Artigo – Hospital do Paraná 100% SUS se destaca no serviço de transplante renal

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Antes de falar sobre transplantes renais, é de extrema importância entender o motivo para alguém necessitar de um rim doado. A doença renal crônica é um sério problema de saúde pública em todo mundo, sendo considerada uma ‘epidemia’ de crescimento alarmante. No Brasil a doença acomete cerca de um a cada dez habitantes, são mais de 10 milhões de portadores de algum grau de disfunção renal. É lamentável e assustador entender que cerca de 70% das pessoas desconhecem esse diagnóstico.

Os principais riscos para o desenvolvimento da doença renal crônica são: diabetes mellitus; hipertensão arterial; envelhecimento e história familiar da doença. A presença de obesidade, dislipidemia e tabagismo acelera a sua progressão. Cerca de 30% dos pacientes com doença renal crônica são maiores de 65 anos. Os desfechos mais alarmantes da doença renal são a mortalidade por doença cardiovascular e a evolução para terapia renal substitutiva: hemodiálise; diálise peritoneal e o transplante renal.

De acordo com Censo Brasileiro de Diálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), em 2017 havia 126.583 pacientes em tratamento substitutivo e apenas, destes apenas 31.226 (24%) estavam em fila para o transplante renal. Apesar do tratamento, a mortalidade desses pacientes é elevada, nesse ano o número de óbitos foi de 25.187, correspondendo a uma taxa de mortalidade bruta de 19,9% ao ano, sendo maior no início da terapia por conta do diagnóstico tardio.

Os pacientes com doença renal terminal inscritos em lista de espera para transplante renal estão dispostos no Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e não há caráter de julgamento por Saúde Suplementar, particular ou SUS. Os pacientes listados concorrem em seus estados e obedecem aos critérios seguintes de: tipagem sanguínea ABO; tipagem HLA e prova cruzada, sendo um sorteio genético e com característica de ‘premiar’’ os pacientes com maior compatibilidade, sendo esse critério considerado justo e igualitário.

Considerando que muitos transplantados voltam à condição plena de trabalho, contribuindo com impostos e crescimento do país, o transplante se sobressaiu em relação às outras modalidades de tratamento da doença renal crônica. Nos pacientes tratados pelo SUS o transplante se consolidou como a melhor alternativa para o tratamento da doença renal terminal, o que justifica as políticas do Governo nesse setor, aqui cabe uma observação, a taxa de transplante renal no Brasil entre 2012 e 2018, manteve-se inalterada, tendo havido uma queda de 32,9% na taxa de transplantes com doador vivo e aumento na taxa de transplante com doador falecido de apenas 10,3% segundo dados atuais da ABTO.

Os fatores que poderiam explicar são altos custos envolvidos, nenhum reajuste nas internações e seguimento ambulatorial dos pacientes há 20 anos, necessidade de renovação da mão de obra especializada, principalmente devido ao baixo atrativo financeiro em contrapartida ao alto grau de comprometimento com o tratamento e seguimento desses pacientes.

A despeito de tudo isso, o Hospital Universitário Cajuru (HUC) mantém os melhores resultados no estado no que diz respeito à sobrevida do paciente e do órgão enxertado, trata-se de um centro de excelência reconhecido dentro e fora do estado. O HUC mostra-se como referência e realiza em média 80 transplantes por ano. O Hospital apresenta taxa de sucesso acima de 90% na sobrevida do enxerto renal e do paciente. Estes são os melhores resultados do Paraná, segundo a Central Estadual de Transplantes, índices semelhantes a grandes centros dentro ou fora do país, principalmente se forem considerados pacientes clinicamente e imunologicamente complexos, alguns com um ou dois transplantes anteriores.

Isso se deve ao fato do HUC possuir uma ala especial para os transplantados, com profissionais da área médica, enfermagem e limpeza, além do apoio de profissionais do pronto socorro, laboratório, voluntários, hemodiálise, além de equipe ambulatorial focada e proativa. A equipe médica conta com larga experiência de seis cirurgiões urologistas, três vasculares e quatro nefrologistas. O segredo deste tratamento de sucesso vai desde o pré-transplante criterioso com extremo cuidado na avaliação do paciente, como seu comprometimento e suporte familiar.

Em um futuro próximo há intenção de incorporar no HUC o transplante de pâncreas, o que deve ajudar pacientes com diabetes tipo 1. Isso vai ampliar o rol de tratamento desses pacientes, permitindo uma melhora na qualidade e sobrevida dos mesmos.

Alexandre Tortoza Bignelli é Nefrologista do Hospital Universitário Cajuru de Curitiba (PR), responsável pelo Serviço de Transplante Renal

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