IBCC no Ganepão: Cuidados na assistência ao campeão dos jogos mundiais dos transplantados

Equipe multiprofissional do IBCC com paciente Rodrigo Cristiano Machado. Foto: ACS IBCC

Como falar de um diagnóstico de câncer? Sabemos que não é uma questão fácil, pois envolve as condições clínicas e psicológicas do paciente e familiares e o quanto cada pessoa é capaz de absorver informações que fazem parte desse diagnóstico. Segundo pesquisa da ASCO (The American Society of Clinical Oncology), entre 700 profissionais da saúde, apenas 7% se encontram preparados com treinamento para transmitirem um diagnóstico médico e há estudos nacionais que comprovam que 30% dos pacientes oncológicos não conhecem seu diagnóstico. Estas informações foram exploradas pela oncohematologista, Dra. Camila Simões, durante Painel do IBCC – Instituto Brasileiro de Controle do Câncer no Ganepão, nesta sexta-feira, (15), que abordou “O Atleta, o Transplante de Medula e A Nutrição”.

Ainda segundo a médica, a Leucemia Mieloide Aguda é uma doença rara, mas com incidência aumentada nos últimos anos. 80 a 90% dos pacientes são adultos, com idade média de 66 anos. Estudos do CIBMTR (Center for International Blood & Marrow Transplant Research), no quesito sobrevida, aponta que 50% morrem no início do tratamento. Neste Painel, que envolveu a participação da medicina, da equipe multiprofissional, enfermagem, nutrição, odontologia, nutrologia, psicologia, fisioterapia e práticas integrativas complementares para uma assistência completa e integral, ficou evidenciado como faz parte de um tratamento de sucesso o empoderamento do paciente durante sua assistência.

Rodrigo Cristiano Machado, campeão dos jogos mundiais dos transplantados de natação em 2017, passou, em média, 200 noites, desde a descoberta da Leucemia Mieloide Aguda até sua completa alta hospitalar, no IBCC. Ele, que permanece em tratamento há mais de 5 anos sempre teve afinidade com práticas de atividades físicas e se preocupou com alimentação. “A alimentação é de extrema importância e a atividade física não é nenhum segredo. Sempre procurei caminhar pelos corredores do hospital quando internado. Fazia fisioterapia com bicicleta ergométrica no meu quarto e utilizava jogos de movimentos, queria preservar minha massa magra porque sabia que ia perder durante transplante”.

O Painel abordou a atuação da assistência odontológica pela Dra Sandra Rezende, que explorou a forma de tratar a mucosite oral, que envolve a hidratação da boca, bochechos com nistatina, uso de manteiga de cacau, os efeitos anti-inflamatórios do laser e outros aspectos técnicos.  Deise de Andrade, nutricionista, apresentou a importância das dietas serem elaboradas e replanejadas segundo aceitação do paciente em cada fase do pré e pós transplante, incluindo a fase de pega da medula. Quando indicar a nutrição parenteral? Este foi tema apresentado pela Dra Mariana Holanda, nutróloga, que explicou que a nutrição parenteral deve ser utilizada quando a oral e/ou enteral não forem adequadas, possíveis ou insuficientes para atender às necessidades nutricionais do paciente.

Na visão da enfermagem, a coordenadora assistencial da Unidade de Transplante, Suzana Mosquim, enfatizou como deve ser feita a gestão integrada dos profissionais considerando a experiência do paciente. “Como ele será tratado e retornará à sua vida normal? Precisamos pensar na saúde da população, no bem estar profissional, além de toda a educação do paciente e da família”, enfatizou. A fisioterapeuta Camila Peral, destacou que em patologias como o câncer, a fadiga é considerada um dos principais sintomas. O desafio é minimizar a recusa das atividades, melhorar a qualidade de vida e quebrar o ciclo de restrição de atividades que podem gerar complicações respiratórias e motoras.

As práticas complementares e integrativas, como por exemplo, o Reiki, foi uma das terapias aplicadas no paciente Rodrigo Machado. A coordenadora da Equipe Multiprofissional, Thabata Fonseca, explorou o tema que tem relação com o bem estar, redução da ansiedade e bloqueios emocionais e deixou claro que as práticas complementares não substituem a medicina tradicional no tratamento do câncer.

Redação

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