Vera Cruz Hospital utiliza fios-guia em cirurgia coronariana

O Vera Cruz Hospital, de Campinas (SP), realizou, no último dia 25 de outubro, intervenções coronárias de alta complexidade em dois pacientes na faixa dos 50 anos de idade para tratar artérias coronárias totalmente obstruídas. A instituição é considerada centro de referência no Brasil e no interior do estado de São Paulo no tratamento desse tipo de doença, conhecida como CTO (Oclusão Total Crônica), cujo procedimento demanda a utilização de fios-guia e stents específicos em uma sala de hemodinâmica.

A chamada “angioplastia de oclusão crônica” reestabelece o fluxo normal da artéria. Nos procedimentos, o material utilizado foi cedido pela Abbott (empresa especialista em dispositivos coronários e métodos de imagem e fisiologia intravascular), que acaba de lançar uma nova linha de fios-guia para o tratamento específico deste tipo de lesão. As cirurgias, bem-sucedidas, contaram com uma equipe multidisciplinar para proporcionar mais segurança aos pacientes. Cada cirurgia teve ao menos três horas de duração e ambos os pacientes já receberam alta.

“Os dois eram portadores de oclusão crônica com isquemia, má oxigenação do músculo cardíaco, e os respectivos cateterismos mostravam as oclusões por mais de três meses. As regiões do coração irrigadas pelas artérias estavam entupidas e não estavam sendo oxigenadas corretamente”, conta o cardiologista e coordenador da Hemodinâmica do Vera Cruz Hospital, Silvio Gioppato. “Ficamos honrados em ser o primeiro hospital do interior de São Paulo a avaliar o desempenho dos fios dedicados à oclusão crônica. Essa nova geração dos materiais traz ganho de qualidade, aumento de segurança e assertividade na condução da cirurgia”, celebra.

O médico explica que combinar força com a capacidade de penetração do fio-guia para romper as oclusões sem perfurar os vasos é um desafio. “Temos de vencer um longo trajeto de oclusão de um vaso que está totalmente obstruído. Os fios-guia que utilizamos, apesar de bem finos, são estruturas metálicas que precisam navegar dentro de vasos que têm paredes muito delicadas. Por isso, é necessário ter muita sutileza e precisão nos movimentos”, detalha.

“Esse procedimento para tratar as lesões de CTO representa uma nova fronteira para a cardiologia intervencionista que, devido ao crescente envelhecimento da população, é uma realidade bastante consolidada em países asiáticos e europeus. No Brasil, a técnica, apesar de nascente, ganha robustez em alguns centros. Casos assim exigiriam cirurgias de ponte de safena a céu aberto, e uma cirurgia cardíaca para tratar uma artéria nem sempre é indicada”, conclui.

Doenças isquêmicas x cuidados

Segundo pesquisa do GBD (Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study) publicada no The Lancet, patologias isquêmicas do coração foram a principal causa de morte no mundo em 2019. No Brasil, foram 171 mil vidas perdidas, superando doenças cerebrovasculares (como o AVC, por exemplo) e infecções respiratórias inferiores, como bronquite, gripe e bronquiolite.

A condição, por muitas vezes silenciosa, pode ser detectada por meio de um check-up anual. De acordo com Gioppato, hábitos saudáveis são fundamentais para a prevenção e tratamento dessas doenças. “Alguns fatores podem colaborar para a manifestação da isquemia, como hábitos pouco saudáveis, histórico familiar, estresse, sedentarismo, tabagismo, obesidade, pressão alta e uso de álcool em excesso, por exemplo”, conclui.

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