Em São Paulo, Projeto de Lei beneficia mulheres com deficiência

Usando como referência o projeto ‘Sábado Sem Barreiras’, desenvolvido com foco no atendimento ginecológico para mulheres com deficiência no Hospital Pérola Byington, o vereador Eli Corrêa apresentou projeto de lei para que a cidade de São Paulo amplie a abordagem na rede pública municipal. O projeto é coordenado pela doutora Maria de Fátima Duarte que contribuiu com toda sua experiência para que a ação alcance mais mulheres paulistanas.

A proposta, aprovada por unanimidade 55 votos no dia 16, prevê que a Prefeitura faça um planejamento para adaptação integral dos equipamentos de saúde municipais, como: sala de atendimento individual, sala de exames e sala de coleta de materiais, e contará com assistência de uma equipe multidisciplinar composta por médicos ginecologistas, enfermeiros, psicoterapeutas e psicólogos.

“Entre as ações, prevemos que as unidades de saúde troquem, por exemplo, a maca convencional por uma elétrica”, pontua Eli. O parlamentar explica que esta mudança vai permitir, por exemplo, que as pacientes possam se posicionar de modo autônomo na maca para as consultas.

A solução mais simplista é pegar a paciente no colo para acomodar na maca. “É exatamente nesse momento que causamos impacto para essas mulheres”, pondera o vereador. “Muitas delas não contam com companhia para todas as consultas. Por isso, ao serem movidas da cadeira de rodas para a maca pela médica ou algum auxiliar, mesmo com as melhores das intenções, podemos estar ferindo a autoestima desta mulher”, avalia.

Logística

Eli Corrêa apresentou o exemplo de mulheres que precisam percorrer grandes distâncias para consultas de rotina. Entre as milhares de paulistanas que precisam desta atenção, estão a Maria Alda e sua filha Francisca, que tem paralisia cerebral e precisa da cadeira de rodas para se locomover. Elas residem no extremo sul da capital. Uma dificuldade destacada é a de mobilidade. “A dificuldade é nas ruas, porque são muitos buracos, não tem calçada. A gente anda correndo risco no meio dos carros”, detalha.

Suely Rezende, moradora da Zona Leste, trata uma doença degenerativa que também obriga o uso da cadeira de rodas. Ela destaca o serviço prestado no Hospital Pérola Byington. “É excelente, porque atende todas as nossas necessidades. É o único programa na cidade que realiza exame ginecológico nas mulheres com deficiência”.

Mais inclusão

Das 460 unidades básicas de saúde da capital, menos de 20 são acessíveis, o que corresponde a 5%. A proposta do vereador Eli Corrêa considera a necessidade de um planejamento efetivo para mudar esta realidade. Como não é possível executar isso em todas as unidades simultaneamente, o parlamentar sugere que sejam definidas algumas unidades por região. “Isso vai aproximar o serviço das mulheres com deficiência. Assim, elas não precisarão passar pelos transtornos de longas e desconfortáveis viagens para cuidar da saúde”.

Como comunicador, Eli também levantou a bandeira de potencializar a participação dessas mulheres nas tomadas de decisões. “Independentemente das limitações no corpo, as mulheres têm um espírito de guerra, luta, uma sede por autonomia que as tornam gigantes. Por isso, o lema ‘Nada sobre nós sem nós’ precisa ser colocado em prática com amplitude”, destaca.

Entusiasta da contribuição feminina, o democrata reforça que o engajamento destas mulheres nas tomadas de decisões, “vai beneficiar não apenas as mulheres com deficiência, mas também aos outros públicos”, conclui.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário
Por favor insira seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.