Um terço dos brasileiros desconhece importância do diagnóstico precoce de câncer de cabeça e pescoço

Com o objetivo de entender o nível de conhecimento dos brasileiros sobre o câncer de cabeça e pescoço e contribuir para diminuir a desinformação sobre os diferentes tipos de tumores que acometem os órgãos desta localidade, o Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP), aplicou questionário que foi respondido por homens e mulheres, a partir de 18 anos, das cinco regiões do país. A pesquisa é alusiva ao ‘Julho Verde’, mês de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço.

O questionário online, aplicado junto a uma amostra de conveniência, contou com a adesão de 281 participantes. A pesquisa mostra que pouco mais da metade (57,1%) dos entrevistados costumam passar por consulta semestral ou anual para prevenção ou diagnóstico precoce de doenças. Porém, mais de um terço (36,6%) discordam ou não sabem que é maior o sucesso do tratamento de tumores de cabeça e pescoço quando a doença é descoberta no início e 23% dos entrevistados negligenciaram os cuidados com a saúde durante a pandemia da Covid-19.

“Essas informações são um ponto de alerta importante, pois 70% a 80% dos casos no país são diagnosticados já em fase avançada da doença, o que torna o tratamento mais agressivo, mutilador e com mais sequelas, o que dificulta a reabilitação e reduz exponencialmente a chance de cura”, ressalta a oncologista clínica Aline Lauda Chaves, presidente do GBCP.

Segundo a especialista, outros dados preocupantes são que 9 entre 10 participantes têm mais de 34 anos e os homens representaram apenas 8,1% da amostra. “Sabemos que jovens estão mais presentes na internet, mas isso não se refletiu na adesão ao questionário. O baixo interesse pelo tema de pessoas entre 18 e 34 anos e o fato de os homens serem tão pouco impactados, mostra que são gargalos que devemos trabalhar na comunicação das campanhas do Julho Verde”, ressalta Aline Chaves.

Entre as boas notícias trazidas na pesquisa estão o fato de a maioria da população saber que os principais fatores de risco são o etilismo, infecção pelo vírus HPV e o tabagismo (inclusive o ato de fumar “sem tragar” e em qualquer forma de consumo de tabaco, como narguilé, charuto e cachimbo). A maioria (59%) sabe que o câncer de tireoide é mais comum entre as mulheres.

PERFIL DOS ENTREVISTADOS

Entre os 281 participantes, mais da metade (50,4%) são da região Sudeste, seguida por Sul (26,7%), Centro-Oeste e Nordeste (ambas 9,3%) e Norte (4,3%). O perfil demográfico aponta também que 87,5% são mulheres e 64,7% conhecem um familiar, um amigo/conhecido ou é a própria pessoa que teve algum tipo de câncer de cabeça e pescoço. Apenas 5 entrevistados (1,8%) afirmaram nunca terem ouvido falar sobre a doença.

Mais da metade (51,9%) dos entrevistados têm o ensino superior completo (graduação ou algum nível de pós-graduação). Sobre o modelo de assistência ao qual eles marcaram consultas nos últimos doze meses, a maioria acessou pela Saúde Suplementar (58,4%). Os usuários do SUS representam 35,9% e 5,7% afirmaram que não foram ao médico no último ano por não achar necessário.

SENTIMENTOS DIANTE DA DOENÇA

A pesquisa mostrou que os entrevistados têm baixa expectativa em relação ao sucesso do enfrentamento da doença. Quando perguntados sobre, independentemente do tipo de câncer de cabeça e pescoço, qual era a primeira palavra que vinha em mente, apenas 18 (6,4%) dos entrevistados optaram por palavras de otimismo (Fé e Vitória). Sofrimento (29,9%), Medo (28,8%) e Morte (15,3%) foram as palavras mais lembradas.

“Outra questão importante que observamos é que o medo de ficar com sequelas funcionais, que dificultam a fala, visão e alimentação, são preocupações muito frequentes, atrás apenas do medo de morrer pela doença”, identifica a presidente do GBCP e responsável técnica pelo questionário.

As respostas, tabuladas integralmente abaixo, incluem a percepção da população sobre os principais mitos e verdades sobre câncer de tireoide, cavidade oral, laringe e faringe.

RESULTADOS COMPLETOS

IDADE  
8 – 24 6 (2,1%)  
25 – 34 17 (6,0%)  
25 – 44 52 (18,5%)  
45 – 54 63 (22,4%)  
55 – 64 97 (34,5%)  
65 – 74 44 (15,7%)  
75 ou +  2 (0,7%)  

SEXO

 

 
Feminino 246 (87,5%)
Masculino 35 (12,5%)

QUAL É O SEU GRAU DE ESCOLARIDADE?
Ensino fundamental completo ou incompleto 26 (9,3%)
Ensino médio completo ou incompleto 81 (28,8%)
Ensino superior incompleto 28 (10%)
Ensino superior completo 83 (29,5%)
Pós-graduação, mestrado ou doutorado completo 63 (22,4%)
 

RESIDE EM QUAL REGIÃO DO PAÍS

 
Norte 12 (4,3%)  
Nordeste 26 (9,3%)  
Centro-Oeste 26 (9,3%)  
Sudeste 142 (50,4%)  
Sul 75 (26,7%)  
 

VOCÊ CONHECE ALGUÉM QUE TEM OU TEVE ALGUM

 TIPO DE CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO

 

 
Sim, um familiar 74 (26,3%)  
Sim, um amigo/conhecido 97 (34,5%)  
Sim, eu tenho a doença 11 (3,9%)  
Não conheço ninguém 94 (33,5%)  
Nunca tinha ouvido falar sobre esse tipo de câncer 5 (1,8%)  

QUANDO VOCÊ PENSA SOBRE CÂNCER (INDEPENDENTEMENTE DO TIPO),
QUAL É A PRIMEIRA PALAVRA QUE SURGE EM SUA MENTE

 

Medo 81 (28,8%)
Morte 43 (15,3%)
Sofrimento 84 (29,9%)
Tratamento 52 (18,5%)
13 (4,6%)
Vitória 5 (1,8%)
Nenhuma das anteriores 3 (1,1%)

EM RELAÇÃO À RESPOSTA ANTERIOR, QUAL É O MOTIVO DE MAIOR PREOCUPAÇÃO?

 

Medo de morrer pela doença 117 (41,6%)
Contar para minha família 13 (4,6%)
Ficar com sequelas funcionais (alimentação, fala, visão, etc) 92 (32,7%)
Medo do tratamento 49 (17,4%)
Alteração da aparência resultante da cirurgia para retirar o tumor 8 (2,8%)
O que as pessoas irão pensar 2 (0,7%)
Perder o emprego 0 (0%)
 

VOCÊ VAI AO MÉDICO PARA REALIZAR EXAMES QUE POSSAM
PREVENIR/DIAGNOSTICAR DOENÇAS? COM QUAL PERIODICIDADE?

 

Sim, uma vez por ano 118 (42%)
Sim, a cada seis meses 42 (14,9%)
Sim, eventualmente 33 (11,7%)
Apenas quando tenho algum sintoma 81 (28,8%)
Nunca fui. Não acho necessário 7 (2,5%)
 

ATUALMENTE, VOCÊ MARCA CONSULTA POR QUAL MODELO DE ASSISTÊNCIA?

 

Saúde Suplementar (particular ou convênio/plano privado) 164 (58,4%)
Sistema Único de Saúde (SUS) 101 (35,9%)
Não fui ao médico no último ano 16 (5,7%)

PARA VOCÊ, QUAL É O ESPECIALISTA MÉDICO QUE
PODE TRATAR O CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO?

 

Cirurgião de cabeça e pescoço/oncologista 233 (82,9%)
Cirurgião oncológico /oncologista 6 (2,1%)
Clínico geral 2 (0,7%)
Cirurgião-dentista 1 (0.4%)
Neurologista 9 (3,2%)
Estomatologista 2 (0,7%)
Todos os anteriores 17 (6%)
Não sei 11 (3,9%)
 

SOBRE OS CUIDADOS COM A SAÚDE DURANTE A PANDEMIA
DE COVID-19, COM QUAIS ALTERNATIVAS VOCÊ CONCORDA?

O câncer não surge inesperadamente e posso
esperar a pandemia passar para voltar à rotina de exames
20 (7,1%)
Todos que apresentam sintomas devem,
independentemente da pandemia, procurar um médico
104 (37%)
O tempo não para. O câncer também não. Devo
manter a rotina de exames preventivos
 

112 (39,9%)

Só deve ir ao médico durante a pandemia quem já
tem um diagnóstico de câncer e está em tratamento
23 8 (8,2%)
Eu já não ia muito e agora continuo não indo 22 (7,8%)
 

SOBRE TODOS OS TIPOS DE CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO (BOCA, FARINGE, GLÂNDULAS SALIVARES, LARINGE, SEIOS DA FACE E TIREOIDE), CLASSIFIQUE AS INFORMAÇÕES A SEGUIR ENTRE VERDADEIRO OU FALSO:

 

  Falso Verdadeiro Não sei
Consumo excessivo de carne vermelha, principalmente preparadas na churrasqueira a carvão, aumenta o risco de câncer de boca.

 

105 127 49
O câncer de tireoide é uma doença exclusiva do público masculino. Mulheres estão protegidas por seus hormônios. 257

 

14

 

10

 

 

Perda de peso é sintoma de todos os tipos de câncer de cabeça e pescoço.

 

141

 

88

 

52

 

A boca deve ser higienizada corretamente, pois, de acordo com algumas pesquisas, a gengivite crônica pode acumular bactérias com potencial carcinogênico.

 

51

 

202

 

28

 

Dor de ouvido recorrente é sintoma de câncer de faringe 143 51

 

87
 

Tontura pode ser sintoma de câncer de cabeça e pescoço

 

89 124 68
 

Presença de lesões na boca, que não apresentam dor, podem ser ignoradas. Quando a lesão é câncer, sempre apresenta dor.

218 47 16
 

Dificuldade de engolir pode ser sintoma
de câncer de faringe.

 

48 203 30
 

A prática de sexo oral, sem proteção aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de boca, devido a infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

 

37 210 34
 

O câncer de laringe é mais frequente entre pessoas de raça negra do que em brancos, asiáticos e latinos.

156 31 94
 

Muitos dos canceres de cabeça e pescoço, na fase inicial da doença, evoluem sem apresentar sintomas

 

41 202 38
 

Consumo excessivo de bebidas quentes pode aumentar o risco de câncer de boca

 

99 136 46
 

CONSIDERANDO AS AFIRMAÇÕES ABAIXO SOBRE OS TIPOS DE CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO – (BOCA, FARINGE, GLÂNDULAS SALIVARES, LARINGE, SEIOS DA FACE E TIREOIDE), VOCÊ CONCORDA OU DISCORDA DOS ENUNCIADOS?

 

  Concordo Discordo Não sei
Os sintomas típicos dos tumores de cabeça e pescoço incluem aparecimento de nódulos, feridas que não cicatrizam, dor de garganta que não melhora, dificuldade para engolir e alteração ou rouquidão na voz. 252 17 12
Fumar e não tragar, diminui o risco de ter câncer de cabeça e pescoço 26 234 21
Alimentação saudável e equilibrada, com menos consumo de carne vermelha, alimentos salgados e em conserva e rica em legumes e vegetais, é uma forte aliada no combate ao câncer de cabeça e pescoço 234 31 16
Consumo de álcool e tabagismo não têm qualquer relação com aumento de risco para os vários tipos de câncer de cabeça e pescoço. 72 197 12
Os derivados do tabaco, como cigarro de palha, cachimbo, narguilé e charuto trazem o risco aumentado para desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço? 229 41 11
O especialista que trata o câncer de cabeça e pescoço é o médico neurologista. 53 197 31
Câncer de tireoide é mais comum nas mulheres que nos homens. 165 90 26
A queda do número de fumantes, considerando que o tabagismo é um dos principais fatores de risco do câncer de cabeça e pescoço, diminuiu os casos da doença. 169 77 35
A má higiene bucal e ausência de dentes podem ser fatores de risco para o câncer de boca. 209 50 22
A infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), aliado a prática de sexo oral sem proteção, é um fator de risco para alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço, particularmente para o câncer de boca e orofaringe, que envolve as amígdalas e base da língua. 228 35 18
A vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), disponível no sistema público de saúde, pode prevenir a infecção contra o HPV de alto risco e evitar o câncer de garganta (orofaringe)? 205 47 29
O resultado do tratamento de câncer e cabeça e pescoço é o mesmo, independentemente do estágio em que a doença é descoberta 75 178 28

 

EM SUA OPINIÃO, QUAIS SÃO OS FATORES QUE PODEM AUMENTAR O RISCO PARA CADA TIPO DE CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO OU QUE NÃO CONSTITUEM FATOR DE RISCO? VOCÊ PODE ASSINALAR MAIS DE UM TIPO DE CÂNCER.

 

Infecção pelo vírus HPV aliado a prática de sexo sem proteção
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
23 218 91 57 18

 

Consumo excessivo de alimentos salgados e em conserva
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
105 107 92 39 48

 

Uso de próteses dentárias
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
18 177 13 6 86

 

Uso de enxaguante bucal
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
30 123 31 10 119

 

Consumir em excesso bebidas quentes
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
35 150 100 67 52
Má higiene bucal
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
31 226 62 49 14

 

Consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabagismo
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
83 198 153 103 14
Refluxo gastroesofágico
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
51 107 130 86 33

 

Alimentação rica em verduras.
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
68 53 24 7 147

 

Consumo de frutas cítricas (laranja, limão, abacaxi etc.)
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
55 64 38 11 139

 

Consumir alimentos preparados em forno micro-ondas.
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
77 87 56 28 109

 

Exposição a materiais radioativos, sem proteção
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
179 138 109 83 14

 

Longas e intensas exposições ao pó de madeira e determinados
produtos químicos utilizados na metalurgia, produção de petróleo
e plásticos e indústrias têxteis, além do amianto.
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
121 127 137 93 18

 

Desequilíbrio dos hormônios da tireoide
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
206 39 28 18 20

 

Herança familiar e mutações genéticas
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
193 142 121 87 17

 

Trauma na região de cabeça e pescoço devido a qualquer acidente
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe Não é fator de risco
99 65 76 32 94

 

RELACIONE OS SINAIS E SINTOMAS A CADA TIPO DE CÂNCER. VOCÊ PODE MARCAR MAIS DE UMA ALTERNATIVA

 

Nódulo, caroço ou inchaço no pescoço
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
234 81 120 77

 

 

Ferida na garganta que não cicatriza
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
34 160 138 84

 

Dor ou dificuldade para engolir
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
73 132 180 113

 

Mancha branca ou vermelha nas gengivas, língua,
amígdalas ou mucosa da boca.
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
23 235 80 41

 

Caroço ou inchaço na bochecha ou boca
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
27 230 58 32

 

Tosse persistente
66 83 186 111

 

Engasgos com alimentos
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
77 98 173 105

 

Rouquidão, tosse persistente ou outras
alterações na voz que não desaparecem
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
88 85 186 104

 

Perda de peso
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
188 141 118 86

 

Dificuldade para mastigar ou engolir
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
68 184 163 83

 

Zumbido no ouvido ou dor de ouvido
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
76 99 134 84

 

Mau hálito persistente
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
30 223 100 59

 

Dor ou fraqueza no rosto
Tireoide Cavidade oral Laringe Faringe
67 179 107 60

 

INFOGRÁFICO COM INFORMAÇÕES SOBRE CANCER DE CABEÇA E PESCOÇO

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