Artigo – Pandemia e o novo normal: telessaúde já é realidade e deve ser protagonista nos próximos anos

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O mundo vive tempos difíceis e a única certeza que temos, além da constante ameaça do novo Coronavírus, é de que será inevitável uma intensa reestruturação organizacional. Na área da saúde, como em quase todas as outras, as mudanças já são visíveis e, nesse caminho sem volta, tudo indica que vão continuar acontecendo.

No atual cenário, pacientes e profissionais ainda estão buscando o melhor caminho e construindo diretrizes para que os atendimentos sejam realizados com segurança, tanto agora como nos próximos anos. Os setores da medicina e da prótese dentária devem encontrar formas de oferecer novas possibilidades dentro do “novo normal”. Em meio a tantas inseguranças quanto à saúde e prevenção, a pergunta que não quer calar é: o que (e como) será esse “novo normal?” Ainda que standards de trabalho e segurança já estejam sendo mobilizados, veja bem, é preciso, e assim será por bastante tempo, lidar com a conduta dos pacientes que continuarão reduzindo ou eliminando consultas, tratamentos e exposição aos ambientes de potencial contágio, especialmente nas situações consideradas menos “necessárias”.

Esse impacto não será apenas durante o período de quarentena e medidas de isolamento social, mas também ao longo da segunda e terceira onda do Coronavírus e, claro, após a pandemia. Consultas à distância, aparelhos para diagnósticos em casa, procedimentos médicos mais por necessidade e menos por vaidade fazem parte da nova realidade.

A teleorientação, por exemplo, propõe um aconselhamento profissional à distância e pode ser feita por médicos, dentistas e outros profissionais. Esta modalidade de atendimento já está, inclusive, temporariamente regulamentada pelo Conselho Federal de Odontologia. Outras possibilidades são o telemonitoramento, que funciona como uma central para acompanhamento de pacientes com doenças crônicas; e, ainda, a teleconsultoria, que proporciona a troca de informações e conhecimentos entre médicos para a confirmação de diagnósticos. Estas formas de atender pacientes e praticar a saúde por meio de tecnologias remotas já são realidade e devem ganhar ainda mais força no próximo ano. É evidente que as limitações ainda são muitas, desde questões técnicas até o acesso aos suportes digitais, mas não há como negar sua potência.

Outro ponto importante diz respeito aos ambientes hospitalares, de clínicas e consultórios. Novos equipamentos de proteção individual (EPIs) serão exigidos e obrigatórios, além do uso de ferramentas adicionais de desinfecção e esterilização de ambientes, superfícies e pessoas. E não será muito diferente em indústrias e escritórios, onde modelos de higiene e sanitização deverão ser reavaliados constantemente, minimizando não apenas as possibilidades de contágio da Covid-19, mas as prováveis e futuras outras doenças.

Na saúde, em todas as suas possibilidades, ainda acompanharemos muitos debates sobre tecnologias de monitoramento em tempo real da saúde das pessoas. E isso é fundamental para que um caminho seguro seja proposto, que ao mesmo tempo respeite a liberdade, privacidade e todos os direitos fundamentais do ser humano. Em resumo: o mundo mudou e nós não estávamos preparados. Tivemos pouco tempo para a reação e para nos adaptar.

No ar, fica a certeza de que precisamos nos preparar ainda mais para as transformações necessárias. É preciso lembrar que, em uma pandemia, não são somente os vírus que matam. Há todo o contexto socioeconômico, que é duramente afetado.

Com a perda de postos de trabalho e, consequentemente, de recursos financeiros, surgem dificuldades para o acesso à alimentação. A pobreza e desnutrição, como sabemos, também mata e afeta o desenvolvimento de várias gerações. Outro impacto direto é o aumento da violência, agravada pelo desespero de não se ter comida na mesa. Isso sem falar do enorme número de pessoas que desenvolve depressão, ansiedade, angústia e crises de pânico, entre outros problemas de saúde mental, que podem causar sérias complicações e levar, até mesmo, à morte.

Precisamos não apenas aperfeiçoar nossos protocolos de segurança para salvar mais pessoas, mas, efetivamente, para administrarmos futuras crises com o mínimo de impacto. Mais do que nunca, é preciso construir tecnologias e sistemas que permitam predizer, evitar e administrar futuras pandemias, evitando ou minimizando ao máximo os danos que possam causar na economia e na plenitude da vida em nosso planeta. Este deve ser o aprendizado necessário e fundamental a ser extraído neste momento.

Felipe Leonard é presidente e CEO da S.I.N. Implant System

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