15% dos pacientes de oncologia do São Vicente têm tumores relacionados a cabeça e pescoço

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Atualmente, 602 pacientes são atendidos pelo setor de oncologia do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), em Jundiaí (SP). De acordo com o médico oncologista Arthur Maia Filho, em torno de 15% dos casos têm relação com tumores de cabeça e pescoço. Ou seja, dos pacientes do HSV, cerca de 90 pacientes realizam sessões de radioterapia ou quimioterapia no intuito de cuidar de cânceres que acometem o seio da face, a boca, laringe, nasofaringe, orofaringe ou hipofaringe.

“Os principais sintomas desses cânceres costumam ser disfagia – dificuldade para engolir, seguida de rouquidão e por último dor, que geralmente é relacionada ao órgão acometido pela doença”, explica o médico. Por isso, é fundamental que se esteja sempre atento aos sintomas, especialmente no caso da pessoa ser tabagista.

“Os sintomas dessas doenças aparecem paulatinamente e as pessoas costumam ir levando. No entanto, as chances de sucesso de cura de pacientes em estágio inicial desses tumores, chegam a 80%, dependendo do órgão, por meio de sessões de radioterapia. Os casos em estágios mais avançados podem exigir cirurgias extensas e a combinação de sessões de radioterapia e quimioterapia, com chances de 50% de cura, porém, com sequelas para toda a vida”, explica.

Num último estágio estão os casos metastáticos, que acometem mais de um órgão. “Esses são os casos mais difíceis, uma vez que não se têm chances de cura e o foco terapêutico é embasado em estender ao máximo o tempo de vida do paciente prezando sua qualidade de vida”, diz.

O diagnóstico dos tumores de cabeça e pescoço envolve uma equipe multidisciplinar. Se o problema for na cavidade oral, é necessário que o odontologista esteja atento para essa avaliação. Se for na cavidade nasal ou laringe, por exemplo, o otorrinolaringologista é que fará a avaliação inicial. Cada especialista precisa estar muito atento para identificar sinais dos tumores em sua fase inicial, que culminará no acompanhamento de um oncologista. “O diagnóstico efetivo vem com a biopsia e outros exames capazes de identificar o local exato e a extensão do problema”, explica o médico. O tratamento varia de pessoa para pessoa, órgão acometido e estágio da doença.

Fatores de risco

O médico explica que em torno de 50% dos casos de tumores de cabeça e pescoço estão relacionados ao tabagismo. “Cigarros e especialmente os falsificados, narguilé e o picadão, que era do tempo dos nossos avós e que agora tem voltado como moda entre os mais jovens, representam um grande risco”, conta. “Em termos de comparação se uma pessoa passar uma hora consumindo narguilé é o equivalente a dez cigarros. Já o picadão, não tem controle nenhum das substâncias do tabaco, além de ser embrulhado na palha e não ter filtro”, descreve.

O consumo de bebidas alcoólicas também é um hábito a ser evitado quando o assunto é prevenção.

Os bons hábitos para evitar o câncer de cabeça e pescoço devem incluir alimentação saudável, higiene bucal, sexo seguro com preservativo (inclusive oral), atividade física e proteção do sol.

Data

O Julho Verde é uma campanha que conta com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da União Internacional para o Controle do Câncer para aumentar o conhecimento e promover educação e treinamento no diagnóstico, tratamento, resultados e pesquisa sobre o câncer de cabeça e pescoço.

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