Radioterapia oferece fantasias de super-heróis e personagens às crianças em tratamento

A paciente Denise Loiola recebe fantasia da biomédica Izabela Martins Christal. Foto: Radioterapia-18

A partir de novembro, o setor de Radioterapia do complexo de saúde da Fundação Faculdade Regional de Medicina, Funfarme, de São José do Rio Preto (SP), que atende ao Hospital de Base (HB), Hospital da Criança e Maternidade (HCM) e Instituto do Câncer (ICA), traz o mundo da fantasia para dentro da ala com o intuito de fomentar a imaginação das crianças e, assim, minimizar o estresse de um tratamento hospitalar contra o câncer. A ação, chamada de “Camarim”, pois disponibiliza uma arara com diversas fantasias de personagens e super-heróis que fica à disposição da criança que passará por tratamento radioterápico. O projeto visa humanizar ainda mais o atendimento da Fundação e surgiu de uma parceria entre as equipes administrativas e técnicas da ala e da ONG paulistana DOAmor.

“As fantasias ficarão à disposição das crianças que tenham entre 3 e 18 anos, em uma arara, que chamamos de ‘Camarim’. Inclusive as crianças podem fazer sua sessão de rádio com a fantasia. Elas escolhem o personagem na primeira sessão e não precisam devolver. Fica para ela, de presente”, explica a líder do setor na Fundação, Gabriela Silva.

Todo trabalho é feito com cuidado e com a atenção totalmente voltada para a atenção com a criança. “Em consonância com as fantasias, fazemos um molde personalizado para aquelas que têm de fazer tratamento de cabeça e pescoço. O molde é feito sob medida e tem de ser usado para imobilizar a cabeça. Ou seja, se a criança escolhe a fantasia do homem de ferro, quando vamos fazer o molde para usar na máquina, por exemplo, o personalizamos como se fosse a máscara do personagem selecionado”, afirma uma das idealizadoras do projeto, a biomédica da Radioterapia Jéssica Santos.

Os cuidados com o paciente começam já no primeiro atendimento na ala. Quando ele passa pela consulta médica, os profissionais da ala já perguntam qual é o personagem preferido e se mobilizam para conseguir atender ao desejo da criança. “O comprometimento da DOAmor é tão grande que, caso já não tenhamos um personagem ou tamanho específico, basta entrarmos em contato e pedirmos à ONG, que eles buscam uma maneira de achar e enviar a fantasia aqui no complexo”, conta a biomédica.

Em média, o setor atende a duas crianças por mês. “O encaminhamento para a Radioterapia vem do médico, que avalia o estado e a necessidade deste tratamento para o paciente. Porém, independentemente da quantidade, queremos que esta criança tenha o menor impacto negativo possível. Daí, ideias como estas para humanizar ainda mais o tratamento, de maneira global; seja aqui, seja no HCM ou em qualquer outro lugar do complexo”, pontua a líder Gabriela Silva.

Uma das primeiras crianças a participar da ação é Denise de Lima Loiola, 9 anos. Ela é apaixonada pela personagem da Disney, Minnie. Ela está tratando uma anemia aplástica grave, que não é um câncer, mas também apresenta uma falência das células produzidas pela medula e precisará de um transplante do tecido. Para isso, passará por uma sessão de radioterapia, logo antes de receber a medula do irmão, que é 50% compatível com Denise.

“Eu fiquei surpresa quando me pediram para escolher uma fantasia, não esperava. Achei muito divertido. Escolhi a Minnie porque ela é divertida e fofa”, disse a paciente.

Aplasia de medula óssea ou anemia aplástica grave (AAG)

A aplasia de medula óssea ou anemia aplástica grave (AAG) é uma doença que faz com que o corpo ataque as células-tronco, que são as responsáveis pela produção de sangue. Desta maneira, não há formação adequada das células sanguíneas, havendo a substituição do tecido medular normal por tecido gorduroso. Na maior parte dos casos, o sistema de defesa que desencadeia esta alteração medular, porém também pode ser decorrente de drogas, exposição inadequada a substâncias tóxicas tais como agrotóxicos, entre outros. A incidência da doença em crianças e adolescentes é de duas por milhão de habitantes ao ano, de acordo com estudo realizado em Philadelphia, nos Estados Unidos.

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