70% dos pacientes com câncer não foram operados na pandemia

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O principal pilar do tratamento oncológico é a cirurgia. Em algum momento, ao menos 70% dos pacientes diagnosticados com câncer passará por um procedimento cirúrgico. Com a pandemia de Covid-19 houve uma queda de 70% no diagnóstico de pacientes com câncer, principalmente durante os três primeiros meses, entre março e maio. Com isso, uma parcela significativa dos pacientes perdeu a oportunidade de descobrir precocemente a doença e os casos, mais avançados, demandam cirurgias mais extensas e seguras.

Com a proposta de reduzir o medo do tratamento do câncer por meio da disseminação de informações científicas atualizadas neste cenário de pandemia, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) anuncia a realização da terceira edição da Ação Nacional de Combate ao Câncer (AACC), que este ano traz o tema “Por uma Cirurgia Oncológica Segura”.

VIDEO OFICIAL DA CAMPANHA AQUI 

A campanha, que este ano será 100% on-line, de 23 a 27 de novembro, reúne informações em ancc2020.com.br sobre principais tipos de câncer, diagnóstico, tratamento, reabilitação, impactos da pandemia, papel da cirurgia oncológica segura, como ser um apoiador e a lista de todos os serviços de referência em Oncologia no Brasil.

Na impossibilidade de promover encontros e alinhavar grupos de debates presenciais sobre o tema da ação, a ANCC 2020, além do site, contará com movimentos de sensibilização e engajamento nas redes sociais e em lives no canal do YouTube da SBCO, incluindo uma especial no dia 27 (Dia Nacional de Combate ao Câncer), que enfatizará a importância de manter e buscar tratamento de câncer, além de abrir um debate sobre como os pacientes oncológicos, familiares e equipes de atendimento podem realizar cirurgias mais seguras. Um evento voltado para o público leigo, imprensa e opinião pública. “Mesmo de forma virtual, a ANCC conseguirá seu principal objetivo, que é fazer chegar ao maior volume possível de pessoas a informação correta sobre como realizar uma cirurgia oncológica segura e eficaz”, acredita o cirurgião oncológico e presidente da ANCC 2020, Bruno Sarmento.

De acordo com o cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Alexandre Ferreira Oliveira, a importância da ANCC está em poder direcionar a informação àqueles que mais precisam saber sobre o câncer e suas formas de tratamento: o paciente e suas famílias. “Muitas pessoas pararam de fazer o acompanhamento logo no início da pandemia porque não sabíamos efetivamente o nível de transmissibilidade do novo Coronavírus, então os pacientes deixaram de ir ao médico com medo da contaminação. Claro, de forma correta. Felizmente, o panorama está mudando, com os pacientes retomando os cuidados com a saúde. Porém, muitos seguem com medo e nossa missão é sensibilizar a população da necessidade em buscar tratamentos de cânceres mesmo durante a pandemia”, ressalta.

Diante do câncer em tempos de Covid-19, quais são as atuações recomendações da SBCO?

Considerando a perspectiva de que a pandemia não vai passar agora e a vacina provavelmente não vai chegar este ano, a população tem de se adaptar aos novos tempos. O Coronavírus, observa Alexandre Ferreira Oliveira, é algo que o paciente oncológico pode vir a ter, mas o câncer está acontecendo agora na vida dele. “É necessário voltar aos exames de rotina, mas claro, sem deixar de seguir todas as recomendações que já conhecemos, como utilização de máscara e álcool gel, além de evitar aglomerações, principalmente em hospitais”, destaca.

A definição dos pacientes que devem realizar rastreamento pré-operatório para infecção por Covid-19 não é tarefa simples, explica o especialista. Devido à grande limitação no conhecimento sobre o desenvolvimento da epidemia, em especial no Brasil, a SBCO ressalta que se faz necessário, acima de tudo, o uso de bom senso. O American College of Surgeon (ACS) sugere que localmente sejam desenvolvidas políticas de testagem para pacientes. Segundo o ACS, o uso de RT-PCR pode ser considerado para todos os pacientes com planejamento de cirurgia ou em pacientes selecionados após o rastreamento, com ou sem quarentena pré-operatória.

Em tempos de Covid-19, as cirurgias de risco para contaminação são aqueles procedimentos em que a equipe cirúrgica está exposta, principalmente, a secreções respiratórias, dentre elas, cirurgias de cabeça e pescoço, acessos vasculares centrais e cirurgias torácicas. Nessas cirurgias, a cautela adicional no rastreamento das equipes está relacionada à proteção das equipes. Outros procedimentos podem ser enquadrados nesses casos, a critério dos hospitais e suas equipes cirúrgicas.

A triagem clínica consiste na avaliação realizada antes da internação do paciente para a cirurgia, seguindo as recomendações do capítulo “Mantendo das vias livres de Covid”. O isolamento social deve ser estimulado quando possível. Pacientes candidatos à cirurgia oncológica devem ser orientados a permanecer em isolamento social por pelo menos catorze dias antes da cirurgia. Deve-se reforçar que, caso tenha contato com paciente suspeito ou confirmado de Covid, precisa comunicar imediatamente ao hospital e aguardar completar as duas semanas para realização da cirurgia. A SBCO sugere que os pacientes sejam submetidos ao RT-PCR para Covid-19 até 48 horas antes de cirurgia. O uso de pesquisa de anticorpos tipo IgM é controverso, assim como a realização de hemograma e outros exames sorológicos.

Para a população em geral, a SBCO traz dicas sobre como prevenir o câncer:

– Não fumar
– Manter uma alimentação saudável
– Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas
– Evitar comer carne processada
– Manter o peso adequado
– Amamentar
– Vacinar conta HPV e hepatite B
– Evitar a exposição solar sem proteção

POR UMA CIRURGIA ONCOLÓGICA SEGURA

Esta jornada começa com um diagnóstico correto, a avaliação precisa da extensão da doença, a manutenção de uma boa condição clínica e nutricional, interrupção do tabagismo, discussão da melhor sequência de tratamento e suas combinações, a escolha da equipe responsável pela condução nestas etapas, anestesia, internação, até chegar à fase de reabilitação.

A prevenção de eventos adversos é um pré-requisito da segurança do paciente. A falta de conhecimento pode gerar insegurança, medo e até falhas nessas etapas. Informar sobre as recomendações técnicas é necessário para ajudar a pessoa portadora de câncer, ou seu ente querido, a enfrentar barreiras de acesso, vencer obstáculos culturais e transitar entre as etapas do tratamento da forma mais segura possível e no tempo correto.

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