Apesar de devastadora, pandemia de Covid-19 acelerou o desenvolvimento na saúde, segundo especialistas

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Pouco mais de cinco meses após a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, a pandemia já provou sua dimensão e força perante a todos os setores da sociedade. Com uma estabilidade assustadora em números altos de mortes e novos casos, o país se divide entre a ansiedade pela reabertura das atividades e o medo daqueles que temem pela vida.

Pensando nisso, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) reformulou seu tradicional Encontro de Líderes, evento que tem como objetivo reunir as lideranças dos hospitais membros da entidade, e focou o debate no tema “Covid-19 – Desafios a partir das perspectivas política, econômica, social e de saúde pública”. Honrando o título, a entidade reuniu nomes importantes destas esferas, para abordarem os impactos da “crise que entrou pela porta da saúde, mas atingiu todos os setores da sociedade”, conforme dito pelo mediador do evento, Dr. Henrique Salvador, conselheiro da Anahp e presidente da Rede Mater Dei de Saúde.

Apesar de cercada de tropeços, como a paralisação precoce das atividades em alguns municípios e tardia em outros, Luiz Antônio Teixeira Jr., deputado federal pelo Partido Progressista (PP), acredita que a pandemia pode trazer algum saldo positivo para a valorização do setor de saúde brasileiro. “A parceria com Oxford para a testagem da vacina atrelada à capilaridade do SUS, me faz ter uma visão otimista mesmo em meio à crise”. Conta o parlamentar, que acredita ser o momento ideal para captação de incentivos à indústria brasileira, “estamos tendo uma oportunidade de ouro para mostrar o potencial de cada componente do setor nacional, desde a farmácia, até os fabricantes de equipamentos de proteção”.

Para Rogério Scarabel, presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os impactos da crise serão sentidos por muito tempo, inclusive no campo do comportamento social. “Em virtude dos receios da população em sair de casa até mesmo para uma consulta médica importante, vimos que a atenção primária, por meio da gestão populacional e de crônicos, por exemplo, ganhou uma relevância que será mantida”. Questionado sobre a estratégia da ANS para manter e ampliar o número de beneficiários dos planos de saúde, Scarabel falou sobre a importância da flexibilização dos planos ofertados e da desburocratização dos processos.

No que diz respeito à retomada da economia, André Médici, economista social e da saúde e consultor internacional, frisou que a recuperação econômica depende de como o país gerencia a crise pandêmica. “É necessário que tenhamos no Brasil uma coordenação maior por parte dos governos federal, de estados e municípios. Precisamos acompanhar as taxas de contágio e entender que enquanto elas estiverem superiores a 1,0, é considerada situação de descontrole”, afirma. O especialista disse, ainda, que para a retomada das atividades é preciso pensar a partir da perspectiva do “novo normal”, “remodelando serviços que podem ser oferecidos à distância e tomando todas as precauções e medidas de proteção para aquelas que necessitam da presença física do profissional”.

Fato é que estamos longe de ter um país livre do novo Coronavírus, e mesmo após o surgimento da vacina e a erradicação da doença, impactos econômicos e sociais serão sentidos, positiva e negativamente. Por isso, as discussões acerca da maior pandemia dos últimos 100 anos ainda são e serão muito necessárias. Assim, a Anahp aproveitou o momento para anunciar que irá realizar o Congresso Nacional de Hospitais Privados (CONAHP) de maneira totalmente online e com acesso gratuito. As inscrições para o evento, que acontecerá de 16 a 20 de novembro, podem ser feitas pelo site conahp.org.br.

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