Background check pode diminuir casos de crimes e falsos médicos em hospitais

Na noite do dia 10 de julho, um anestesista foi preso em flagrante por estuprar uma paciente, enquanto ela passava por uma cesárea, em São João de Meriti (RJ). Integrantes da equipe médica filmaram o ato e o anestesista foi levado para a delegacia horas depois do crime. O caso não é isolado, e o background check – verificação de antecedentes – se põe como uma alternativa para minimizar ou até evitar crimes contra pacientes.

Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), entre 2015 e 2021, foram 177 casos de abuso sexual denunciados às autoridade do Rio de Janeiro, ou seja, trata-se de uma denúncia de abuso praticada em unidades de saúde a cada 14 dias. Porém, o número de casos reais é ainda maior, visto que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirma que apenas 10% dos crimes são notificados no país.

Neste cenário, a checagem de antecedentes – conhecida como background check ou due diligence – é uma ferramenta que pode ajudar na contratação de profissionais da área da saúde e prevenir crimes dentro de hospitais. O propósito dessa verificação é prevenir atos contra pacientes e manter transparente a reputação de uma unidade de saúde. Por meio da verificação, é possível evitar crimes como abusos sexuais, falsidade ideológica e golpes nas instituições do setor.

“Temos observado a imprensa divulgar casos de abusos sexuais e de falsos profissionais de saúde, que falsificam documentos para trabalhar na área. O background check, ou checagem de antecedentes, consegue verificar se o candidato à vaga é quem realmente ele diz ser, se suas credenciais e documentos batem com os apresentados e se possuem antecedentes, minimizando os riscos de falsidade ideológica, abusos, crimes de corrupção, entre outros”, comenta Francisco Fernandes, head de Background Check da IAUDIT Tecnologia.

Checagem de antecedentes também previne atuação de falsos médicos 

Os casos de falsos médicos atuando em Unidades Básicas de Saúde (UBS) são notícia no Brasil a cada ano. Somente em 2021, apenas no Rio Grande do Sul, o Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers) recebeu 47 denúncias de exercício ilegal de medicina. Um exemplo é de uma mulher que se autodenominava servidora da Secretaria de Saúde e foi presa no dia 1º de julho no Distrito Federal, por vender vagas na UTI e marcar exames ou cirurgias na rede pública de saúde.

De acordo com o Código Penal, o exercício ilegal de medicina é praticado por falsos profissionais que utilizam credenciais que não pertence a eles, profissionais especializados em uma área, mas exercendo a medicina em outra, assim como o médico que se formou no exterior, mas não realizou o Revalida. Ademais, existem vários impactos negativos para as instituições quando a checagem de antecedentes não é feita de forma correta.

“Os impactos podem chegar nas seguintes áreas: crimes contra pacientes, vazamento de dados (tanto de pacientes quanto de colaboradores), descumprimento da LGPD, maiores chances de crimes de corrupção, além da possibilidade de contratação de um falso profissional. Entretanto, o ponto mais importante é que os impactos negativos se estendem à segurança e integridade física e psicológica dos pacientes, além da imagem da instituição contratante”, explica Fernandes.

Aliás, a checagem de antecedentes também pode ser feita na busca de fornecedores, parceiros e no processo de onboarding de clientes – para instituições privadas. Desta forma, todos que estão ao redor da instituição são previamente checados, aumentando a segurança e confiabilidade.

Como funciona a verificação de antecedentes na área da saúde? 

Para o uso da ferramenta na área da saúde, alguns cuidados a mais devem ser tomados na hora de realizar o processo: “O background check é personalizado com aquilo que é mais relevante para cada instituição. Para a área de saúde, além das mais de 200 fontes oferecidas pelo processo, é imprescindível a checagem do CRM, bem como de antecedentes criminais”, fundamenta o especialista.

No entanto, o processo de checagem de antecedentes, muitas vezes, é feito pela própria instituição contratante de maneira manual, o que faz com que o risco seja alto, de acordo com o head de Background Check da IAUDIT Tecnologia.

“A diferença do processo de background check oferecido por uma empresa especializada é que essas têm preparo correto para utilizar tecnologia e buscar, em um maior número de fontes, apontar e detalhar possíveis inconsistências de maneira mais assertiva, o que reduz o risco na hora da contratação de um profissional ou parceiro”, finaliza ele.

Redação

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