Relato: paciente é submetido a transplante duplo no Einstein e tem recuperação surpreendente

Daniel Thalis Santos Silva, 23 anos. Foi diagnosticado com um sopro no coração quando nasceu, em Arapiraca, Alagoas, cidade onde a família morava (os sopros podem desaparecer com o tempo, ou durar a vida inteira sem necessariamente provocar outros problemas de saúde). Mudou-se para São Paulo aos 9 anos, mas passou a infância com limitações físicas importantes. Não conseguia correr ou jogar futebol, apresentando quadros de falta de ar.

Em 2018, aos 19 anos, depois de alguns desmaios, procurou por atendimento médico no pronto-socorro. Estava com a saturação em 54 (o normal é que uma pessoa com boas condições clínicas tenha saturação acima de 94). Foi internado e descobriu que seu coração e pulmão estavam com o funcionamento prejudicado, o que demandaria um transplante duplo (de ambos os órgãos) – procedimento delicado e complexo. Como o hospital no qual estava internado não realizava procedimentos deste porte, foi encaminhado ao Einstein pela regulação de pacientes da central de transplantes e entrou na fila para o procedimento. Nesse período, enquanto aguardava em casa, teve que deixar o emprego e passou a conviver com um cilindro de oxigênio.

Em 7 de março de 2022, foi chamado ao hospital, pois os órgãos para o seu transplante estavam disponíveis. O procedimento foi feito pelo projeto de transplantes do hospital em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). Esse é o primeiro transplante duplo coração-pulmão realizado via SUS pelo Einstein no qual o paciente recebe alta com boas condições clínicas e prognóstico favorável.

Antes da anestesia, fez um pedido inesperado à equipe: que todos dissessem juntos que “aquele era um bom dia para salvar vidas”. O jovem teve os dois órgãos substituídos, e acordou muitas horas antes do previsto, para surpresa da equipe médica. Daniel apresentou boa evolução e já respirava sem ajuda de aparelhos em menos de 24h da cirurgia. O paciente teve alta em menos de 15 dias.

Já em casa, o agora recém-transplantado vem ao Einstein para consultas periódicas para acompanhamento e segue um tratamento com alguns medicamentos. Algumas medicações devem ser interrompidas dentro dos próximos meses, outras acompanharão Daniel continuamente. O paciente apresentou recuperação surpreendente e os exames apontam um prognóstico positivo, resultado, também, da assistência oferecida aos pacientes, que têm consultas de rotinas agendadas no Einstein no período pós-operatório, além de todos os recursos disponíveis e do trabalho em equipe do time de cirurgia torácica e cardíaca.

Projeto de transplantes do Einstein

O Einstein é o único centro com programa de transplante cardiopulmonar ativo da América Latina. O hospital atingiu, no início de 2022, a marca de 4 mil transplantes de órgãos sólidos (rim, fígado, pâncreas, coração, pulmão, intestino e multivisceral) realizados para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o que representa 92% de todos os procedimentos realizados nas últimas duas décadas pela organização. Para cada especialidade há uma equipe médica específica. Cada uma delas é composta, em média, por 20 especialistas (médicos e enfermeiros).

O Programa Einstein de Transplantes conta ainda com especialistas médicos de outras áreas, como psiquiatras, cardiologistas, endocrinologistas, infectologistas e anestesistas e com uma equipe multiprofissional composta por assistente social, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros e fisioterapeutas especializados no cuidado de pacientes do transplante.

A maior parte dos procedimentos no SUS foi realizada por meio do Programa de Transplantes liderado pelo Einstein, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), que teve início em 2009.

Além da frente assistencial, o projeto atua na capacitação de médicos para o diagnóstico de morte encefálica e manutenção clínica de potenciais doadores; além de tutorias para criação ou aprimoramento de Centros Transplantadores no Brasil, localizados no Rio de Janeiro (pulmão), Mato Grosso do Sul, Sergipe (rim) e Pará (fígado) para cirurgiões, clínicos, infectologistas, patologistas, radiologistas e equipes multiprofissionais.

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