Pesquisa revela que tratamento da anemia melhora qualidade de vida de pacientes com doença renal

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O que podemos fazer para melhorar a experiência e conferir mais qualidade de vida a pacientes com doença renal crônica, levando em consideração as experiências individuais?

Foi com esse questionamento em mente que um grupo de pesquisadores da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desenvolveu o estudo “Qualidade de vida relacionada à saúde física em níveis mais elevados de hemoglobina alcançados entre pacientes com doença renal crônica: uma revisão sistemática e metanálise”, publicado recentemente na revista internacional BMC Nephrology.

O objetivo do estudo foi avaliar se o tratamento da anemia em pacientes com doença renal resulta em melhorias na qualidade de vida do indivíduo, em especial quanto a seu aspecto físico. Para tanto, os pesquisadores lançaram mão de uma revisão sistemática e metanálise, que consiste em uma busca na literatura utilizando critérios pré-estabelecidos para a seleção de estudos.

Murilo Guedes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da PUCPR explica que, de forma geral, metanálises de estudos de alta qualidade são consideradas a evidência mais robusta na literatura médica. Por trás desse conceito está o princípio de que estudos individuais podem sofrer limitações, mesmo quando bem desenhados e conduzidos.

“Ao analisar sistematicamente a literatura e sumarizar os resultados por meio de um método estatístico formal, revisões sistemáticas com metanálises tendem a estimar resultados com precisão maior que estudos individuais. Em suma, dada a natureza probabilística da ciência médica, resultados cumulativos e convergentes aumentam a confiabilidade da conclusão. Esse é o poder desse método”, complementa.

Resultados – Segundo o pesquisador, entender que o tratamento da anemia pode resultar em uma melhora na qualidade de vida física, principalmente pela redução de fadiga, pode alinhar potenciais inovações no manejo da anemia na doença renal crônica com a valorização da prioridade desses indivíduos, que é a de ter uma vida melhor.

Guedes aponta que há aproximadamente 697 milhões de pessoas vivendo com doença renal crônica no mundo, sendo que o número de mortes atribuíveis por ano ao problema é de 1,2 milhão.

“Apesar de grandes restrições nas suas rotinas em decorrência, por exemplo, de substancial redução de energia (fadiga), depressão e outras incapacidades físicas, indivíduos com doença renal crônica (DRC) frequentemente não têm alternativas claras de tratamentos que resultem em melhora expressiva de sua qualidade de vida. Isso ocorre por diversas razões, tanto clínicas quanto estruturais. Um ponto em particular é o fato de que estudos clínicos randomizados tendem a mensurar desfechos que diversas vezes não representam os valores dos pacientes, que são os mais afetados pelos resultados”, diz.

O estudo conduzido pelos pesquisadores da PUCPR sugere que subgrupos específicos de pacientes, como os mais jovens e com menos comorbidades, podem ter benefícios clinicamente importantes quando expostos a um tratamento mais ativo da anemia.

“No fim, o que realmente importa é como esses indivíduos sentem a doença que lhes acomete. Trata-se de trazer valor para dentro do cuidado, no dia a dia. Entender que o tratamento da anemia pode resultar em melhora de qualidade de vida física, principalmente através da redução de fadiga, pode alinhar potenciais inovações no manejo da anemia na DRC com valorização da prioridade desses indivíduos – uma vida melhor”.

Segundo Guedes, os próximos passos será expandir o estudo com outros pesquisadores de Michigan (EUA) para avaliar o impacto da deficiência de ferro em pacientes com Doença Renal Crônica. “Identificamos que a anemia está associada a menores níveis de atividade física e piores desfechos clínicos em pacientes com DRC”, conclui.

A pesquisa completa pode ser acessada no link: bmcnephrol.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12882-020-01912-8

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