ANS aprova inclusão de TAVI no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde

Depois de quase uma década de luta, a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) que congrega e certifica os médicos especialistas em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, obteve a anuência da ANS para que esse tratamento passasse a fazer parte do chamado Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, a listagem mínima obrigatória de exames, consultas, cirurgias e demais procedimentos que os planos de saúde devem oferecer aos consumidores. “Já tinham sido feitas algumas tentativas sem sucesso, mas agora nosso pedido recebeu o aval da Agência”, conta a cardiologista intervencionista Fernanda Marinho Mangione, diretora de avaliação de tecnologia em saúde da SBHCI.

O TAVI é usado nos casos de estenose valvar aórtica grave. “Trata-se de um problema que atinge entre 3 e 5% dos idosos com mais de 75 anos e é caracterizado pela calcificação da válvula aórtica, que controla a saída do sangue do coração durante os seus batimentos. Essa estenose pode provocar dores no peito, arritmia, falta de ar, desmaios e até mortes súbitas”, explica o cardiologista intervencionista Rogério Sarmento-Leite, Diretor Administrativo da SBHCI. O procedimento, que foi realizado pela primeira vez no Brasil em 2008, é feito de maneira minimamente invasiva.  Um cateter, introduzido por uma punção de aproximadamente 6 milímetros, leva a nova válvula sobre a que está apresentando restrição de mobilidade. O procedimento é frequentemente realizado pela perna, com o paciente sedado. A alternativa mais usada para o TAVI é a cirurgia “aberta”, na qual é preciso abrir o peito do paciente de forma convencional mais invasiva e fazer a troca da estrutura, aumentando a chance de mortalidade e de complicações, além de deixar a recuperação mais longa e complexa. “Temos consciência de que o TAVI é um procedimento inovador e ainda mais caro, mas seus benefícios são incontestáveis e, com maior escala de utilização, seu preço tende a cair”, afirma Sarmento-Leite. O procedimento é amplamente utilizado na Europa e Estados Unidos há mais de uma década. Foram realizados aproximadamente 500.000 procedimentos em 70 países no mundo até 2017.

Segundo o diretor de Comunicação da SBHCI, Roberto Botelho, a incorporação de novas tecnologias é desafio cada vez maior para os sistemas de saúde, haja vista a exponencialidade das inovações. Serão incorporadas aquelas tecnologias que entreguem valor. Valor é entendido pela equação entre desfecho relevante no numerador e custo no denominador. Claro, multiplicado pela apropriação da indicação. O TAVI entrega desfecho duro, como mortalidade, hospitalização. Agora, a escala deve ajustar o custo por ano de vida salvo com qualidade.

Essa aprovação é extremamente bem-vinda, já que dados do Datasus apontam que entre 2008 e 2018, foram mais de 118 mil hospitalizações relacionadas ao tratamento da doença valvar aórtica no Brasil. Por aqui, já existem vários centros de treinamento em TAVI e é essencial que os profissionais que desejam realizá-lo passem por um processo de capacitação, pois trata-se de um procedimento de alta complexidade e que exige estrutura institucional adequada. Desde a aprovação da primeira prótese valvar implantável por cateter pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estima-se que 5 mil procedimentos foram realizados. Pelos dados levantados pela SBHCI, ele já ocorreu em mais de uma centena de centros nos últimos anos. Mesmo assim, o acesso a esta tecnologia ainda é bastante restrito no Brasil. Segundo o presidente da SBHCI, Dr. Ricardo Costa: “Sem dúvida, trata-se de uma importante conquista nesta longa caminhada, mas continuaremos trabalhando para que mais pacientes sejam beneficiados e tenham acesso a este tratamento revolucionário altamente seguro e eficaz.”

Redação

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