Artigo – Pós-pandemia e Saúde Mental

Há algum tempo atrás me foi questionado sobre os impactos da pandemia causada pelo Covid-19 na psiquiatria, psicologia e a sociedade, de um modo geral, de modo a conter os transtornos mentais, especialmente pós pandemia.

O fato é que, em todo o mundo, a pandemia da Covid-19 impactou diferentes aspectos e rotinas da vida. A pandemia promoveu e ainda promoverá um enorme esforço de todos para conter as desordens emocionais, especialmente os casos de depressão, ansiedade e outros sintomas graves que têm levado pessoas a tentarem o autoextermínio.

As cicatrizes que a pandemia deixou para os brasileiros ainda estão abertas e é preciso tratá-las. Para isso é necessária a participação de médicos, psiquiatras, enfim, de toda a equipe de saúde para conseguirmos curar a ferida. Os cuidados com a saúde mental são necessários e urgentes.

Aqueles que passaram pelo sufoco da entubação face à gravidade da doença instalada ou perdeu um ente querido, certamente está sofrendo ainda. Se não tiver apoio da equipe de saúde mental, este sofrimento será maior ainda.

Nesse período pós pandemia, tenho recebido pedidos para receitar medicamento para enfrentar o dia a dia ou para conseguir dormir durante a noite. Isso é grave, pois toda questão de saúde mental precisa de acompanhamento médico.

Os psiquiatras estão na primeira fila da procura pelos pacientes, além dos psicólogos, seguido do auxílio de enfermeiros e cuidadores. Todos comprometidos em ajudar as pessoas que estejam necessitando de um auxílio para casos de ansiedade, depressão ou qualquer outro transtorno mental.

Mesmo que a discussão sobre a importância da saúde mental tenha sido amplamente divulgada nesses períodos durante e pós pandemia, é fundamental voltar o olhar para o tema da saúde mental que se mostrou tão relevante nesses últimos dois anos.

Como psiquiatra e presidente de uma instituição psiquiátrica, acredito que a saúde mental só terá futuro com a participação da sociedade, exigindo equipes multidisciplinares (médicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais) na atenção e manutenção da sua saúde psíquica, bem como do transtorno mental que pode acontecer. É de extrema importância institucionalizar o debate sobre saúde mental na era pós-pandemia.

O fato é que a psiquiatria no Brasil tem evoluído e apresentado melhoria na qualidade do atendimento, especialmente quando realizado por equipes multidisciplinares. Infelizmente, ainda muito reduzidas em números para pacientes graves.

É de extrema importância falar sobre transtornos mentais sem tabus para evitar que situações extremas continuem ocorrendo. Vamos acabar com o estigma das doenças mentais.

A forma mais viável de combater o preconceito às pessoas com transtornos mentais é a disseminação da informação. Durante esses últimos dois anos, a saúde mental foi pauta na mídia e nas redes sociais e espero que continue. É preciso mudar o cenário e o preconceito contra os transtornos mentais tão enraizado na sociedade.

Na minha opinião, a psiquiatria como especialidade médica está em franca evolução. A procura dos alunos para esta área tem aumentado bastante. A exigência para exercer a especialidade tem sido eficiente em formar bons médicos psiquiatras. Me parece um futuro promissor para os futuros colegas e, melhor ainda, para os pacientes.

Licínio Ratto é diretor-presidente da Casa de Saúde Saint Roman

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