Hospital realiza cirurgia rara em paciente que nasceu sem polegares em ambas as mãos

Uma cirurgia rara em uma menina que nasceu sem os dois polegares promete dar a esperança de uma vida praticamente normal à criança. A intervenção, no Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), é conhecida como policização e consiste na transformação do dedo indicador em polegar – para que a paciente passe a ter o movimento de “pinça”. Moradora de Mato Grosso do Sul, Allana de Paula Nunes, de apenas um ano e dez meses, era portadora de uma agenesia bilateral dos polegares tipo V, ou seja, uma completa ausência do polegar nas duas mãos.

Segundo o ortopedista e traumatologista especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia, Paulo Henrique Ruschel, o polegar representa de 60 a 80% da função da mão e sua inexistência é incapacitante, deixando sequelas definitivas na vida adulta. “O período ideal para a ‘construção’ de um novo membro é até os dois anos de idade, devido a questões de formação e plasticidade cerebral”, esclarece Ruschel.

Por não possuir o polegar das duas mãos, Allana precisou passar por duas intervenções, uma na mão esquerda e outra, duas semanas depois, na mão direita. “A recuperação tem várias etapas. São seis semanas para a cicatrização do procedimento, além de sessões de fisioterapia”, enumera o médico. A fase da cicatrização já está terminando. Todo o processo permitirá que Allana tenha grandes ganhos para a sua qualidade de vida.

“Difícil dizer se ela terá uma vida normal, mas a sua situação será muito melhor do que a anterior”, esclarece o profissional, que já atendeu oito casos desse tipo no Hospital Moinhos de Vento. Casos como o de Allana são raros e dados da sua incidência no Rio Grande do Sul e no Brasil é desconhecida.

Policização

A policização é um procedimento cirúrgico para a substituição do polegar ausente ou deficiente por um dedo ativo, geralmente o indicador. A técnica permite um polegar funcional e esteticamente agradável. A intervenção é indicada em crianças que nascem sem o polegar (aplasia) ou com o polegar pouco desenvolvido e não funcional (hipoplasia grave).

O funcionamento da mão é altamente dependente desse membro, pois ele ajuda a realizar funções como agarrar e beliscar. Além disso, os seus movimentos são essenciais para a realização de todas as atividades da vida diária.

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