Dia Mundial do Câncer é lembrado em 4 de fevereiro

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No dia 4 de fevereiro é o Dia Mundial do Câncer, uma iniciativa organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma data criada com o objetivo de aumentar a conscientização e a educação mundial sobre a doença, além de influenciar positivamente as pessoas para que cada vez mais se mobilizem e busquem a prevenção.

O câncer é uma doença que ocorre por conta de mutações celulares ou alterações da estrutura genética (DNA) das células. De acordo com o Ministério da Saúde, atualmente, existem diagnosticados mais de 100 tipos de câncer. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele não melanoma equivale a cerca de 30% de todos os tumores registrados no Brasil que ainda apresenta:

  • Próstata (31,7% em homens);
  • Mama feminina (29,5% em mulheres);
  • Cólon e reto (9,4% em mulheres e 8,1% em homens);
  • Colo do útero (8,1% em mulheres);
  • Traqueia, Brônquio e Pulmão (8,7% em homens e 6,2% em mulheres).

Utilizando a data para alertar e conscientizar a população, o Dr. Bruno Azevedo, oncologista do Hospital São Vicente, de Curitiba (PR), explica as principais diferenças entre cirurgia, quimioterapia, radioterapia e a tão falada imunoterapia ou terapia biológica.

– Cirurgia: remoção de parte ou de todo o tumor, ou correção de problemas causados pela doença. O procedimento cirúrgico depende da localização do tumor e dos seus efeitos, ou órgãos envolvidos. Vale dizer ainda que esta área também tem crescido muito nos últimos anos e que o futuro está cada dia mais perto. Podemos afirmar isso, uma vez que a tecnologia está cada dia mais presente nas cirurgias. A Cirurgia Robótica já é uma realidade e é uma evolução da cirurgia laparoscópica, com instrumentos de grande precisão e variações de movimentos. Os benefícios da cirurgia minimamente invasiva em geral incluem menor sangramento durante a cirurgia, menos dor no pós-operatório, recuperação mais rápida, entre outros, quando comparado à cirurgia convencional. “Mas vale dizer ainda que é uma realidade distante da grande população, devido aos custos elevados, uma vez que os procedimentos ainda não estão citados entre os obrigatórios para cobertura nos planos de saúde”, explica.

– Quimioterapia: remédios para controle ou destruição das células tumorais. Essas medicações podem ser administradas das mais variadas formas, como por exemplo: endovenosa, subcutânea e via oral.

– Radioterapia: nessa modalidade de tratamento utilizam-se radiações ionizantes (raio-x e raio-gama, por exemplo) com o objetivo de eliminar células tumorais, ou para reduzir a chance de que um tumor removido com cirurgia retorne. Essa forma de energia pode ser produzida através de aparelhos específicos, denominados aceleradores, ou através de materiais radioativos colocados próximos ao corpo do paciente ou diretamente na área a ser tratada. Não provoca dores durante sua aplicação e também não é visível durante a sessão de tratamento. Os efeitos colaterais da radioterapia estão relacionados à área do corpo tratada, sendo assim, variado entre os pacientes.

– Imunoterapia ou terapia biológica: não é mais apenas o futuro da oncologia, mas parte da realidade. O que ela faz é basicamente estimular o sistema imunológico da pessoa. Inicialmente, seu uso era restrito ao tratamento de melanoma, mas os estudos na área avançaram muito nos últimos anos e permitiram a expansão da aplicabilidade para outros tipos da doença. Quando bem-sucedido, o método propicia respostas duradouras do sistema imunológico, que passa a ter uma espécie de memória contra o tumor. Além disso, os efeitos do tratamento são muito menos agressivos quando contrapostos às abordagens tradicionais. “A imunoterapia nos permite direcionar o tratamento contra células tumorais. Um exemplo muito prático: na quimioterapia convencional, não consigo selecionar a célula tumoral, então vou ter efeitos colaterais como queda do cabelo, alteração da função intestinal e gástrica do paciente, alteração na formação de glóbulos vermelhos etc. Nessa nova abordagem, isso não acontece”, finaliza Dr. Bruno Azevedo.


 

Música auxilia no tratamento de pacientes com câncer

Foi por acaso que a professora Angélica Mattos de Oliveira começou a participar das sessões de musicoterapia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS). Aos 35 anos, ela descobriu que tinha câncer de mama e iniciou o tratamento. Mas devido a uma questão envolvendo o convênio, precisou trocar o dia da quimioterapia. Quando chegou à sessão seguinte, encontrou a turma do projeto tocando e cantando para os pacientes.

“Eu estava triste, desanimada. Mesmo tentando manter o alto astral, uma hora a gente fica mal. Mas as últimas sessões de quimio foram acompanhadas por música. Eu cantei, dancei, ri, chorei. É muito bom. Diminui a dor, a ansiedade”, conta Angélica, que traz a irmã Alice, de 12 anos, para participar das atividades.

Uma vez por semana, o silêncio ou as conversas num tom de voz mais baixo, característicos dos quartos e corredores de um hospital, é quebrado por notas musicais, vozes e até passos de dança. Desde maio de 2019, a musicoterapia foi incorporada às metodologias e técnicas auxiliares de tratamento contra o câncer no Hospital Moinhos de Vento. É a única instituição de Porto Alegre a oferecer essa opção aos pacientes.

Os benefícios sentidos por Angélica são confirmados pela coordenadora assistencial do Serviço de Oncologia, Taiana Saraiva. Segundo a enfermeira, outras pessoas também relatam diversas vantagens – como descontração, alívio da ansiedade, aumento da sensação de bem estar e diminuição da dor. “Muitos que participam em alguma ocasião das atividades pedem para voltar nos dias que a equipe da musicoterapia está no Centro de Oncologia. E para familiares e profissionais, o dia fica mais agradável. Eles nos contam que se sentem felizes ao observar que os pacientes estão mais alegres”, afirma.

Doses de música e cuidados

A supervisora da Psicologia Assistencial, Júlia Schneider Hermel, destaca que a iniciativa integra o tratamento. Seria como prescrever uma medicação: tem dose, momento e indicação. “A música atua com uma ferramenta que outras técnicas e métodos da área da medicina e do cuidado não têm. É um agente cuidador na saúde”, aponta a psicóloga.

Para cada paciente, o benefício é diferente. Para alguns, acalenta e alivia; para outros, anima e diverte. De acordo com Júlia, enfermeiros e psicólogos dizem aos musicoterapeutas o que cada paciente tem e qual a condição deles. Com essas informações, é possível pensar o estilo musical ou atividade apropriada para determinada pessoa, em seu contexto e sua etapa do tratamento. “É diferente quem recebeu o diagnóstico de quem está em tratamento. Alguns recebem intervenção pontual, outros são acompanhados por mais tempo”, explica.

O projeto é realizado por meio de um convênio entre o Hospital Moinhos de Vento e as Faculdades EST – Escola Superior de Teologia, única instituição a oferecer esse curso na grande Porto Alegre. O Grupo de Musicoterapia é supervisionado pelas professoras da graduação, e as atividades são desenvolvidas pelos alunos em estágio curricular.

Planos para o futuro

Coordenadora do curso, Laura Franch Schmidt da Silva ressalta que a primeira experiência da turma dentro de um hospital já está dando resultados. “Há expectativa de esses pacientes sejam guerreiros, fortes, para enfrentar a doença. Mas é um momento no qual eles precisam também lidar com suas fragilidades. E a música ajuda nisso. Ajuda a colocar para fora, a expressar e a entender que isso faz parte do processo de luto e luta. Quando ele toca, canta e dança, ele se sente parte da vida e há perspectiva, futuro”, detalha.

São as perspectivas e planos para o futuro que mantêm Suellen Coscia Bueno, de 31 anos, firme e com um sorriso no rosto, apesar do tratamento pesado. Ela tem no pequeno Vitor, de 60 dias, a maior motivação. E na música, um apoio extra. “Sempre quis me manter positiva. A música me ajuda nisso. Deixa a mente livre e é um alívio para enfrentar as dificuldades desse momento”, ressalta.

Ela participa das sessões junto com o marido Cristiano e a irmã Chayenne – companhias essenciais nas atividades do Grupo de Musicoterapia. “E agora com filho e o transplante, em 2020 é ano novo e vida nova!”, planeja.

Laura cita o caso de Suellen como um exemplo de que a metodologia também é importante para os familiares. “Dá energia para quem está ali, na sala de espera, e que precisa estar bem e forte para cuidar de seu familiar paciente, mas ao mesmo tempo está sofrendo junto. Ressignifica a parte difícil de estar num hospital trazendo também sensações boas”, finaliza.

Acordes e histórias que tocam os profissionais

O projeto implantado em maio trouxe benefícios também para os profissionais do Hospital Moinhos de Vento que atuam nos setores nos quais o Grupo de Musicoterapia desenvolve atividades. A psicóloga Júlia revela que os colaboradores se mobilizam, e as equipes acabam tendo maior engajamento. “Eles se motivam mais a cuidar do paciente e disseminam essa prática em outras áreas. Melhora até as condições e o ambiente de trabalho”, salienta.

A equipe da Psicologia Assistencial do hospital está elaborando um projeto de pesquisa que medirá o impacto da metodologia na atuação e nas rotinas dos profissionais. Além disso, o plano é ampliar o projeto em 2020. No ano passado, o Grupo de Musicoterapia atendia pacientes oncológicos, da internação pediátrica e UTI Neo Natal.

Uma recomendação do Ministério da Saúde

A musicoterapia é uma recomendação do Instituto Nacional do Câncer (INCA) como coadjuvante no tratamento contra o câncer. Desde 2002, a entidade ligada ao Ministério da Saúde orienta a prescrição a pacientes. Os sons são escolhidos de acordo com cada pessoa e sintoma. De acordo com o órgão, está comprovado que, no aspecto fisiológico, a música é capaz de interferir na batida cardiovascular, no sistema respiratório e na tonicidade muscular.


 

Dia Mundial do Câncer alerta para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Para reduzir o impacto do câncer no mundo, a União Internacional para Controle do Câncer, com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), comemora o Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro, desde 2000. A iniciativa, que completa 20 anos, incentiva a mobilização de governos e da população para evitar milhões de mortes a cada ano.

O oncologista clínico do Hospital Amaral Carvalho (HAC), de Jaú (SP), Carlos Mendonça Beato afirma que a data é um importante alerta para a prevenção e diagnóstico precoce da doença. “Só conseguimos melhorar os índices de cura e sobrevida se a detecção do câncer for feita logo no início, quando os tumores podem ser tratados mais facilmente e com respostas muito positivas”.

Beato destaca que, com tecnologias cada vez mais complexas e investimentos em recursos e equipes altamente qualificadas, o HAC oferece tratamento de excelência a pacientes vindos de todo o Brasil. “Promovemos a saúde e bem-estar também através de programas de prevenção com orientações gratuitas à comunidade sobre sintomas que podem levar à detecção de diferentes tipos de câncer e possibilitar maiores chances de cura”.

O médico ressalta que a população deve estar atenta à saúde e buscar atendimento especializado sempre que notar alguma alteração. “Mulheres devem estar em dia com exames, como mamografia e Papanicolaou. Os homens devem realizar periodicamente o teste de PSA e toque retal, após os 50 anos. Todos devem manter hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada, prática de exercícios e evitar o consumo de álcool e cigarro”, exemplifica.

Sentindo na pele

No início de 2019, a jauense Érica Granado se assustou com o diagnóstico de um câncer. “Sempre tive uma pinta perto do pescoço, mas nunca tinha reparado nela. De repente, começou a mudar de cor e dobrou de tamanho. Foi quando meu esposo me levou ao Programa de Prevenção do Amaral Carvalho para ver do que se tratava”, lembra.

Um melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele, foi o resultado da biópsia. Em menos de uma semana, a paciente já tinha passado por consulta com a dermatologista do HAC e agendado a cirurgia de remoção do câncer. “Fiquei maravilhada com a rapidez que permitiu um tratamento mais tranquilo. Não precisei de nenhuma terapia além dessa pequena cirurgia”, comemora.

Hoje, Érica leva uma vida normal e passou a se cuidar mais. “Uso protetor solar, evito a exposição ao sol e sempre examino a minha pele. Agora sei da importância de me cuidar”, afirma.


 

O futuro da Cirurgia Oncológica

Vivemos uma época de enorme influência tecnológica em diversos segmentos e, na cirurgia oncológica, isso não seria diferente. Cada vez mais a tecnologia invade o dia a dia e traz benefícios para as pessoas. E na cirurgia oncológica, isso também torna-se realidade. É o que explica o Cirurgião Oncológico e Diretor Científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica Regional Paraná (SBCO-PR) e Coordenador do programa de treinamento em Cirurgia Robótica do Hospital Erasto Gaertner, Dr. Reitan Ribeiro.

Dados mostram que a primeira cirurgia robótica no país ocorreu há dez anos, mas foi apenas em 2012 que a cirurgia ganhou força. Atualmente, o número total de equipamentos triplicou, a maioria está em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os demais se distribuem por Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará, Distrito Federal, Pará e Paraná. Em Curitiba, o cenário ganha força em 2020. “O cenário está mudando e hospitais fizeram aquisições recentes. Esperamos que no próximo ano mais pacientes tenham acesso a essa tecnologia. Ainda são poucos os cirurgiões treinados para cirurgia robótica, mas esse número cresce rapidamente e deve passar de 10 para mais de 50 em 1 ano”, avalia Dr. Reitan.

Vale dizer que a Cirurgia Robótica é uma evolução da cirurgia laparoscópica, com instrumentos de grande precisão e variações de movimentos, além de uma micro câmera com imagem tridimensional magnificada que permite ao cirurgião operar como se estivesse dentro do paciente. Embora praticamente qualquer cirurgia minimamente invasiva possa ser realizada por robótica, as vantagens deste método são mais perceptíveis nos procedimentos de alta complexidade. Os benefícios da cirurgia minimamente invasiva em geral incluem menor sangramento durante a cirurgia, menos dor no pós-operatório, recuperação mais rápida, entre outros, quando comparado à cirurgia convencional ou aberta. “Mas toda novidade acaba tendo um custo mais elevado no início e nem todos os pacientes têm condições para arcar com o custo de uma cirurgia robótica, uma vez que os procedimentos ainda não estão citados entre os obrigatórios para pagamentos pelos planos de saúde”, explica Dr. Reitan.

De forma geral, é consenso que o robô se aplica a procedimentos mais complexos, nos quais a laparoscopia pode encontrar certa dificuldade. Procedimentos simples, não se beneficiam do uso do robô. “É importante dizer que quanto mais complexo e delicado o procedimento, mais a robótica se sobressai e isso é o futuro”, avalia.

Mas para o cirurgião estar apto a operar por robô, necessita de uma nova capacitação e essa formação para Cirurgia Robótica está mudando. Desde o final do ano passado, as Sociedades Médicas estão organizando a certificação dos cirurgiões. Segundo Dr. Reitan Ribeiro, “a exigência envolve um treinamento teórico, muitas horas em um simulador, treino com o equipamento e, por fim, a realização das primeiras cirurgias em conjunto com um cirurgião já certificado, chamado de proctor”. Importante dizer ainda que “Quem opera é o cirurgião sentado no console comandando o robô que está em contato com o paciente”, diz.


 

Exames genéticos auxiliam na prevenção e tratamento do câncer

Do acordo com registros do Instituto Nacional de Câncer (Inca), foi estimado 600 mil novos casos de câncer no Brasil em 2019. No entanto, há a possibilidade de que esses números sejam ainda mais expressivos, já que as bases de dados sofrem com a falta de notificações a atraso de informações.

Realizada todos os anos no dia 4 de fevereiro, a campanha do Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa da União Internacional para Controle do Câncer (UICC). Disseminada no Brasil pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), este ano, a ação completa sua 20ª edição.

Os cânceres podem ser causados por alterações nos genes. Para a maioria das pessoas que desenvolvem câncer, as mutações genéticas acontecem ao longo da vida. Algumas pessoas nascem com uma mutação genética herdada de um dos pais, que aumenta seu risco de ter câncer.

Nesses casos, saber que existe a possibilidade de detectar predisposições ao câncer é uma grande aliada na prevenção e tratamento. A genética clínica é a especialidade que detecta, através de exames, essa predisposição.

Para muitos, saber que existe a possibilidade de detectar predisposições ao câncer, identificando e tratando por meio do sequenciamento genético, só foi possível a partir do famoso caso da atriz americana Angelina Jolie, em 2013, que anunciou a realização de dupla mastectomia preventiva devido à probabilidade alta que teria de desenvolver câncer de mama. O sequenciamento genético de Angelina Jolie apontava que a atriz tinha o gene causador do câncer que vitimou sua mãe e uma tia, o que elevava em mais de 80% a chance de ter a doença no futuro.

Exames como esse, hoje em dia, já estão bem mais acessíveis, podendo ser realizados em laboratórios de genética clínica. Como no caso da famosa atriz de Hollywood, especificamente para avaliar probabilidade de câncer, existe o exame chamado Painel Ampliado de Risco Hereditário do Câncer. “Esse teste avalia 145 genes associados a diversos tipos de câncer, como mama, intestino, próstata, endométrio, entre outros. A partir dos resultados, o paciente, em conjunto com seu médico, pode planejar o melhor programa de prevenção para a doença, com dados personalizados baseados na sua constituição genética”, explica João Bosco Oliveira, médico imunologista e geneticista, sócio-fundador da Genomika Einstein, laboratório pioneiro de genética clínica no Recife.

Para aqueles que já estão diagnosticados com câncer, saber qual a mais adequada droga para o tipo específico da doença também é de extrema importância para a eficácia do tratamento. É para isso que outro exame genético, o Oncoscreen, é utilizado. “O OncoScreen é um exame realizado no DNA e RNA do tumor para definir que drogas podem ser mais eficientes no tratamento daquele câncer. No teste, são detectadas fusões gênicas, alterações na sequência das bases de DNA e no número de cópias de 52 genes diferentes. A definição dessas alterações genéticas permite uma caracterização rápida e segura de cada caso analisado, com ganho de tempo e segurança nas decisões que serão tomadas”, afirma João Bosco.

Para o paciente, o processo de coleta para a realização do sequenciamento genético, etapa presente em todos esses exames, é simples. É realizada uma coleta da amostra, que pode ser de sangue ou saliva. Com isso, ela é processada no laboratório, onde é realizada a extração do DNA que está presente nas células. Após essa etapa, é feito o processamento da amostra e o sequenciamento de segunda geração para analisar a sequência do DNA amplificado em milhares de vezes. Todo esse processo é executado com o auxílio de robôs que agilizam e dão mais segurança e precisão ao processamento das amostras.

O acesso a esses exames, hoje em dia, também é facilitado já que muitos dos testes genéticos realizados no Brasil podem ser feitos através de planos de saúde, de acordo com norma emitida em 2013 pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida ampliou a cobertura obrigatória, com exames mais complexos, e beneficiou milhões de usuários de planos individuais e coletivos de assistência médica do país. Para realizar os exames é preciso prescrição de um geneticista.


 

Dia Mundial do Câncer reforça mudança de hábitos para reduzir o impacto da doença

A campanha do Dia Mundial do Câncer é realizada todos os anos no dia 4 de fevereiro e é uma iniciativa da União Internacional para Controle do Câncer (UICC). Disseminada no Brasil pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), em 2020 chega à sua 20ª edição.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimaram 600 mil novos casos de câncer no Brasil em 2019. No entanto, existe a probabilidade de que esses números sejam ainda maiores, pois as bases de dados sofrem com falta de notificações e atraso de informações. Diante desse cenário, a FEMAMA convida todos a participarem da campanha que tem como tema “Eu sou e eu vou” e avaliarem seus hábitos para que se conscientizem no quanto podem fazer para reduzir o impacto do câncer em suas vidas.

“O movimento tem como objetivo alertar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer, pois quanto mais cedo ele é descoberto, maiores as chances de cura na grande maioria dos tipos de câncer. A campanha trienal quer ressaltar que o esforço de cada um, seja mudando hábitos próprios ou influenciando positivamente as pessoas ao seu redor, contribui para a redução de fatores de risco para o câncer no longo prazo”, explica a presidente voluntária da FEMAMA e Chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento, Dra. Maira Caleffi.

E em apoio especial a data, os estádios do Grêmio, do Internacional, em Porto Alegre (RS), a Catedral de Pedra em Canela (RS) e a Ponte Estaiada de Teresina (PI), além de outros pontos espalhados pelo Brasil, receberão iluminação exclusiva nas cores azul e laranja para conscientizar a população sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce da doença, durante a primeira semana de fevereiro.

No Brasil, ainda são muitos os desafios a serem vencidos. Apesar dos avanços da medicina para o rastreamento e tratamento, a demora para obter o diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado afasta os pacientes do sistema público da cura. De acordo com dados do TCU, pacientes com câncer esperam em média 200 dias até receber seu diagnóstico. Além disso, quando diagnosticado em estágios mais avanços, o tratamento tende a ter impacto negativo no orçamento do governo e dos planos de saúde.

Para mudar esse cenário, a FEMAMA e sua rede de ONGs associadas mobilizou o Congresso Nacional durante cinco anos para aprovação da Lei dos 30 dias, que estabelece que os exames necessários para a confirmação do diagnóstico de câncer sejam realizados no SUS no prazo máximo de 30 dias. A lei foi sancionada em outubro pelo vice-presidente Hamilton Mourão e entrará em vigor em abril deste ano. Conquistado o direito no papel, é preciso fiscalizar sua regulamentação para garanti-lo também na prática.

“Nenhuma lei cria infraestrutura de imediato, mas norteia as prioridades e esforços governamentais. Uma doença tão prevalente, com altas chances de cura se estiver em estágio inicial, precisa receber uma atenção maior também no sistema de atenção primária. Nesse cenário, a regulamentação da Lei dos 30 dias é fundamental para que haja transparência e controle dos esforços para reduzir a demora do diagnóstico no curto e no médio prazo e salvar vidas”, defende a Dra. Maira Caleffi.


 

UICC promove campanha global no Dia Mundial do Câncer

A Union for International Cancer Control (UICC) organiza anualmente uma campanha mundial para conscientizar a sociedade sobre a importância da informação e da educação sobre o câncer, por meio de ações pessoais, coletivas e governamentais. No Brasil, a FEMAMA é a instituição que lidera a iniciativa, ao lado da Bristol-Myers Squibb, que, dentre outras, apoia globalmente a UICC no Dia Mundial do Câncer, 4 de fevereiro.

Em sintonia com o que preconiza a UICC, a FEMAMA já está atuando desde o dia 20 de janeiro, quando lançou a sua campanha nas redes sociais. Tanto a FEMAMA quanto às suas ONGs afiliadas trabalharam em prol do acesso mais rápido ao diagnóstico e tratamento precoces, por meio da mobilização do Congresso Nacional e Presidência da República para aprovar a “Lei dos 30 Dias”, a qual estabelece o prazo máximo de um mês para a confirmação da doença no sistema público.

O tema da campanha é “I am and I will” – ou, em tradução livre para o português, “Eu sou e eu vou” – e pretende engajar as pessoas em um compromisso que possa reduzir o número de mortes prematuras causadas pelo câncer e doenças não transmissíveis em um terço até 2030. Com ações como estas, até 3,7 milhões de vidas poderiam ser salvas a cada ano com a implementação de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento precoces.

Segundo dados compartilhados pela UICC, o custo total do câncer no mundo é estimado em mais de US$ 1,6 trilhão, o que equivale ao PIB de países como Irlanda, Noruega e Cingapura juntos. Diante dessa realidade, Gaetano Crupi, presidente da Bristol-Myers Squibb do Brasil, comenta que a empresa apoia programas, iniciativas e organizações que ajudam a melhorar a saúde, expandem oportunidades de pesquisa, promovem e ampliam a educação em ciência e tecnologia, além de prestar serviços para nossa população. Por isso, apoiar a campanha no Brasil e no mundo pode fazer a diferença para milhares de pacientes, esse é o nosso papel”.

A campanha da UICC conta ainda com diversos membros associados no País, além da FEMAMA, como associações de pacientes, institutos e hospitais especializados no tratamento do câncer, entre eles Abrale, A.C. Camargo, INCA, Instituto Avon, Hospital de Caridade de Ijuí, Associação Brasileira de Enfermagem, Oncoguia e o movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC).

O Instituto Vencer O Câncer (IVOC) também está atuando na campanha “Eu sou e eu vou” e, para tanto, vai propor um desafio em suas redes sociais com o oncologista Dr. Fernando Maluf. “Nesta ação, vamos engajar os seguidores para responderem à pergunta mote da campanha – ‘Qual é a coisa mais corajosa que você pode fazer pelo câncer?’ – e, por meio dela, provocar uma reação positiva na sociedade sobre o impacto da doença nos pacientes, familiares e cuidadores”, comenta o oncologista e fundador do Instituto Vencer o Câncer. Além do IVOC, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) tem um evento agendado para lançar a “Estimativa 2020-2022: Incidência de Câncer no Brasil” no Rio de Janeiro no dia 4 de fevereiro.

Para saber mais informações sobre a campanha “Eu sou e eu vou” da UICC no Brasil, acesse o site e, nas redes sociais, use as hashtags #EuSouEEuVou e #DiaMundialDoCancer.


 

Artigo – O câncer em 2020: como estamos nessa batalha?

Entre outras tantas coisas, o câncer é um desafio para a humanidade. É temido por quase todos nós (senão todos), é vigorosamente caçado por cientistas ao longo dos séculos, é doloroso para os milhões que dele sofrem e é passível de prevenção em um terço das vezes.

A doença é mesmo um desafio vivo. A história dessa moléstia se entrelaça com a própria história da humanidade, com seu primeiro registro há 4 milhões de anos. Por mais que hoje se saiba mais sobre o câncer do que nunca, e que marcantes avanços sejam reconhecidos, ainda é responsável por 9,6 milhões de mortes todos os anos.

Dados recentes publicados pela American Cancer Society (ACS) documentam uma queda de 2,2% na mortalidade por câncer entre 2016 e 2017. Essa é a maior queda registrada até hoje, e pode ser parcialmente explicada pelos avanços nos cuidados do câncer de pulmão e melanoma nesse período. A mortalidade por câncer subiu até 1991, e desde então teve queda de 29%.

O mundo da ciência está otimista por presenciar o que antes parecia inatingível, como o advento da imunoterapia (tratamento que faz com que o sistema imunológico atue contra o câncer), e que traz maior chance de cura mesmo para pacientes com metástases.

As coisas também têm mudado para aqueles que vivem com a doença, não só pelos melhores desfechos e melhor controle de sintomas, mas sobretudo por assumirem cada vez mais o protagonismo do seu tratamento.

Não existe mais espaço para a medicina que olha exclusivamente para a doença. Entra em ação o trabalho de dar acesso a informações qualificadas para que os pacientes compartilhem decisões que respeitem seus valores. É viver com coerência, na saúde e na doença. É tratar com respeito a doença e o doente.

Esse processo, às vezes citado como “empoderamento” do paciente, vai além da qualificação médica: requer ação dos meios de informação por diferentes mídias, o ativismo e empenho de organizações relacionadas ao tratamento e resultam em uma feliz mudança de paradigmas no tratamento de seres humanos.

A contar para o lado triste da história estão as vidas que poderiam ser salvas com a adequada implementação de estratégias de prevenção e detecção precoce. Por exemplo, cerca de um terço das doenças neoplásicas podem ser prevenidas.

O tabaco ainda é responsável por 22% das mortes por câncer, e evitar a obesidade, manter atividade física e dieta adequadas reduzem consideravelmente o risco de desenvolver diversos tipos de tumores, como o de mama, intestino e próstata.

Ainda no caminho do que podemos evitar está o câncer de colo uterino. O Brasil tem um lamentável e elevadíssimo número de mulheres que sofrem e morrem por essa doença. É importante mencionar o papel da vacinação contra o vírus HPV como um marco na luta contra mortes pelo câncer. A melhor conscientização e educação da população, bem como estratégias de saúde pública, podem reduzir mortes por câncer. Não é otimismo excessivo. É ciência e ação!

Em um país de grandes disparidades, temos também o que chamo de desigualdade do câncer. O acesso aos recursos que trazem maior chance de cura e mais do que dobram o tempo de vida de pacientes não é homogêneo. Felizmente os tratamentos são a cada dia melhores, mas também, proporcionalmente mais caros. Sem falar no desequilíbrio no número de mortes por câncer no mundo, sendo mais frequente nos países em desenvolvimento.

O Dia Mundial do Câncer fortalece o movimento de todos que enxergam o câncer como um desafio a ser combatido para que, um dia, seja uma doença menos temida, menos sofrida, mais compreendida pela ciência e quem sabe, prevenida em uma boa parte das vezes, senão em todas elas.

 

 

 

Vivian Castro Antunes de Vasconcelos é médica oncologista clinica do Hospital Vera Cruz, grupo SOnHe e CAISM-UNICAMP. É mestre em ciências na área de Oncologia pela Unicamp

 


 

Projeto RECONSTRUIR recupera autoestima de pacientes com câncer com micropigmentação gratuita

O Projeto Driblando o Câncer acaba de lançar o projeto RECONSTRUIR. Trata-se de um ambulatório de micropigmentação gratuito, dirigido a pacientes carentes com câncer para reconstrução de sobrancelhas e aréolas de mamas. A iniciativa está sendo viabilizada graças à solidariedade de tatuadores de todo o país.

Também lança neste 4 de fevereiro, Dia Mundial de Combate ao Câncer, campanha em vídeo no metrô de São Paulo, para alertar a população sobre prevenção e diagnóstico precoce.

O ambulatório será instalado em um espaço da ONG GAMA – Grupo de Apoio Momento de Amar, na Zona Leste de São Paulo. Esse espaço será todo reformado e adaptado ao ambulatório. “Nossas pacientes merecem ser atendidas em um espaço bonito, acolhedor e com toda infraestrutura que merecem”, observa o Niolanda Dantas, embaixadora do Projeto Driblando o Câncer.

Para viabilizar o Projeto Reconstruir, o Projeto Driblando o Câncer está conectando empresas e pessoas e criando uma rede do bem para garantir fundos e doações de materiais e equipamentos. Vários estúdios de tatuagem do ABC, São Paulo, Rio de Janeiro e até Minas Gerais já confirmaram adesão.

Segundo Niolanda Dantas, recuperar a autoestima, a beleza e a confiança das pessoas em si mesmas é tão importante quanto o próprio tratamento médico. “Perder a mama, os cabelos, a sobrancelha… faz a mulher perder sua referência e pode levar à depressão. Então decidimos trazer esse serviço, de forma gratuita, para elas”, destaca. Dantas se diz impressionada com tamanha solidariedade de tatuadores e estúdios em todo país.

A presidente do GAMA, Maria de Lurdes Silva do Nascimento, está entusiasmada com o projeto, pois o GAMA vem lutando e realizando um trabalho de muitos anos para garantir dignidade no atendimento das mulheres e homens com câncer. “E o Projeto Reconstruir só reforça nosso trabalho e nossa missão”, revela.

A arquiteta Marina Moreira de Almeida, da Sal Arquitetura, é voluntária e está projetando o novo espaço. Várias empresas de decoração e equipamentos estão sendo convidadas a participar.

Rede de tatuagem do bem

Com o objetivo de conseguir recursos, o Projeto Driblando o Câncer está criando uma rede de estúdios de tatuagem que farão Flash Days, objetivando doar uma parte do faturamento para o “Reconstruir”. Flash Days são promoções relâmpago onde as tatuagens são comercializadas a preços promocionais. Duram um ou dois dias.

Niolanda Dantas está muito feliz com a adesão maciça de pessoas e empresas. “O exercício da responsabilidade social e da cidadania nos engrandece. Convidamos todos os empresários e tatuadores a se conectarem aqui conosco. Vamos dar brilho a muitas vidas. Você pode participar também!”, convida.

Esther Gawendo, presidente da Tattoo do Bem, braço social da Tattoo Week já aderiu ao Projeto Reconstruir e vai colaborar promovendo Flash Days na KlanTattoo e disponibilizando micropigmentadoras voluntárias.

A experiente micropigmentadora Ana Savoy, do Projeto Arte com Paixão, também aderiu, disponibilizando micropigmentadoras doadoras, que participarão dos ambulatórios, doando o trabalho para as pacientes. “Somos muito gratas de poder colaborar com esse projeto. Certamente será um grande projeto”, avalia.


 

ONG capacita voluntários para cuidar de pacientes com câncer de mama

A União e Apoio no Combate ao Câncer de Mama foi fundada em 2001 por Ermantina Ramos, pioneira na criação de iniciativas educacionais em saúde mamária para capacitar voluntários no atendimento correto a pacientes com câncer. Os cursos têm duração de quatro meses e são ministrados uma vez por semana na Assembleia Legislativa de São Paulo, gratuitamente.

Ermantina teve a iniciativa após perceber que os voluntários precisavam de informações técnicas e orientações específicas para fazerem o acolhimento adequado e humanizado a pessoas com câncer. “Essa abordagem faz toda a diferença para quem está enfrentando a doença”, conta Clarisia Ramos, presidente voluntária da UNACCAM e filha da idealizadora do projeto, Dona Ermantina Ramos.

Durante o processo, Ermantina teve a ajuda de Lourdinha Borges, uma paciente de câncer de mama e do Dr. José Aristodemo Pinotti, diretor executivo do Instituto da Mulher do Hospital das Clínicas e chefe do Departamento Obstetrícia e Ginecologia da USP. O trio fundador realizou vários cursos de capacitação em saúde mamária, além de palestras e congressos em empresas, hospitais, comunidades e onde mais pudessem levar os conhecimentos e apoio.

A organização realiza inúmeros eventos, caminhadas e debates, além de parcerias com ONGs, instituições privadas e profissionais, que compartilham os valores e lutas da associação.

“Assumir o cargo que pertenceu a minha mãe por tantos anos me enche de orgulho, por dar continuidade a um projeto tão bonito e significativo e auxiliar pessoas que enfrentam essa luta que está tão presente na minha família”, diz Clarisia.

Desde a fundação da instituição, mais de mil voluntários de 27 ONGs, além de pessoas em busca de orientação e sem ligação com instituições, já foram capacitadas pela UNACCAM. A organização realiza, ainda, palestras e congressos em empresas, hospitais, comunidades, igrejas e outros espaços, levando conhecimento sobre prevenção e diagnóstico precoce.

A UNACCAM também iniciou, recentemente, uma frente de assistência com serviço de terapia direcionado a famílias de pacientes com câncer. A instituição também doa cerca de 250 mamografias e 10 atendimentos dermatológicos por ano para pacientes oncológicos. Todos os serviços são gratuitos e disponibilizados mediante a inscrição/disponibilidade de vagas.

Em 2018, Ermantina descobriu um câncer no pulmão e acabou falecendo em decorrência da doença. Clarisia Ramos seguiu os passos da mãe e tornou-se então a presidente da associação, buscando novos projetos e parcerias para ampliar o alcance da instituição.


 

Casos de câncer devem aumentar mais de 80% até 2040, alerta OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta terça-feira (4), data que marca o Dia Mundial do Câncer, um novo relatório sobre a incidência global de câncer. De acordo com a entidade, até 2040 a doença deve atingir algo entre 29 e 37 milhões de novos casos, um aumento médio de 60% em comparação aos 18,1 milhões de pessoas diagnosticada com tumores malignos ao redor do planeta em 2018.

Se considerados apenas os países em desenvolvimento, a realidade é ainda mais preocupante: o crescimento dos casos de câncer deve chegar a 81% nas próximas duas décadas. Nestes países também há maiores taxas de mortalidade em decorrência da condição.

“A realização de exames periódicos, essenciais para o diagnóstico precoce, e mudanças simples nos hábitos de vida, tais como praticar exercícios físicos com regularidade, manter uma alimentação saudável, evitar o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e não fumar, são essenciais para a redução desses índices” comenta Daniel Gimenes, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – unidade Oncoclínicas em São Paulo.

O especialista frisa que, se por um lado, nos países mais ricos temos um aumento de casos de câncer dentro de um limite esperado, ligado em grande parte ao aumento da expectativa de vida e ao consequente envelhecimento da população, em países em desenvolvimento a principal causa de câncer ainda está relacionado ao baixo investimento em prevenção.

“O acesso à informação sobre cuidados básicos com a saúde, combate ao tabagismo e vacinação contra Hepatite B – aliado importante na redução dos riscos de câncer de fígado – e a contra o papilomavírus humano (HPV) – responsável por 90% dos diagnósticos de câncer de colo de útero – figuram no topo da lista de medidas que precisam ser adotadas no enfrentamento na diminuição dos riscos de câncer. Além disso, o incentivo à realização de exames preventivos é essencial para o diagnóstico precoce de tumores, o que garante uma melhor resposta aos tratamentos”, frisa o Dr Daniel.

A OMS informa ainda em seu comunicado oficial que a partir de um compromisso de todos os países em assegurar melhorias nas frentes de prevenção e diagnóstico do câncer em fase inicial seria possível salvar ao menos 7 milhões de vidas ao longo da próxima década. A anális, complementarmente, avalia que países desenvolvidos têm adotado programas de prevenção, diagnósticos precoces e detecção que, associados a melhores tratamentos, contribuíram na redução de 20% na taxa de mortalidade prematura por câncer entre 2000 e 2015. Já nos países em desenvolvimento, a redução foi de apenas 5%.

Brasil terá 625 mil novos casos de câncer em 2020

A estimativa recém divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) e pelo Ministério da Saúde aponta que haverá um leve aumento nos índices de incidência de câncer no país neste ano. São esperados 625 mil novos casos, enquanto em 2019 o país teve cerca de 600 mil diagnósticos da doença. O estudo mostra ainda que cerca de 70% das ocorrências devem ser registradas na região Sudeste, onde a subnotificação é menor do que em outras localidades do país. Também estima-se que, nesta região, assim como nos países desenvolvidos, o câncer pode ultrapassar as doenças cardiovasculares como a principal causa de morte até 2030.


 

Brasil somará 625 mil novos casos de câncer em 2020, mas tratamentos avançados estão revolucionando o combate à doença

Em menção à data, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou novos dados sobre o mapa da doença no país: a expectativa é que 625 mil novos casos sejam diagnosticados neste ano, de acordo com o levantamento Estimativas Incidência de Câncer no Brasil 2020. A base para a construção desses indicadores são os números provenientes, principalmente, dos Registros de Câncer e do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS).

Entre os tipos de tumor mais comuns no Brasil, o câncer de pele do tipo não melanoma continua na liderança. No recorte por gênero, a neoplasia de mama entre as mulheres e a de próstata nos homens permanecem como pontos de atenção, figurando no topo da lista quando observada essa divisão da população. Além disso, outros tipos de câncer com alta incidência, como o câncer de pulmão e o câncer de intestino, ambos muito ligados a hábitos de vida pouco saudáveis, apresentam elevadas taxas.

Mas se os números de novos casos de forma geral permanecem quase inalterados em comparação ao que se observou em 2018 e 2019, quando a incidência medida foi de 600 mil novos casos por ano, a mortalidade pela doença aos poucos tem dado sinais positivos de redução.

Neste cenário, 2020 desponta como um ano emblemático no tratamento do câncer, com a chegada de drogas inovadoras e tratamentos que prometem melhorar não só as chances de sobrevivência, mas também a qualidade de vida dos pacientes.

“Alternativas de terapias cada vez mais personalizadas e individualizadas fazem com que o câncer se aproxime cada vez mais de se tornar uma doença considerada crônica, com benefícios efetivos à qualidade de vida do paciente”,  é o que aponta o oncologista Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas.

Para ele, este ano pode ser entendido como um divisor de águas no futuro do tratamento da doença. “Temos novidades que têm se mostrado bem sucedidas nos meio médico e científico, como a imunoterapia e o tratamento com anticorpos monoclonais. O chamado CAR-T Cell também vem conquistando grande espaço em casos de tumores hematológicos, um avanço que se mostra animador quando nos referimos a em especial a leucemias e linfomas”, aponta.

O Dr. Bruno enfatiza que a produção de conhecimento na área da oncologia no Brasil e no mundo passa por uma fase de crescimento incomparável. Mas, mesmo sinalizando os próximos anos como positivos e de chegada de avanços, lembra que há desafios no tocante às aprovações necessárias para adoção dos testes moleculares e chegada de novas medicações, como também na garantia do acesso igualitário à toda sociedade. Apesar da ressalva, o médico garante que há  motivos para comemorar e indica que a informação é ferramenta essencial para assegurar o protagonismo a todos, pacientes ou não, em um momento de mudanças nos paradigmas da doença.

Junto com o Dr. Bruno Ferrari, os oncologistas do Grupo Oncoclínicas Clarissa Mathias, Carlos Barrios, Carlos Gil e  Wellington Azevedo esclarecem as principais perspectivas no combate ao câncer:

Análise genômica é palavra de ordem

O avanço dos estudos envolvendo o genoma humano, código genético presente nas células e de forma única em cada indivíduo, fez com que nos últimos anos a análise dos genes se tornasse parte indispensável das áreas da medicina. Dentro delas, a oncologia vem se beneficiando tanto na precisão diagnóstica, quanto na eficácia do tratamento – ambas proporcionadas por essas avaliações.

Segundo o Dr. Carlos Gil, exames que ajudam a detectar o perfil molecular de tumores como de pulmão, intestino e melanoma têm se mostrado importantes aliados no controle da condição.

“Esse tipo de teste proporciona maior precisão e melhor qualidade no diagnóstico, o que é fundamental para uma definição precisa do tratamento. Isso porque, apenas conhecendo com precisão as células malignas o profissional de saúde conseguirá especificar o melhor tratamento para aquele caso”, comenta.

Individualização e imunoterapia

O conhecimento cada vez maior de como as células cancerígenas funcionam em cada tipo de organismo foi o avanço necessário para implementar outros tratamentos que têm revolucionado a oncologia. O principal dele é a imunoterapia, citada no Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2018.

Segundo o Dr. Bruno, ela é um tipo de tratamento biológico com o objetivo de potencializar o sistema imunológico do indivíduo para combater o câncer. “A prática terapêutica vem apresentando resultados muito significativos para diversos tumores, especialmente mama, pulmão, colo de útero, endométrio, melanoma e cânceres de cabeça e pescoço”.

Um exemplo é o câncer de mama triplo negativo, um subtipo agressivo da doença que afeta principalmente mulheres jovens e representa, segundo a Dr. Clarissa, cerca de 13% dos casos. “O uso da imunoterapia com quimioterapia apresentou aumento significativo de resposta patológica completa – ou seja, quando a doença desaparece após o uso de um medicamento o que é uma importante evolução contra esse subtipo, normalmente associado a um prognóstico ruim por causa de sua agressividade”, pontua a oncologista.

As terapias-alvo também se mostram cada vez mais eficazes e são boa notícia para os próximos anos. Os testes com esses medicamentos têm mostrado “resultados excelentes, principalmente para para tumores de mama e de ovário”, frisa a Dra Clarissa, que também é a atual presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).

O tratamento é feito com substâncias que foram desenvolvidas para identificar e atacar características específicas das células cancerígenas, bloqueando assim o crescimento do tumor e permitindo que o organismo do paciente recupere as condições para derrotá-lo.

Anticorpos monoclonais: menos toxicidade e maior efetividade

Um dos destaques, nesse sentido, são as terapias conjugadas de quimioterapia com anticorpos, por exemplo, como ressalta o Dr. Carlos Barrios. “O que acontece, nesses casos, é que a combinação vai levar a quimioterapia diretamente para a célula cancerígena, focando o tratamento apenas nela, o que diminui a toxicidade para o organismo, ao mesmo tempo que aumenta a efetividade do tratamento”, diz.

Segundo ele, é importante frisar que, para alcançar bons resultados com essas terapias, um fator é primordial: conhecer profundamente o tipo de câncer e as características de cada paciente e cada célula, para atingir a doença com mais precisão.

“É preciso estar equipado com tecnologia que identifique as alterações genéticas com detalhes. Não são muitos locais que oferecem esse tipo de tratamento”, afirma.

Para linfomas e leucemia, uma alternativa de sucesso 

Uma nova opção de tratamento para linfoma e leucemia, que vem sendo estudada por meio da terapia genética, é a do CAR-T Cell, que usa células do próprio pacientes geneticamente modificadas em laboratório para combater o câncer. A estratégia consiste em habilitar células de defesa do corpo (linfócitos T) com receptores capazes de reconhecer o tumor e atacá-lo de forma contínua e específica.

O CAR-T cell é uma combinação de várias tecnologias, envolvendo a terapia gênica, imunoterapia e terapia celular.  Nos Estados Unidos e na Europa já existem produtos comercialmente disponíveis.

O Dr. Wellington explica que o Brasil ainda está atrasado, em função da indefinição da legislação que regula esse assunto. Mas, ele ressalta que a Anvisa irá liberar em breve uma autorização que regulamenta o uso. “A expectativa é que ainda em 2020 as indústrias farmacêuticas já sejam capazes de registrar esses medicamentos no país”, complementa.

O alto custo para a produção preocupa, mas o avanço é inegável: o tratamento conquistou popularidade no Brasil na segunda metade de 2019, quando um paciente com linfoma não Hodgkins avançado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, no interior de São Paulo, foi considerado o primeiro paciente da América Latina a alcançar a remissão da doença com uso das células CAR-T.

Para o Dr. Wellington, a estratégia usada para o tratamento abre frentes para uso não só em tumores hematológicos, como o linfoma, podendo possivelmente ser  usada para qualquer tipo de câncer. “A metodologia já conta com pesquisas voltadas a protocolos para leucemia mieloide aguda e mieloma múltiplo. Há expectativas de que em um futuro próximo seja possível o uso do CAR-T Cell em tumores sólidos, caso do câncer de pâncreas, apenas para citar uma das possibilidades que já estão em discussão”, finaliza.


 

Novas estimativas de câncer do Brasil reforçam associação entre estilo de vida e tumores mais comuns no país

Depois dos tumores de pele do tipo não melanoma, o câncer de mama continua sendo o mais incidente entre as mulheres. No entanto, o que chama a atenção é o aumento de 11% no número absoluto de novos casos anuais previstos para o triênio 2020-2022 em relação aos dados de 2018-2019.

Ao contrário dos anos anteriores, haverá mais mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama do que o total de homens diagnosticados com câncer de próstata. A estimativa de novos casos de câncer de mama saltou de 59.700 para 66.280. Já o câncer de próstata reduziu de 68.220 para 65.840.

O médico patologista Gerônimo Junior, da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e diretor do Laboratório LAPAC, do Piauí, observa que, embora o surgimento do câncer de mama seja multifatorial, o estilo de vida é determinante para o aumento da incidência desta doença. “Hoje as mulheres, em geral, têm menos filhos e a primeira gestação mais tardia. Com isso, amamentam menos e menstruam mais, estando assim mais expostas ao estímulo hormonal”.

Por sua vez, acrescenta o especialista, há outros fatores e cada um deles influencia o risco parcialmente, como obesidade, sedentarismo e uso de álcool, por exemplo. “A boa notícia é que quanto mais precoce for a descoberta do câncer de mama, maior é a chance de cura”, ressalta

CÂNCER DE INTESTINO – Dentre os tipos de câncer mais incidentes em ambos os sexos se destaca o colorretal (intestino grosso e reto). A doença, que já era a segunda mais comum em mulheres, agora é também a segunda mais diagnosticada em homens, ultrapassando os casos de câncer de pulmão. Somando o sexo feminino e masculino, saltou de 36.360 casos/anos previstos para 2018-2019 para 40.990 casos no novo triênio.

Gerônimo Junior destaca que embora o câncer colorretal também seja multifatorial, o estilo de vida é determinante. O principal agravante é a dieta com alta ingestão de carne vermelha e de alimentos processados, assim como a baixa ingestão de frutas, vegetais e fibras. “As evidências também mostram que o tabagismo e etilismo também contribuem para a maior incidência, assim como a obesidade, devido ao estado inflamatório, que é uma agressão ao intestino”, afirma o médico patologista.

Em resumo, o levantamento divulgado pelo INCA mostra que para 2020-2022 os tipos de câncer mais frequentes em homens, à exceção do câncer de pele não melanoma, serão próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%). Nas mulheres, exceto o câncer de pele não melanoma, os cânceres de mama (29,7%), cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,4%), pulmão (5,6%) e tireoide (5,4%) figurarão entre os principais.

A IMPORTÂNCIA DE IR ALÉM DOS NÚMEROS – Tão importante quanto se quantificar o impacto do câncer no Brasil é entender que esta doença, embora seja apenas uma palavra, mostra-se bastante heterogênea. O câncer de mama, por exemplo, que décadas atrás os especialistas pensavam que era uma única doença, hoje é possível saber, graças ao advento de técnicas moleculares, que há múltiplos subtipos e, para alguns destes, há alvos para terapias especificas.

“Nesta Era em que vivemos, que é da medicina de precisão, cabe a nós patologistas não apenas o diagnóstico do câncer, mas a pesquisa, através de testes moleculares, de alterações nestas células que permitam melhor classificação, tratamentos mais individualizados e maior conhecimento da história natural desta doença”, ressalta Gerônimo Junior.


 

INCA revela 625 mil casos novos de câncer por ano nos próximos três anos
4 de fevereiro

Data marcou décadas de celebração do Dia Mundial do Câncer, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou dados sobre a incidência da doença no Brasil.

A publicação denominada “Estimativas de incidência: Incidência de Câncer no Brasil, para 2020-2” foi elaborada a partir de dados do Registro de Base Populacional do país e mostra que os cânceres de pele não melanoma, mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago serão os de maior prevalência.

Hoje 7,6 milhões de pessoas no mundo morrem em decorrência de câncer anualmente. Dessas, 4 milhões estão na faixa etária de 30 a 69 anos.

Trata-se de mais uma oportunidade de disseminar informações sobre prevenção e controle do câncer e levar questões atuais sobre a doença à população em geral.

Veja mais informações pelo link: www.inca.gov.br/estimativa

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