Avanço da Neonatologia contribui para desfechos positivos de bebês prematuros

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O mês de novembro é lembrado mundialmente em prol da sensibilização da prematuridade, questão que afeta 10% dos bebês nascidos no Brasil de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em todo o mundo, 30 milhões de bebês nascem prematuros. O alto índice de prematuros na atualidade chama atenção, mas são os avanços na medicina na área da Neonatologia têm possibilitado a excelência no cuidado e o consequente sucesso no desenvolvimento e saúde dos bebês que chegam ao mundo antes da hora. O Hospital e Maternidade Santa Joana, de São Paulo (SP), oferece excelência na assistência com prematuros alinhada à alta tecnologia no ramo e as constantes atualizações da especialidade.

São considerados prematuros, ou chamados de pré-termos, os bebês que nascem antes de completar 37 semanas de gestação. Esses pequenos têm diversas peculiaridades e demandam de assistência constante, pois têm órgãos frágeis, baixo peso e ainda não estão completamente formados. Ainda segundo a ONU, em 2017, em torno de 2,5 milhões de recém-nascidos morreram nos primeiros 28 dias de vida, a maioria por causas evitáveis. Cerca de 80% dessas crianças tinham baixo peso ao nascer e em torno de 65% eram prematuras. Por isso, o acompanhamento é tão essencial por meio do atendimento de uma equipe multidisciplinar e permanência na UTI Neonatal (Unidade de Terapia Intensiva), que consegue transformar a incubadora em útero materno, onde o bebê vai concluir seu amadurecimento. Essas câmaras oferecem raios UV, oxigênio, nutrição e isolamento de qualquer ameaça ao sistema imunológico. Além disso, elas permitem monitoramento constante do peso, frequência cardíaca e cerebral da criança.

O Santa Joana conta com uma UTI Neonatal que é referência internacional e está filiada à rede Vermont Oxford, que permite a comparação dos resultados conquistados na assistência de recém-nascidos menores de 1500g entre 1200 UTI neonatais no mundo com o objetivo de aprimorar os protocolos clínicos e obter os melhores resultados no tratamento dos bebês prematuros. Em 2018, o Hospital e Maternidade Santa Joana cuidou de mais de 230 bebês prematuros com menos de 1.500 gramas, do tamanho da palma da mão, e de mais de 100 bebês com menos de 1000g.

“Apesar da ampla gama de recursos tecnológicos e a necessidade de constante atualização, o que se modifica com mais frequência são os protocolos no cotidiano da Maternidade, que vão sendo aprimorados de acordo com a experiência de quem atende um grande volume de casos prematuros há muito tempo”, comenta a Dra. Filomena Bernardes de Mello, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana. A especialista também afirma ainda que três quartos das vidas dos bebês nascidos precocemente podem ser salvas com cuidados essenciais durante o parto e no período pós-natal.

A Medicina Fetal também é um dos recursos que reduziu as taxas de prematuros. A especialidade foi criada para acompanhar todos os passos do desenvolvimento do feto por meio de diagnósticos avançados e monitoramento, especialmente em gestações de risco. O Santa Joana foi pioneiro nesse ramo e o primeiro hospital privado da América Latina a ter um departamento especializado em Medicina Fetal.

A área avançou tanto que permite corrigir, por meio de cirurgias, problemas identificados no feto antes do nascimento, evitando agravos, doenças e reduzindo a prematuridade. As cirurgias fetais têm se tornado cada vez mais sofisticadas e seguras, permitindo garantir um prognóstico muito melhor para o feto e uma gravidez mais segura. Uma delas é a cirurgia a céu aberto, realizada com o útero da mãe exposto e o feto submetido a uma operação direta. Essa técnica é usada principalmente no tratamento da mielomeningocele, malformação congênita da coluna vertebral da criança.

“O conhecimento cada vez mais especializado na área de Neonatologia, alinhado às práticas minimamente invasivas em toda a assistência ao prematuro resultaram em significativa redução da morbidade”, explica a Dra. Filomena.

E mesmo com os recursos, quais seriam as causas das altas taxas de prematuridade nos dias de hoje? Uma das questões deve-se às mudanças culturais na sociedade, sendo que as mulheres estão engravidando mais tarde e em muitos casos recorrendo aos métodos de reprodução assistida. Para garantir o sucesso na fertilização, mais óvulos são colocados nas tentativas, desencadeando em um índice maior de gestações gemelares – o que impacta significativamente na incidência de bebês prematuros. Outro fator que pode justificar também está ligado à vida contemporânea, em que as pessoas têm uma rotina cada vez mais sedentária, com hábitos de vida pouco saudáveis, que geram problemas de saúde na mãe e impactam diretamente na saúde do bebê.

Muitos casos de prematuridade podem ser amenizados ou tratados hoje em dia, devido aos avanços na medicina e na tecnologia. Antes, sem tantas opções, a chance de vida era menor do que 10%. No caso dos prematuros extremos as chances eram quase zero. Aqueles que nasciam prematuros, pesando menos de um quilo tinham 50% de chance de viver. Atualmente, com boa assistência e tantos avanços, as chances saltam para 90%.

As chances cresceram de maneira significativa, pois antigamente, assim que um problema era identificado o feto era retirado do útero da mãe sem perspectiva de vida. Atualmente, com a amplitude de recursos, o bebê consegue ser tratado e mantido por mais tempo na barriga da mãe. E mesmo se saírem antes da hora, os avanços tecnológicos conseguem criar nas UTI Neonatais uma extensão do útero materno dentro das incubadoras.