“Teremos boom de casos de oncologia nos próximos anos”, afirma superintendente médico de hospital

Danilo Abreu, superintendente médico do Hospital Dona Helena, de Joinville (SC), aborda, nesta entrevista, as perspectivas para a área da saúde, a partir da estabilização da pandemia da Covid-19. Ele descreve os principais aprendizados da gestão hospitalar e afirma que as pessoas estão procurando mais por serviços de saúde qualificados. Segundo o gestor, o Dona Helena apresentou indicadores relevantes no contexto da pandemia, como uma letalidade até três vezes menor que a média nas UTIs brasileiras – 20%, para 59%. Veja as opiniões do médico.

Cenários para a saúde

A saúde vive um momento de retomada, devido à redução do número de atendimentos médicos (consultas ambulatoriais), assim como da realização de exames diagnósticos e procedimentos em decorrência da pandemia. Em função do receio das pessoas e do isolamento social, muitos tratamentos em curso não passaram por reavaliação, assim como exames preventivos não foram feitos. Logo, pacientes com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, precisam retornar ao médico, com o intuito de avaliar como está o controle dessas patologias e revisar seu plano terapêutico, para evitar que tenham evolução da doença ou descompensação do quadro, podendo necessitar de intervenções, como internação hospitalar. Os exames preventivos como rastreio de neoplasia de intestino (colon) por colonoscopia e rastreio de câncer de mama, por mamografia, também devem ser retomados imediatamente, pois o diagnóstico tardio afeta diretamente nas possibilidades terapêuticas influenciando na chance de cura e/ou sobrevida. Acredita-se que teremos um “boom” de casos oncológicos nos anos de 2022 e 2023, devido à pandemia e a redução do número de diagnósticos nesse período.

Além dessas questões, relacionadas a patologias já existentes, teremos que lidar com as complicações pós-Covid (Covid tardia), com alguns pacientes que necessitam de cuidados a longo prazo, em termos de reabilitação para propiciar uma melhor qualidade de vida e retorno às atividades diárias e laborais. Pensando nisso, ampliamos nossa estrutura de atendimento na fisioterapia ambulatorial, assim como montamos o ambulatório pós-Covid. com especialista em medicina física e reabilitação (fisiatra), que atende de forma integrada com outros especialistas (cardiologista, pneumologista, entre outros) e terapias (fonoaudiologia, terapeuta ocupacional, nutricionista).

Aprendizados da pandemia

Os desafios foram diversos. Um dos pontos cruciais, em termos de gestão de saúde, foi manter em execução o plano de ação transdisciplinar, nos antecipando em várias frentes para garantir a eficácia no combate à Covid-19, dali em diante. Começamos a trabalhar nessa linha com a formação de um comitê de crise, já em janeiro de 2020, antes de ser tornar uma pandemia, quando a doença ainda estava restrita à China. A capacidade de antever desafios e se preparar para eles é, foi e continua sendo fundamental.

Esse período difícil para toda a sociedade causou insegurança, ansiedade e alterações relacionadas à saúde mental, ainda mais para os profissionais de saúde, que, além de ter os mesmos receios que as outras pessoas, amplificam essas preocupações devido à sua atividade profissional. Nesse cenário, tornou-se evidente a necessidade de ampliarmos nosso cuidado com a saúde dos colaboradores, implantando o programa chamado “Você de bem”, que funciona de forma pró-ativa (visitas setoriais, podendo gerar atendimento individualizado quando identificada alguma questão) e reativa (atendimento individualizado por busca do profissional), com atendimento por equipe especializada.

Outro desafio foi o treinamento e capacitação de pessoas, pois as mudanças em protocolos eram constantes. Precisávamos treinar de forma eficaz toda a equipe, de acordo com as novas evidências científicas, e acompanhando sempre a entrada de profissionais novos na instituição. Tivemos que ampliar nossos canais de treinamento e capacitação, presencial e por EAD.

Atenção à saúde

Sem dúvida, aumentou a preocupação com o acesso a serviços de qualidade. A Covid-19 é uma doença sem tratamento específico curativo, lembrando que, em pessoas com alguns fatores de risco, a gravidade pode ser maior, mas outras sem fatores de risco também podem evoluir com gravidade e até óbito, e isso leva as pessoas a se preocuparem ainda mais com a qualidade da assistência. Sendo necessário atendimento médico e/ou internação, uma equipe multidisciplinar altamente capacitada faz a diferença em termos de resultado para o paciente. Os indicadores de letalidade média por Covid em UTIs no Brasil foi de 59%, enquanto no Dona Helena a média é de 20%. E ainda, quando apresentado que em média 80% dos intubados por Covid-19 no Brasil morreram e no Dona Helena, foram 27%, sem dúvidas esses números evidenciam o porquê da procura das pessoas por serviços de excelência.

Alternativas para o acesso

A maioria das pessoas atendidas no Dona Helena tem plano de saúde ou usa os serviços de modo particular. Mas, dentro de nossa missão de proporcionar assistência de qualidade a mais pessoas, desenvolvemos o Clube + Saúde Dona Helena, que busca garantir o acesso da população a alguns serviços do Dona Helena. Esse programa foi customizado para pessoas que não têm plano de saúde ou que têm, mas sem acesso ao Dona Helena, para que possam usufruir de consultas, exames e terapias a preços mais acessíveis, com descontos consideráveis em relação ao valor particular. Dessa forma, o cliente do Clube pode ter acesso a médicos especialistas, recursos diagnósticos (como ressonância magnética, tomografia computadorizada, mamografia) e terapias (psicologia, fisioterapia, nutrição), entre vários outros.

Redação

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