Durante a tarde de quarta-feira, 16 de setembro, a programação do Healthcare Innovation Show 2026 (HIS), maior e principal encontro de tecnologia e inovação em saúde da América Latina, trouxe conteúdos que destacaram o impacto de ferramentas de inteligência artificial na rotina médica, o papel da liderança de TI na saúde exponencial, o avanço das terapias com medicamentos análogos de GLP-1 e as fronteiras éticas e regulatórias da telemedicina e da telecirurgia robótica.
Um ponto muito discutido foi que a reconstrução da experiência do usuário e do profissional passa diretamente pela eliminação de gargalos burocráticos e pela modernização das estruturas hospitalares. A adoção de novas tecnologias tem permitido otimizar fluxos administrativos, liberar tempo da equipe para a assistência direta ao paciente e elevar a precisão dos registros clínicos, gerando impactos positivos na gestão financeira e operacional das instituições.
A diretora do portfólio de Saúde da Informa Markets, Juliana Vicente, reforçou o papel da tecnologia no alinhamento entre a gestão e o cuidado humanizado. “A evolução da tecnologia no setor da saúde deixou de ser uma promessa futura para se tornar um pilar indispensável do presente. Quando analisamos o impacto real das soluções digitais nos hospitais e redes de atendimento, percebemos que o foco está na eficiência da gestão e na melhoria direta da experiência do paciente. Trazer esses temas para o HIS 2026 demonstra a atualidade do nosso ecossistema e reforça a urgência de debates que gerem resultados concretos e sustentáveis para o mercado”, afirmou.
Ganho em tempo e qualidade
Um dos destaques do período foi a apresentação do case ‘Do centro cirúrgico ao prontuário em minutos: como a IA está devolvendo tempo ao médico e eficiência ao hospital’, no palco ‘Acesso e Escala’. Rogério Pecchini, superintendente da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, detalhou a estruturação do projeto Lya Centro Cirúrgico, tecnologia desenvolvida em parceria com a CTC Tech / Lya Health que converte a narração em áudio do cirurgião em prontuários estruturados.
A solução reduziu o tempo de documentação clínica em até 80%, finalizou relatórios cirúrgicos com transcrição em cerca de três minutos e devolveu aproximadamente 140 minutos diários à rotina dos profissionais de saúde. A iniciativa já apoiou mais de 600 cirurgias na instituição.
“Há um impacto assistencial nesta iniciativa, pois promove a otimização da carga do médico, maior precisão e segurança assistencial com a melhoria do registro. Com isso, temos redução de falhas, controle dos instrumentos cirúrgicos usados em salas de operação e, consequentemente, ganho em receita. Para a implementação, houve uma revisão em fluxos de trabalho, que nos possibilitou corrigir falhas em fluxos e processos”, destacou o executivo.
A gestão estratégica de dados e infraestrutura abriu os debates do palco ‘Governança e Inteligência Digital (BY ABCIS)’ com a palestra ‘O Papel do CIO na Saúde Exponencial’. Alex Vieira, superintendente de TI, Inovação e Transformação Digital do HCor e presidente da ABCIS, abordou como a liderança de tecnologia conecta governança, dados e softwares para otimizar custos e aprimorar a experiência do paciente.
“A saúde exponencial exige um CIO estratégico. O foco deixa de ser apenas gerir a infraestrutura de TI para conectar inovação, governança e dados em favor de jornadas mais simples. Quando aprimoramos os softwares de atendimento e a gestão, entregamos mais agilidade, praticidade e eficiência para o paciente. Isso reduz o custo operacional e garante decisões mais inteligentes em toda a cadeia de saúde”, apontou Vieira.
Impactos das canetas emagrecedoras
Paralelamente, no palco ‘Acesso e Escala’, especialistas debateram durante o painel ‘Da patente à prevenção: os efeitos econômicos dos GLP-1 sobre hospitais, operadoras e indústria’, que visa ressaltar os impactos e desafios das conhecidas canetas emagrecedoras no sistema de saúde público e privado.
O debate teve como moderador Stephen Stefani, professor de economia da saúde. Entre os palestrantes estavam Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Paulo Prado, diretor de rede sênior da Amil Saúde.
Dr. Ricardo ressaltou a necessidade de transição no modelo de avaliação dessas terapias. “Analisar apenas o custo da medicação sem olhar o desfecho longitudinal é um erro estratégico. O uso contínuo e sem adesão adequada por anos pode custar mais do que uma intervenção cirúrgica definitiva. A sustentabilidade financeira virá da escolha correta do tratamento para o perfil correto de paciente”, explicou o médico.
Ainda no âmbito da ampliação do acesso, o palco recebeu a apresentação do case ‘Telemedicina no campo: ampliando o acesso à saúde em regiões remotas’, conduzido pelo Dr. Carlos Pedrotti, gerente médico do Centro de Telemedicina do Hospital Israelita Albert Einstein.
O projeto, realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), estruturou uma estratégia mista para levar atendimento médico à população rural e ultrapassar barreiras de conectividade em regiões isoladas. A iniciativa já alcançou a marca de 50 mil pessoas atendidas mensalmente.
“Ir além da tela é compreender as barreiras locais. Na região Norte e em áreas rurais remotas, a falta de conexão estável, mesmo via satélite, exige uma estratégia mista. A parceria com o Senar permitiu entender a realidade das famílias no campo e criar um modelo de cuidado contínuo que une o suporte digital ao acompanhamento presencial”, afirmou Pedrotti.
Inovações da telecirurgia
A evolução das intervenções à distância e da telecirurgia robótica também fez parte das discussões. Rafael Coelho, urologista e referência internacional em cirurgia robótica do Hospital Nove de Julho, foi o responsável pela realização da primeira telecirurgia entre São Paulo e Porto Alegre, conduzida dentro de rigorosos preceitos de segurança, com conexão redundante, tempo de latência inferior a 30 milissegundos e equipe local capacitada para assumir o procedimento.
Em sua palestra, o especialista reforçou a urgência de definir parâmetros normativos para que a prática se consolide de forma ética e segura na rotina clínica do país. “Para tornar isso viável na prática clínica diária, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e as sociedades médicas precisam normatizar o procedimento, garantindo o controle e a segurança dos pacientes”, comentou.
A programação completa pode ser consultada no portal do HIS 2026.
HIS 2026 – Healthcare Innovation Show
Data: 16 e 17 de setembro de 2026, das 9h às 18h
Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, Vila Água Funda, São Paulo, Brasil)
Inscrição: his.saudebusiness.com/quero-visitar/ingressos
Programação: his.saudebusiness.com
HIS – Healthcare Innovation Show
O HIS – Healthcare Innovation Show é o maior e principal evento de tecnologia e inovação na saúde da América Latina. Desde 2014, o encontro proporciona todos os anos uma verdadeira imersão focada em inovação, tecnologia, empreendedorismo e negócios para o setor de saúde. O evento conta com palcos para a apresentação de painéis de debate, cases de sucesso e a demonstração de soluções. Paralelamente, uma feira de negócios apresenta o que há de mais moderno neste segmento, sendo um espaço ideal para a geração de negócios e ampliação do networking.
Informa Markets Latam
A Informa conecta pessoas e mercados por meio de soluções digitais, conteúdo especializado, feiras de negócios, eventos híbridos e inteligência de mercado, construindo uma jornada de relacionamento e negócios entre empresas e mercados 365 dias por ano. Presente em mais de 30 países, atua na América Latina há 30 anos, entregando anualmente mais de 40 eventos híbridos no Brasil e no México, dezenas de eventos digitais, portais de notícias e plataformas digitais de conexão e negócios.

