Mercado de saúde encolheu em setembro

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Em setembro de 2019, 51,2 mil pessoas realizaram o sonho de passar a contar com um plano de saúde médico hospitalar – o 3° maior desejo do brasileiro, de acordo com pesquisa do Ibope Inteligência. Apesar do crescimento ante agosto, o total de beneficiários no País diminuiu 0,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o que representa 106,4 mil vínculos rompidos de acordo com a Nota de Acompanhamento de Beneficiários, publicada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). No total, o setor soma 47,1 milhões de beneficiários.

A publicação destaca que a busca pelos planos tem variado bastante de um estado para outro. “Apesar de a maior parte dos estados brasileiros ter registrado recuo no total de vínculos com planos médico-hospitalares, há alguns centros que têm contratado planos”, comenta José Cechin, superintendente executivo do IESS. “São Paulo, por exemplo, está liderando a redução de contratos, enquanto Minas Gerais é o Estado com o maior número de novos planos”, completa.

Minas Gerais registrou 43,8 mil novos vínculos nos 12 meses encerrados em setembro deste ano. Já São Paulo teve 87,1 mil beneficiários deixando de contar com os planos que possuíam. Somando o resultado negativo do Rio de Janeiro (-7,8 mil) e o positivo do Espírito Santo (+14,7 mil), houve um total de 36,4 mil vínculos rompidos na região Sudeste.

A região que mais perdeu beneficiários, contudo, foi a Sul: 86,4 mil contratos foram desfeitos no período analisado (menos do que o total registrado em São Paulo). Diferentemente do que houve no Sudeste, todos os estados da região tiveram queda no total de vínculos. Entre eles, merece destaque o Rio Grande do Sul, com 58,4 mil beneficiários deixando os planos médico-hospitalares.

A única região que teve alta no total de vínculos foi a Centro-Oeste. O aumento de 30,5 mil contratos aconteceu quase todo em Goiás, que teve 27,1 mil vínculos firmados entre setembro de 2019 e o mesmo mês do ano passado. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul registraram 3,1 mil e 3,5 mil novos beneficiários, respectivamente. Já o Distrito Federal teve 3,2 mil beneficiários deixando seus planos de saúde.

“A retração de 0,2% no total de beneficiários no Brasil é um sintoma da falta de ritmo no processo de recuperação da economia nacional”, avalia Cechin. “Enquanto o País não iniciar um processo consistente de crescimento, especialmente com a geração de postos de trabalhos formais nos grandes centros urbanos, o mercado de saúde suplementar vai continuar apresentando resultados incipientes, sem variações expressivas nem para cima nem para baixo”, concluí.

O executivo ainda destaca que a aparente estabilidade não é boa para o setor. Especialmente porque a utilização dos serviços de saúde está avançando, ainda que o total de beneficiários não esteja. “Estamos vendo um envelhecimento da população e o aumento do uso de serviços de saúde. Um movimento que poderia ser positivo, caso o comportamento fosse motivado por programas de promoção da saúde. Infelizmente, ainda precisamos romper uma barreira cultural e colocar o paciente no centro do tratamento, ao invés da doença”, alerta.

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