Artigo – Como as novas tecnologias podem viabilizar a Medicina 4P no Brasil?

O avanço tecnológico vem apresentando novas possibilidades de como encarar o cuidado com o paciente antes mesmo do surgimento de qualquer enfermidade. Nesse contexto, a medicina 4P surge com o objetivo de ser mais Preditiva, Preventiva, Participativa e Personalizada. Contudo, apesar do termo existir há mais de 20 anos, a materialização desse tipo de abordagem ainda era algo distante da realidade – até o ano passado, com a chegada da conexão 5G.

A Medicina 4P só é viável através da tecnologia e da telemedicina. Isso porque, para ela existir, o paciente precisa ter acesso a um sistema computacional com alto potencial de conexão a múltiplos gadgets capazes de transferir informação de maneira simultânea para uma mesma torre. Dessa forma, médicos e pacientes podem trocar informações em tempo real e de maneira mais fidedigna, por conta da velocidade de transmissão de dados e estabilidade da conexão.

Sendo assim, o caminho para a efetivação do método é claro: gerar insights para que o paciente, de dentro de casa, receba uma informação ativa sobre sua saúde. A partir desses dados personalizados, a inteligência artificial é capaz de sugerir ao médico os melhores caminhos de conduta que, por sua vez, poderá analisar e apontar a melhor solução.

Vou dar um exemplo mais claro. Um paciente com histórico de pressão alta tem seu smartwatch constantemente monitorando sua saúde. A partir das informações do aparelho, é possível fazer um gráfico de tendência de como está a pressão ao longo do tempo. Caso apareça alguma alteração, o médico é alertado e pode acionar o paciente para uma consulta antes de um possível evento cardíaco. Essa é a parte da predição, seguida do ato preventivo.

No consultório, o médico vai analisar os dados da inteligência artificial e, também, os relatos do paciente para prescrever uma solução personalizada a ele. Por exemplo, em caso de dores de cabeça ao acordar, optar por tomar 1 comprimido do medicamento pela manhã e 1 a noite, ao invés de 2 comprimidos no início do dia – como é o habitual. O médico pode ainda exigir a participação ativa do paciente no tratamento através do aumento de exercício físico baseado no número de passos que o smartwatch contabiliza.

Ou seja, tudo começa pela predição. Em seguida, é feito um programa de prevenção. Ainda assim, para que dê certo, as soluções precisam ser personalizadas para atender a demanda específica. Por fim, o paciente não pode apenas tomar um remédio e esperar uma melhora rápida, ele precisa participar da gestão de sua própria saúde, a partir de atitudes ativas em seu dia a dia.

 

 

Dr. Eduardo Cordioli é médico e Head de Inovação da Docway, empresa pioneira em soluções de saúde digital e telemedicina no Brasil

Redação

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