Cânceres femininos crescem no Brasil e diagnóstico precoce é essencial para controle ou cura

Vários tipos de câncer são mais comuns ou específicos em mulheres e é importante chamar atenção para tumores que podem ser prevenidos ou curados quando descobertos precocemente.

O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer na população feminina em todas as regiões do Brasil, exceto na região Norte, onde o de colo do útero ocupa essa posição². Uma das formas de detectar a doença é estar atenta às mamas e buscar ajuda médica caso perceba qualquer alteração. “Realizar a mamografia anualmente, a partir dos 40 anos, também é fundamental. Das duas formas é possível descobrir o nódulo em estágio inicial, garantindo maiores chances de cura”, orienta Maria Amélia Borba, gerente médica de oncologia da MSD .

Outro exemplo de tumores que afetam as mulheres são os tipos ginecológicos, entre eles o câncer de colo de útero e o de endométrio. O primeiro, causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – HPV é prevenível com a vacinação contra o HPV (indicado para meninas a partir dos 9 anos e mulheres até os 45 anos) e a realização de exame preventivo (Papanicolau). Este é o terceiro tipo de câncer feminino mais comum no Brasil com incidência de 16.710 casos em 2020³.

Em 2019, a taxa de mortalidade ajustada pela população mundial foi 5,33 óbitos/100 mil mulheres4. No entanto, com a prevenção por meio da vacinação, o rastreamento adequado e o tratamento correto é possível evitar a doença.

O Brasil assumiu recentemente, junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), o compromisso de erradicar o câncer de colo de útero por meio de campanhas que estimulem a vacinação contra o HPV desde a infância como prevenção, rastreamento e tratamento5.

“A ação faz parte de uma grande meta global para erradicação do mal. Esperamos que as meninas de hoje sejam as mulheres da próxima geração, sem câncer de colo de útero”, comenta a biomédica, mestre e doutora em biologia aplicada à saúde.

Câncer de endométrio, em 2020, teve 6.540 novos casos de acordo com o INCA6. O risco de desenvolvimento da síndrome aumenta em mulheres com mais de 50 anos e com obesidade. Outros fatores são: predisposição genética, diabetes mellitus, dietas com elevada carga glicêmica (quantidade e qualidade de carboidratos presente em uma determinada porção de alimento), entre outros.

O cuidado nesse caso é por meio de prática de atividade física e manter o peso corporal saudável. A detecção precoce pode ser feita com exames clínicos e a investigação de um médico, quando apresentados alguns sintomas específicos, como o sangramento contínuo.

Considerada a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do tumor de colo de útero, o câncer de ovário levou a óbito 4.123 mulheres em 2019, segundo o INCA7 que estima 6.650 novos casos em 2022. Além do avanço da idade, mulheres com infertilidade têm um risco maior de desenvolver a doença.

Seja em qualquer tipo de câncer, o diagnóstico precoce é essencial para que mortes sejam evitadas, possibilitando chance de tratamento bem sucedido. Por isso, fazer visitas regulares ao médico e sempre estar atenta aos sinais do próprio corpo é importante.

CÂNCER DE ENDOMÉTRIO: NOVO TRATAMENTO AUMENTA SOBREVIDA DAS PACIENTES

Após 40 anos sem inovações, o câncer de endométrio ganhou um tratamento novo que aumenta a sobrevida das pacientes. O recurso terapêutico é uma combinação entre o pembrolizumabe (imunoterapia) com o lenvatinibe, que impede a proliferação livre das células tumorais.

“Este tratamento permitiu aumentar a sobrevida das pacientes que viveram por mais tempo com a doença controlada e mantendo a qualidade de vida”, explica Maria Amélia Borba, gerente médica de oncologia da MSD.

A biomédica explica que a terapia está disponível no Brasil, pois foi aprovado o uso recentemente pela Anvisa para mulheres com câncer de endométrio avançado, quando elas não têm mais opções de tratamento definitivo.

“É uma evolução na medicina, após tantos anos sem inovações, por aumentar a sobrevida das pacientes efetivamente”, comemora a cientista.

Referências:

  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Síntese de Resultados e Comentários. – Acesso em 07 de abril de 2022.
  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Incidência. – Acesso em 07 de abril de 2022.
  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Estatísticas de câncer. – Acesso em Acesso em 07 de abril de 2022.
  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mortalidade. – Acesso em 25 de fevereiro de 2022.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE – Brasil assume compromisso para erradicar câncer de colo de útero. – Acesso em 07 de abril de 2022.
  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mortalidade e Incidência. – Acesso em 07 de abril de 2022.
  • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA. Mortalidade e Incidência – Acesso em 07 de abril de 2022.

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