Exaustão reforça importância do cuidado com a saúde emocional dos profissionais da saúde

Pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em todo o território nacional, mostrou que a pandemia da Covid-19 modificou de modo significativo a vida de 95% dos profissionais da área da saúde e quase metade dos entrevistados
admitiram excesso de trabalho ao longo da crise sanitária, com jornadas acima de 40 horas semanais. Os dados revelaram ainda que 45% precisam ter mais de um emprego para se manter e que 14% da força de trabalho que atua na linha de frente está no limite da exaustão.

Além do esforço diário em plantões exaustivos, a pressão psicológica em cima desses profissionais aumenta a cada dia. A distância da família, a tensão por estar próximo e com receio de contaminar alguém e a necessidade de uma atenção total ao trabalho, mesmo após muitas horas seguidas de dedicação. É preciso entender os impactos psicológicos que a pandemia pode trazer aos que estão na linha de frente.

A saúde emocional desses trabalhadores necessita de cuidado. “Ao cuidar do profissional da saúde, você cuida de todo o sistema, pois é ele quem faz o sistema funcionar com menos falhas. É importante lembrar que cada pessoa reage às situações adversas de acordo com suas histórias, características individuais e capacidade de adaptação e resiliência, e é importante estarmos atentos aos sinais, físicos e mentais. Somente por meio dessa observação, embasada no autoconhecimento, é possível entender esses sentimentos”, ressalta Rosana Junqueira Morales, diretora executiva da Arte Despertar.

Em todo o Brasil foram registrados, desde o começo da pandemia, 56,1 mil casos de infecções pelo novo Coronavírus entre profissionais de enfermagem e 784 mortes, segundo dados atuais do Observatório de Enfermagem, do Cofen. O ambiente de trabalho desgastante e tenso devido à pandemia, unido à falta de preparo dos colaboradores, gera elevados índices de rotatividade, absenteísmo e estresse. Esse cenário ocasiona, além da queda na qualidade do atendimento, insatisfação dos pacientes e elevados custos aos hospitais.

A Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília em parceria com o Hospital Universitário de Brasília, desenvolveu um estudo para avaliar o comportamento de médicos residentes que estiveram envolvidos, entre os meses de abril e junho, no atendimento de pacientes com suspeita de Covid-19. Dados preliminares apontaram que entre os três distúrbios analisados – ansiedade, depressão e insônia – a ansiedade é a que mais afeta os trabalhadores da saúde. Parte disso é consequência do medo de contaminar familiares que moram na mesma residência, por exemplo. Já os principais sintomas de depressão identificados foram cansaço, dificuldade para se concentrar, pouco interesse e sentir-se mal consigo mesmo. Além disso, 83,3% afirmaram que a qualidade geral do sono está prejudicada e 75% apresentam sonolência diurna.

E como pensar em soluções que possam cuidar da saúde mental dos profissionais, além dos cuidados básicos?

A Arte Despertar logo no início da pandemia, entendeu que, era essencial cuidar de quem cuida, oferecendo apoio aos profissionais da saúde, que estavam na linha de frente desta pandemia. Diante deste cenário, a Arte Despertar em parceria com a Tamboro, startup brasileira que usa inteligência de dados para avaliar e desenvolver o potencial máximo dos funcionários, criaram o Sou Saúde – uma solução integrada que atua no desenvolvimento da resiliência emocional dos profissionais de saúde.

A ideia é fortalecer as práticas de acolhimento, empatia, comunicação e relacionamento que os preparam para lidar, de uma forma mais equilibrada, com a dor, cansaço e estresse e, ao mesmo tempo, oferecer cuidado e acolhimento cada vez mais humanizado ao paciente e família. “Os profissionais precisam se fortalecer pessoalmente para dar conta desse grande desafio profissional. Foi com essa intenção que criamos uma trilha de suporte e acolhimento emocional”, comenta Maíra Pimentel, cofundadora e diretora de projetos da Tamboro.

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