Artigo – Um guia para interpretar os anticorpos neutralizantes

A vacinação contra a Covid-19 está avançando no país, e com isso as pessoas têm buscado exames de anticorpos neutralizantes depois de se vacinarem para checar sua capacidade de neutralização do vírus por seus anticorpos criados pela vacina.

Agora, há um teste de neutralizante muito mais viável para os laboratórios comuns de diagnóstico, o ELISA (do inglês Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) ou ensaio de imunoabsorção enzimática. Se trata de um teste muito mais rápido, pode ser automatizado, adaptando-se às máquinas de liga convencionais e ampliando a capacidade de rodar mais exames ao mesmo tempo, possibilitando então o laboratório clínico oferecer este teste ao público.

Por todos esses motivos, é a primeira vez que o teste de neutralização passou a ser feito em laboratórios de análises clínicas.

Esse novo exame mimetiza a situação de infecção a fim de verificar se os anticorpos neutralizantes são capazes de neutralizar a entrada do vírus na célula. O reagente do teste tem um receptor celular específico utilizado pelo vírus para entrar na célula e coloca a amostra do paciente em contato com essa representação do vírus, assim se enxerga que nessa interação há anticorpos.

No primeiro contato que o nosso corpo tem com o vírus, ele vai começar a reconhecer o que é o agente. Nesse momento começa a reação e a resposta imune mais efetiva, específica para aquele vírus. Inicialmente, o paciente terá um anticorpo ligante, que só detecta o vírus. O corpo vai amadurecendo essa resposta e começa a formar anticorpos mais fortes, mais ávidos, capazes de gerar proteção. Então, ele se liga ao vírus e bloqueia a entrada dele na célula.

Atualmente, há três recomendações de uso para anticorpos neutralizantes: no desenvolvimento das vacinas (testando sua eficácia), para a triagem de doadores de plasma convalescente (uma das terapias alternativas para combater a Covid-19) e na verificação de quem desenvolveu esse tipo de resposta imune após a contaminação ou após a vacina (se formou de corpos neutralizantes). De modo geral, após 15 ou 20 dias é possível ter alguma produção de anticorpos, depois da primeira dose da vacina, da segunda dose ou, ainda, após uma infecção.

A vantagem desse exame é saber se o corpo gera anticorpos funcionais. Com o passar do tempo, eles vão sendo eliminados do corpo, mas a capacidade de produção continua na memória imunológica do organismo – embora ainda estejam em andamento, os estudos que comprovem o tempo dessa memória, ou seja, o intervalo que deveremos nos vacinar (além da primeira e segunda dose, conforme o imunizante).

É válido lembrar que os imunizantes contribuem para que não se desenvolva a doença de maneira grave, mas não impedem 100% a infecção pelo vírus, nem a transmissão dele por quem já foi vacinado, e do contrário que se imaginava no início da pandemia, existe o risco de reinfeção pela Covid-19. As medidas de proteção devem continuar sendo seguidas independentemente de já se ter tido a doença ou sido imunizado com a vacina.

 

 

 

 

Fabio Moruzzi é CCO da NL Diagnóstica, que oferece testes rápidos para a Covid-19 e lança a tecnologia cPass no Brasil, capaz de identificar e quantificar anticorpos neutralizantes

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