Controle de infecções exige atualização constante

Coordenadora do Comitê de Controle de IH, Taiana Lando. Foto: Olga Ferreira

Novas técnicas, tecnologias e rotinas na batalha para prevenir infecções no ambiente hospitalar foram apresentadas e discutidas na sexta-feira (8). Organizado pelo Comitê de Controle de Infecção do Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (SINDIHOSPA), o evento reuniu profissionais da área da saúde no Hotel Plaza São Rafael, na capital gaúcha.

Na abertura da 2ª Jornada de Controle e Prevenção de Infecção Hospitalar, a superintendente assistencial do Hospital Moinhos de Vento, Vania Röhsig, representando o presidente do SINDIHOSPA, Henri Siegert Chazan, saudou a realização do evento pela discussão do tema “Inovação e Tecnologia na Prevenção de Infecções”. Conforme Vania, a gestão para a mudança de hábitos pode ser mais importante do que a compra de um novo equipamento.

A coordenadora do Comitê de Controle de Infecção do SINDIHOSPA, Taiana Lando, reforçou que é obrigatória a atualização nesse assunto por, ao menos, dois motivos: tecnologias mais eficientes são lançadas e microrganismos ficam mais resistentes.

“Com novas tecnologias ou mesmo incorporando um novo modelo de fazer medidas preventivas, ganhamos tempo e reduzimos custos. Isso aumenta o giro de leitos. Assim, garantimos a segurança e a satisfação do paciente”, disse Taiana, enfermeira especialista em controle de infecção hospital, acrescentando que a troca de experiências qualifica os profissionais, que levarão para o seu local de trabalho os novos conhecimentos, multiplicando as informações.

Entre as técnicas com resultados positivos para a combate à proliferação de infecções, foi apresentado o modelo adotado pelo Hospital Nove de Julho, de São Paulo. A enfermeira Fabiana Vasques, especialista em desinfecção hospitalar, disse que “é preciso estar atento porque sempre dá para melhorar os cuidados”. “Quando se olha de perto, se vê oportunidades para melhorias”, destacou.

Nova técnica para verificação de limpeza

O Nove de Julho é formado por cinco prédios interligados, tem 410 leitos, 22 salas de cirurgia, com 12 mil atendimentos por mês e 2,3 mil procedimentos cirúrgicos mensais. A enfermeira apresentou uma técnica utilizada para testar se a limpeza de uma área de internação foi feita corretamente. São colocadas marcações em interruptores de luz, guardas de leitos e outras partes. Esses locais “infectados” são iluminados por luz negra, que mostra onde há problemas, e fotografados. Depois da limpeza, são feitas novas imagens. A luz negra evidencia onde apenas foi passado um

produto e a sujeira se espalhou ainda mais e onde efetivamente houve a limpeza. Essa técnica ajuda a treinar as equipes sobre a importância de um trabalho bem-feito. “Às vezes, são necessários pequenos ajustes, como não apoiar a mão onde já se limpou”, comentou Fabiana.

O uso da indução eletrostática na desinfecção no Hospital Nove de Julho, de acordo com a enfermeira, produziu o maior efeito positivo na redução de tempo para a liberação de um leito. Da alta de um paciente até a entrega, a demora caiu 32%, chegando ao tempo máximo de 35 minutos. Em leito de isolamento o ganho foi maior, de 59%, com o período baixando de 90 para 35 minutos. Ao final de sua apresentação, Fabiana mostrou uma fotografia da equipe, para destacar a necessidade de se trabalhar em conjunto, “porque não há nenhum avanço realizado sozinho”.

Alternativa para reduzir propagação de infecções

Andressa Barros, farmacêutica executiva do Hospital São Lucas da PUCRS, de Porto Alegre, especialista em controle de infeção hospitalar, apresentou o revestimento de superfícies com cobre com uma alternativa para reduzir a chance de propagação de infecções. “Cerca de 80% das infecções são transmitidas por contato”, alertou. Por isso, boas práticas de limpeza são essenciais.

Conforme Andressa, o cobre tem características antimicrobianos, “com propriedades que podem ser melhoradas quando ligadas a outros metais”. Locais indicados para a colocação de cobre são maçanetas, grades laterais de leitos e corrimãos. E não é necessária toda a peça ser feita do metal. Basta o revestimento externo. Ainda de acordo com a farmacêutica, o cobre é uma tecnologia complementar. Sozinho, não impede contaminação cruzada. “Não basta reduzir a chance de infeções. É preciso ver se o que ficou para trás não contém bactérias potentes”, enfatizou.

No turno da tarde da 2ª Jornada de Controle e Prevenção de Infecção Hospitalar, o tema da prevenção esteve no centro dos debates. Para falar sobre a infecção associada ao cateter venoso central, o evento trouxe Raquel Cechinel, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Da mesma instituição, Márcia Arsego apontou formas de evitar a infecção do sítio cirúrgico. E Camila Hubner Dalmora, do Hospital de Clínicas, concluiu o painel abordando o trato respiratório. Encerrando as palestras, a engenheira de produção Ana Paula Etges, da PUCRS, tratou da avaliação de custo-efetividade.

Redação

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