Consumo de vitaminas e o câncer: vilãs ou parceiras?

A ingestão deficiente de micronutrientes é detectada quando
o paciente não atinge 60% de sua necessidade basal energética
diária por mais de 10 dias, explica a nutróloga do IBCC, Dra. Giovanna Ribeiro. Foto: ACS IBCC

Cerca de 11 milhões de pessoas pelo mundo desenvolvem algum tipo de câncer por ano. Tanto estudos epidemiológicos como experimentais confirmam que hábitos alimentares e fatores nutricionais individuais modificam o risco de desenvolvimento de tumores tanto benignos quanto malignos.

Além de uma alimentação saudável com quantidades suficientes de nutrientes, vitaminas e minerais, os ácidos graxos de cadeia longa ômega 3 tem se tornado cada vez mais interessante. Apesar que esse suplemento ainda causar bastante controvérsia em relação a seu benefício terapêutico, especialmente em suplementos com altas doses de antioxidantes como vitamina C e vitamina E, bem como elementos traço e selênio.

Com relação a pacientes oncológicos e suas necessidades de elementos traço e vitaminas, o consenso adotado pela ESPEN (European Society os Parenteral and Enteral Nutrition) em pacientes com restrição alimentar e devido ao próprio tumor o uso de suplementos multivitamínicos em doses fisiológicas e que não ultrapassem a RDA (dose diária recomendada) é seguro. Bem como em pacientes em tratamento de radioterapia e quimioterapia.

A baixa ingesta alimentar em pacientes com câncer não é limitada apenas a macronutrientes, mas também a vitaminas e minerais. A ingesta deficientes de micronutrientes é detectada quando o paciente não atinge 60% de sua necessidade basal energética diária por mais de 10 dias. Isto é bem observado em pacientes em tratamento com radioterapia e quimioterapia, que apresentam rápida perda, devido a vômitos e diarreias constante.

Os níveis de vitaminas C, D, e E, e de algumas vitaminas B, estão em níveis muito inferiores na maioria dos pacientes oncológicos quando comparados a indivíduos saudáveis. Bem como de elementos traço, selênio, e zinco também são observados níveis inferiores e alguns com sintomas relacionados a deficiências dos mesmo.

A importância do déficit de micronutrientes está relacionada a diversos fatores, compromete a recuperação pós cirúrgica, aumentando o risco de complicações pós cirúrgicas; aumenta o risco de sintomas depressivos; e compromete o sistema imune do paciente.

Recentemente o uso de suplemento multivitamínicos tem ganhado bastante interesse. Mesmo em paciente já citados, com ingesta menor que a ideal, estudos clínicos tem mostrado benefícios, com melhora do status nutricional de paciente oncológicos que ingerem tais suplementos.

Frequentemente, é observado deficiência de vitamina D em pacientes portadores de câncer, e está associado a incidência e prognóstico. Em uma meta-análise reunindo 40 estudos, Bolland et al. verificou que a suplementação de vitamina D com ou sem cálcio não reduziu de forma significativa desfechos em proteção óssea. Todavia, em pacientes com níveis deficientes em vitamina D o uso de suplementação para atingir níveis normais tem benefício inclusive melhora prognóstico.

Já quando voltamos para a suplementação de antioxidantes durante o tratamento de quimioterapia e radioterapia teria uma redução do efeito do tratamento e piora do prognóstico. O AICR (American Institute for Cancer Research) chegou a conclusão de que o uso de suplementos contendo antioxidantes durante o tratamento de radio e quimioterapia só deve ser utilizado quando o mesmo não ultrapassar a dose diária recomendada (RDA), que corresponde a 2000mg/dia de vitamina C, 250mg/dia de tocoferóis equivalentes de vitamina E, 400mcg/dia de selênio.

Em resumo, o uso de suplementos vitamínicos em pacientes oncológicos deve ser utilizado em pacientes que não atingem as necessidades diárias adequadas, e que não ultrapassem a dose diária máxima. E isso inclui também os pacientes oncológicos em tratamento de radio e quimioterapia, o uso de um suplemento em dose elevada deve ser evitado. A exceção é a vitamina D, que deve ser sempre dosada na forma de 25-OH-vitamina D, e a reposição é feita através da forma colecalciferol (dose de 1.800 a 4.000UI/dia), a depender do valor plasmático para definição da dose diária. O ideal é manter um nível plasmático acima de 30ng/mL. Para melhora da recuperação pós operatória, uma suplementação de micronutrientes é recomendada (500-2000mg/dia de vitamina C, 3mg/dia de vitamina A, 10-15mg/dia de vitamina B6, 0,4-1mg/dia de ácido fólico, 4-10mg/dia de zinco e 1-2mg/dia de cobre). É recomendado a suplementação de ômega 3 (1,5-2g/dia) em pacientes que apresentam perda ponderal e caquexia.

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