Artigo – Terapias alternativas para Covid-19 são promissoras para infectados na fase inicial

A vacinação contra a Covid-19 está avançando no Brasil e a previsão é imunizar toda a população até setembro deste ano. Logo, é válido lembrar que as vacinas não impedem que o indivíduo seja infectado pelo vírus, elas são desenvolvidas com o intuito de estimular a resposta imunológica no organismo, introduzindo o agente patogênico inativado, enfraquecido ou outras formas de estimular a resposta imune. No momento em que o sistema imunológico é atacado por um microrganismo, produz uma reação em cadeia com o objetivo de frear a ação desse agente. Em linhas gerais, no caso do novo Coronavírus, vai evitar que o paciente desenvolva a doença de maneira grave ao ponto de precisar ser internado e intubado.

Enquanto a campanha não atinge os 211 milhões de brasileiros, alguns tratamentos estão sendo usados na luta com os pacientes infectados e têm dado um bom resultado, como o plasma convalescente, o soro desenvolvido pelo Instituto Butantan a partir de plasma equino e o coquetel da Regeneron.

O plasma convalescente é obtido a partir dos anticorpos desenvolvidos por pacientes infectados pelo vírus, que ficam presentes no plasma sanguíneo. Por isso a doação de sangue é tão importante. Esse material é filtrado e transfundido para um paciente que esteja com a doença em fase inicial para que sirva como um agente complementar ao sistema imunológico do infectado e possa auxiliar no processo de recuperação.

Para se tornar um doador, basta estar recuperado da Covid-19 e passar pela coleta de sangue em um hemocentro cadastrado. O material é testado e a transfusão é feita. Após 30 dias de ter recebido o tratamento, essa pessoa pode se tornar uma possível fonte de doação de plasma.

O Instituto Butantan, consagrado pelo desenvolvimento e distribuição de soro antiofídico, também desenvolveu um soro para atuar no tratamento da doença e evitar que o paciente desenvolva quadro grave. A obtenção do soro começa com o isolamento do vírus SARS-CoV-2 coletado de um paciente infectado, cultivado em laboratório, inativado por radiação e submetido a diversos testes em camundongos. Após resultados promissores, a pesquisa seguiu em cavalos, animais maiores e capazes de maior volume de soro, que, conforme receberam o material, produziram anticorpos. Atualmente, o plasma obtido está em ensaios clínicos autorizados pela Anvisa para aplicação em seres humanos.

O chamado soro hiperimune anti-Sars-CoV-2 começou a ser aplicado apenas em pacientes com infecção recente e com alto risco de agravamento do quadro. O intuito é calcular a eficácia, segurança e dose ideal do novo tratamento, podendo assim evitar a evolução do quadro.

A farmacêutica Regeneron, por sua vez, desenvolveu um coquetel contra a Covid-19 de anticorpos, o REGEN-COV, que se mostrou capaz de prevenir a doença sintomática entre pessoas expostas ao vírus, tendo sido capaz de reduzir em 81% o risco de infecções sintomáticas. Essa alternativa tem sido utilizada nos Estados Unidos para tratar pessoas já infectadas com sintomas leves e moderados. Aqui no Brasil, a farmacêutica Roche obteve autorização da Anvisa para o uso em caráter emergencial do coquetel

O cenário é de extrema gravidade, por isso é importante buscar alternativas para combater a doença, mesmo com o avanço da campanha de vacinação. Conforme o tempo passa, os pesquisadores conseguem trabalhar de maneira mais certeira nessas soluções, minimizando os efeitos provocados pelo SARS-CoV-2.

 

 

 

Fabio Moruzzi é diretor Comercial na NL Diagnóstica, que oferece testes rápidos para a Covid-19 e é responsável pelo lançamento da tecnologia C-Pass no Brasil, capaz de identificar anticorpos neutralizantes em paciente nos casos de reinfecções

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