Febre Amarela: profissionais esclarecem dúvidas sobre contraindicações

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Oncologista esclarece dúvidas sobre vacinação em pacientes com câncer

Na tarde da última terça-feira (16) a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu todo o estado de São Paulo como sendo área de risco de febre amarela, fazendo com que postos de vacinação, públicos e privados, batessem níveis recorde de procura e gerando fortes dúvidas sobre quem está apto a imunização.

A vacina contra a febre amarela é segura, no entanto, há restrições em casos de gestantes, idosos, crianças com menos de nove meses e pessoas que apresentem imunodeficiência. No caso específico de pacientes com câncer, a recomendação é que a vacina não seja tomada durante o período de tratamento.

De acordo com o Dr. Andrey Soares, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas o paciente oncológico que está recebendo quimioterapia, por estar com a imunidade fragilizada e com uma capacidade menor de produzir anticorpos, ao receber o vírus da febre amarela vivo atenuado, corre mais riscos de apresentar efeitos colaterais. “Nesses casos, a vacinação só pode ocorrer três meses após a finalização do tratamento quimioterápico”, comenta.

Já em casos de pessoas que estão recebendo a imunoterapia e radioterapia, é recomendado aguardar a conclusão do tratamento para receberem a imunização. “Vale ressaltar que não há motivo para pânico. Cada situação é avaliada de acordo com a saúde do paciente e a região onde reside, é possível indicar outros mecanismos de proteção contra a doença. A transmissão da febre amarela se dá por meio da picada do mosquito contaminado. Por isso, pacientes em tratamento de câncer, assim como outros de grupos que não tenham recomendação de imunização, devem utilizar roupas adequadas que cubram maior parte da pele, repelente e considerar o uso de mosquiteiros na janela e/ou sobre a cama”, finaliza especialista.

Especialista alerta que a vacina da febre amarela é contraindicada para pessoas com imunossupressão

O médico reumatologista do Hospital Mãe de Deus, de Porto Alegre (RS), Dr. Claiton Brenol, alerta que a vacina contra a febre amarela tem algumas contraindicações, principalmente para pessoas com imunossupressão. O especialista reforça, porém, que esses casos são exceção e que a vacinação é importante como medida de prevenção à febre amarela.

Pacientes com doenças reumáticas e que usam medicamentos imunossupressores ou imunomoduladores devem ter cuidados especiais como suspender a medicação por um período de 4 semanas antes da vacinação. É o caso, por exemplo, de pacientes em uso de medicamentos sintéticos ou biológicos. Após quatro semanas da vacinação, as medicações podem ser retomadas.

Diante do surto de febre amarela que atinge o Sudeste do país e as recomendações da Secretaria Estadual da Saúde para vacinação em 38 municípios gaúchos, incluindo alguns do Litoral – como Tramandaí e Osório -, ele lembra que o próprio Ministério da Saúde informa que em situações nas quais haja a necessidade da vacina, mesmo perante uma situação epidemiológica de alto risco, a orientação é suspender o tratamento com imunossupressores antes de administrar a vacina.

A vacina contra a febre amarela é composta de vírus vivo atenuado, por isso as recomendações sobre a sua aplicação. De acordo com o Mistério da Saúde, a vacina é contraindicada para os seguintes grupos:

• Pacientes com imunodeficiência primária ou adquirida;

• Indivíduos com imunossupressão secundária à doença ou terapias;

• Imunossupressoras (quimioterapia, radioterapia, corticoides em doses elevadas);

• Pacientes em uso de medicações antimetabólicas ou medicamentos modificadores do curso da doença (Infliximabe, Etanercepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Rituximabe, Secukinumabe);

• Transplantados e pacientes com doença oncológica em quimioterapia;

• Indivíduos que apresentaram reação de hipersensibilidade grave ou doença neurológica após dose prévia da vacina;

• Indivíduos com reação alérgica grave ao ovo; pacientes com história pregressa de doença do timo (miastenia gravis, timoma);