Telemedicina, segmentação dos planos e novos modelos de pagamento são temas de debate

Durante a pandemia de Covid-19, o mundo precisou se reinventar. Novos protocolos, tecnologias e a criação de ambientes hospitalares cada vez mais seguros estão entre os principais desafios enfrentados nesse período.

Levando em conta este novo panorama, a relação entre operadoras e prestadores também passou por grandes mudanças, em meio à suspensão de procedimentos eletivos, queda drásticas no número de atendimentos e a busca pela sustentabilidade financeira.

“A pandemia trouxe muitas dificuldades para os sistemas de saúde mundo a fora, apresentando desafios sem precedentes para prestadores e planos de saúde”, destacou Leandro Reis, vice-presidente médico da Rede D’Or São Luiz e mediador da última edição do Anahp AO VIVO, que abordou o tema “Covid-19: Como a pandemia tem transformado as relações entre prestadores e operadoras de planos de saúde”.

Trazendo para o debate a visão estratégica da saúde privada, João Alceu, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), foi um dos participantes do evento e relembrou o temor inicial do setor em relação ao confisco de leitos e um possível colapso. Ainda em sua abordagem, Alceu destacou a necessidade de novos formatos de planos de saúde. “Um dos pontos que a FenaSaúde vem defendendo é a segmentação dos planos por rol de procedimentos, visando proporcionar opções mais baratas para os consumidores. Depois de toda essa crise, ficará ainda mais inviável o pagamento de planos convencionais”, completou o presidente da federação.

Abordando o contexto regulatório de todo o cenário, Rogério Scarabel, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), pontuou as ações da agência, que desde o anúncio oficial da pandemia, em março deste ano, vem trabalhando de forma intensiva na disseminação de informações adequadas sobre o tema com a publicação de notas técnicas, resoluções e comunicados, além de abrir diálogo com os principais players do setor.

Henrique Neves, vice-presidente do Conselho Administrativo da Anahp e diretor geral do Hospital Israelita Albert Einstein, destacou a importância do trabalho em conjunto que os hospitais privados realizaram com o governo, como a busca por soluções para suprir a escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs) e de insumos hospitalares, a construção e a administração de hospitais de campanha, os leitos cedidos à rede pública e a linha de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ajudar na sustentabilidade financeira dos hospitais. “Os hospitais também conseguiram negociar com alguns planos de saúde o adiantamento dos pagamentos”, revelou.

Em meio a todas as dificuldades enfrentadas com a Covid-19, a saúde tem estampado os noticiários nacionais com outra grande preocupação: a proposta de Reforma Tributária, que pode levar o setor para a UTI e atingir diretamente a população brasileira. “Precisamos que a saúde e a educação sejam protegidas, para evitar o aumento do repasse aos pacientes”, frisou Reinaldo Scheibe, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge).

Um ponto comum entre os debatedores foi a relevância da telemedicina. “Não acredito que a telemedicina venha apenas para reduzir custos, mas para ajudar no sistema de saúde de um país grande como o nosso”, opinou Rogério Scarabel, diretor-presidente da ANS. Entre os benefícios da tecnologia destacados pelos participantes do Anahp ao Vivo estão a análise multidisciplinar para diagnóstico, a oferta de atendimento médico a regiões que não possuem rede física e um sistema de unificação de dados, que irá reduzir a realização indevida de exames repetidos e ajudar na análise da saúde dos brasileiros.

Para assistir o evento na íntegra, basta a acessar www.youtube.com/watch?v=i6jNqRA2pdM.

Redação

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