Medicina de Família avança como modelo estratégico de cuidado contínuo em Blumenau

A Medicina de Família e Comunidade se consolida como um dos principais modelos para qualificar o cuidado em saúde em Blumenau, ao integrar prevenção, acompanhamento contínuo e coordenação do atendimento. Base de sistemas de saúde mais eficientes em diversos países, a especialidade tem impacto direto na qualidade do cuidado, na redução de internações evitáveis e na racionalização dos custos assistenciais.

Na prática, o médico de família atua como referência ao longo da vida do paciente. Diferentemente de especialidades focadas em órgãos ou doenças específicas, acompanha a trajetória de saúde de forma contínua, considerando histórico clínico, hábitos, contexto social e dinâmica familiar. Também coordena o cuidado entre diferentes profissionais e especialidades, evitando decisões desconectadas e repetição desnecessária de exames e procedimentos.

Os resultados desse modelo já aparecem em estudos nacionais e internacionais. Pesquisas publicadas em periódicos como o BMJ Open apontam que a continuidade do cuidado na atenção primária pode reduzir em até 16% as hospitalizações e em cerca de 14% os custos assistenciais. No Brasil, análises da Estratégia Saúde da Família associam a presença de médicos de família à redução de aproximadamente 12% das internações por condições sensíveis à atenção básica.

Em Blumenau, a especialidade ganha expressão na atuação do médico de família e comunidade Eduardo Trevizoli Justo, que atua no sistema público e se tornou o primeiro cooperado da especialidade na Unimed local. Atualmente, ele acompanha cerca de 3.470 pessoas adscritas à unidade de saúde, o equivalente a aproximadamente 800 famílias sob cuidado longitudinal na Atenção Primária.

A rotina inclui uma média de 370 atendimentos mensais e cerca de duas visitas domiciliares por semana, além do acompanhamento ativo de 694 pacientes hipertensos, 312 diabéticos e 11 gestantes. O trabalho envolve desde atendimentos clínicos e acompanhamento de doenças crônicas até visitas domiciliares e ações preventivas voltadas à comunidade.

Segundo o médico, uma das principais mudanças percebidas na unidade está na relação entre equipe e pacientes. “Os relatos mais frequentes são: ‘o médico escuta a gente’, ‘ele resolve’, ‘olha no olho’, ‘deixa a gente falar’. Percebe-se melhora importante no acolhimento, no vínculo e na confiança da população com a equipe. A proposta de cuidado longitudinal e centrado na pessoa aumentou a sensação de segurança e pertencimento dos pacientes na unidade”, afirma.

Outro impacto aparece na resolutividade da atenção primária. Desde a mudança para a atual unidade, foram realizados 427 atendimentos médicos, com necessidade de apenas 41 encaminhamentos para outras especialidades, uma taxa de resolutividade superior a 90% dentro da própria atenção básica.

“Além da redução quantitativa dos encaminhamentos, houve melhora na qualidade e assertividade das referências, com encaminhamentos mais bem estruturados, contendo hipóteses diagnósticas, exames prévios e critérios clínicos mais definidos”, destaca.

Além dos ganhos assistenciais, o modelo também chama atenção pelo impacto econômico. Ao reduzir internações evitáveis, exames desnecessários e atendimentos de urgência, que concentram os maiores custos do sistema, a Medicina de Família fortalece a prevenção e melhora o uso de recursos tanto na rede pública quanto na saúde suplementar.

Experiências em cidades como Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre já demonstram resultados consistentes, com redução de internações evitáveis e melhora nos indicadores de doenças crônicas a partir da consolidação da atenção primária.

Em um cenário marcado pelo envelhecimento populacional e pelo crescimento de doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, a Medicina de Família e Comunidade avança como um modelo capaz de unir eficiência, vínculo e continuidade elementos cada vez mais estratégicos para o futuro da saúde.

O que muda para o paciente

Com um médico de família como referência contínua, o paciente passa a ter seu histórico acompanhado ao longo do tempo, o que reduz erros, evita exames repetidos e melhora a precisão dos diagnósticos. Há maior controle de doenças crônicas, mais adesão aos tratamentos e menos orientações conflitantes entre especialistas. O foco na prevenção diminui internações evitáveis e a necessidade de atendimentos de urgência. Na prática, o cuidado deixa de ser episódico e passa a ser contínuo, com mais segurança, vínculo e qualidade de vida.

Redação

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