação em Saúde, promovido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Em formato 100% digital e gratuito, reuniu mais de 9.000 inscritos e contou com profissionais ligados à área de saúde e palestrante nacionais e internacionais. As apresentações permanecerão disponíveis online até o dia 16 de abril.

O presidente da ONA, Cláudio Allgayer, fez a abertura do evento e agradeceu a presença de todos, mesmo em meio aos desafios que o setor de saúde enfrenta. “Para a realização deste grande encontro, nós, da ONA, também tivemos que superar desafios. O primeiro deles foi a definição do formato digital em vez do presencial. Uma novidade para todos nós.”

Confira os destaques de cada apresentação e veja como a transformação digital pode apoiar a segurança do paciente:

Primeiro passo: use a tecnologia com propósito

“Precisamos compreender que as tecnologias, como Inteligência Artificial, Machine Learning e Prontuário eletrônico, por exemplo, existem para melhorar a vida do paciente”, apontou Jeffrey Braithwaite, presidente da ISQua (International Society for Quality in Health Care). Para a melhoria da qualidade e para gerar mais segurança, é preciso entender a transformação digital e fazer com que a tecnologia sirva a esses propósitos.

Paciente no centro de tudo, inclusive na hora de implantar tecnologias

Na palestra sobre como gerar a mudança de cultura organizacional na era digital, Peter Lachmann, CEO da ISQua, relacionou a digitalização e a telessaúde às atitudes, crenças e valores dos indivíduos, que influenciam a adoção dessas inovações. “O que agrega valor? O que é importante para o paciente?”, questionou.

“Ao longo dos anos, ocorreram grandes melhorias, mas os valores foram comprometidos, valores de cuidado holístico, respeito, gentileza e compaixão”, ressaltou.

O risco da desigualdade digital

Pedro Delgado, vice-presidente do IHI – Institute for Healthcare Improvement levantou a questão das desigualdades digitais na América Latina: “Existe uma pobreza digital, então quando falamos de mudança digital, questionamos sobre as pessoas que não têm acesso a um computador ou a outro dispositivo tecnológico, ou não têm acesso à internet, então precisamos ser proativos para atender essa necessidade, se não vamos ficar mais e mais para trás.”

O novo e o tradicional continuarão convivendo

A transformação digital na saúde, mesmo depois da pandemia, será uma realidade com a mistura do antigo normal com o novo normal. Haverá problemas de queda de internet, problemas de infraestrutura, “mas se quisermos vai acontecer. O mundo pós-pandemia será mais digitalizado do que nunca, o entretenimento será diferente, a forma de nos comunicar será diferente. E a qualidade, na saúde, está mais forte do que nunca. Uma consulta digital pode reduzir as visitas a um hospital, é uma conveniência para os pacientes, e nisso não se vê nenhum sacrífico na segurança do paciente. Mas a mudança não acontece do dia para noite; exige, sim, uma mudança na cultura”, afirmou Peter Lachman, CEO da ISQua.

Destaques dos palestrantes:

Paula Azevedo, gerente de qualidade do Hospital Metropolitano de Emergência e Urgência de Belém do Pará: “A nossa resposta foi: em 2020 tivemos que ressignificar; ‘[…]. Entendemos que havia como recuperar a alegria, mas poderíamos ressignificar a situação e estimular outros sentimentos.”

José Alvaro, CEO, do Hospital Pequeno Príncipe: “Mencionamos os hospitais sem tijolos, hospital sem fronteira ou hospital digital, e estamos projetando e vamos implantar uma sala de situação dentro do Hospital que tem como objetivo inicial promover a redução de risco ao paciente através da observação continua de todos os ambientes do hospital com o foco muito dedicado a ajudar em processos.”

Marcia Campos, gerente de qualidade do Hospital São José: “Fizemos algumas soluções digitais, painéis de gestão ‘à vista’ em todas as áreas assistenciais e algumas áreas de gestão. São televisores de 43 polegadas que demonstram em tempo real tudo que o setor tem, por exemplo: agendamento de procedimento, protocolo de sepse, protocolos de prevalência, dimensionamento de equipe.”

Professor Fabrizio Rosso, liderança de alto impacto para acreditação – Sócio e Diretor executivo do Fator RH: “Grandes líderes não são Árias, não funcionam sozinhos, são sinfonias Seja você uma grande sinfonia (todos os sons juntos) com a sua equipe. Fortaleça sua capacidade e sua inteligência emocional, porque os grandes líderes são aqueles que têm coragem de pedir ajuda.”

Eloá Padilha, supervisora de práticas médicas, Hospital Sabará: “Nem todas as tecnologias oferecidas no mercado são oferecidas para todas as pessoas, então, cabe a nós identificar a real necessidade dessa população, ou seja, será que quem eu atendo, no meu serviço, precisa desse sistema? Dessa tecnologia? Precisa identificar as necessidades das pessoas.”

Dr. José Joaquin Mira, professor de psicologia social da Universidade Miguel Hernandes de Elche: “Estamos nos acostumando aos poucos com a história eletrônica de todas as soluções de aplicativos e também com jeito que a gente se relaciona com os pacientes, o jeito como os pacientes interagem com os sistemas e também como eles obtêm informação ou ficam envolvidos no próprio cuidado.”

Taissa Sotto Mayor, director senior, Clinical Quality and Patient Safety do UHG: “Conforto para que as pessoas e colaboradores possam pedir ajuda e falar. Estamos vendo cada vez mais que treinamento feito de forma pouco dinâmica, ou treinamento apenas de forma expositiva, não trazem os mesmos resultados que esses encontros do dia a dia, relacionados com as discussões de soluções do que está acontecendo agora. Essa dinâmica tem tido um impacto muito maior.”

Melinda D. Soyer, vice-presidente da UnitedHealthcare Global: “Na nossa terra existem tantas linhas, de tantas formas, linhas entre países, estados, pessoas, regiões. Imagino um astronauta no espaço e, questionado como foi lá em cima, ele percebeu que nossas linhas fazem parte da nossa imaginação e desaparecem lá no espaço”. E completa “precisamos também manter uma cultura onde as pessoas se sentem confortáveis falando sobre os erros e assim realmente ter uma cultura justa.”

Ibrahim H. Kayral responsável pelo Programa Internacional do Instituto Turco de Acreditação e qualidade de saúde – TUSKA: “Se vocês olharem para o ponto de vista dos clientes, eles também gostam desse processo porque eles podem gerenciar e estar prontos para avaliações, gerenciar todos os sistemas no hospital com a equipe.”

Harold Wolf – President and CEO, HIMSS: “Antes da Covid fazíamos o método tradicional, agora temos elementos modernos de saúde, ou seja, trabalhamos com população de pacientes que agora podem usar as tecnologias móveis, e prontuários digitais. Não se trata só da decisão do indivíduo sentado na frente do médico, na verdade o cuidado está saindo do consultório, ficando mais centrado na saúde personalizada.”

Dr. Rafael Gotsens, International Medical Director, TELADOC HEALTH: “Conseguimos fazer um monitoramento remoto do paciente e também em UTIs, todo tipo de procedimento médico, podemos lidar com saúde mental, paciente em casa, problemas crônicos, e aí não importa onde o paciente ou o médico está, nós fazemos essa conexão. Para a qualidade do atendimento clínico fornecido pelo protocolo de cuidado virtual, nós temos um programa de garantia de qualidade.”

Ronald Lavater, IHF: “Seja como for o atendimento, remoto, por tecnologia, ou pessoalmente, a qualidade deve ser garantida, e isso tem que ser algo muito importante.”

Dra. Teresa Tono Ramirez – CEO da Organización para la Excelencia de La Salud – OES: “Devemos educar todo mundo que faz parte do setor do cuidado da saúde, educar colaboradores e educar nossos pacientes em relação ao que eles merecem e a melhor forma de fazer isso.”

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