Malformações congênitas no coração afetam 23 mil bebês por ano no Brasil

Enquanto os corações batem forte pelo Dia dos Namorados, o 12 de junho chama atenção para um problema que vai afetar 23 mil bebês a cada ano: as cardiopatias congênitas. Trata-se de malformações que surgem durante o desenvolvimento do feto, podendo afetar o correto fluxo do sangue, ou mesmo comprometê-lo.

Essa condição, lembrada no Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita, estará presente em pelo menos 1,5 mil bebês somente no Rio Grande do Sul em 2022. E sem tratamento, o quadro é grave: metade deve falecer no primeiro ano e 80% até os cinco anos.

No entanto, é possível intervir para garantir a saúde da criança. O diagnóstico pode ser feito ainda durante a gravidez, por ecografia fetal. E, se necessário, há como fazer correções quando o feto ainda está no ventre da mãe, por meio de punção e cateterismo.

A extensão do tratamento, entretanto, vai depender de caso a caso. “Pode-se fazer cirurgias já nos primeiros três meses de idade, buscando a correção anatômica do coração. E se isso não for possível de início, são realizadas melhorias funcionais para permitir que a criança se desenvolva de maneira normal e ativa”, explica Renato Kalil, coordenador do Núcleo de Cardiopatias Congênitas do Hospital Moinhos de Vento. Hoje, o risco de vida dessas intervenções é, em média, inferior a 4%.

Atendimento deve ser expandido

Além de ressaltar a importância da atenção à saúde do coração no pré-natal, o dia 12 de junho também é um chamado para que governos e sociedade ampliem o atendimento a esse quadro. Hoje, o sucesso dessas cirurgias depende da presença da existência de centros de alta complexidade, que ainda são poucos no país.

Das 23 mil crianças que nascem com essa condição, 65% não têm acesso ao procedimento indicado, com maior defasagem no Norte (93,5%) e Nordeste (77,4%). Já os menores números são vistos no Sul (46,4%) e Centro-Oeste (57,4%). “Temos uma dívida social com esses bebês. As intervenções podem ser feitas em qualquer idade e o avanço da tecnologia foi muito grande. Mas ainda há esse déficit a superar, o que aumenta as chances de mortalidade dos pacientes”, pontua Kalil.

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