II Simpósio de Esclerose Sistêmica debate novidades no diagnóstico e tratamento

Obra Morte e Fogo, de 1940, uma das últimas pintadas por Paul Klee pouco antes de sua morte, em decorrência da esclerodermia. Ele é o homenageado do evento

A esclerodermia é uma doença que se caracteriza por fibrose, ou seja um enrijecimento de órgãos internos e tecidos, como a pele. Também pode causar comprometimento dos vasos sanguíneos pequenos e formação de anticorpos contra estruturas do próprio organismo. O fato da enfermidade, que é considerada rara, afetar pessoas de todas as partes do mundo e não possuir causa conhecida, preocupa os pacientes.

De acordo com a chefe do Serviço de Reumatologia do Hospital Moinhos de Vento de Porto Alegre (RS), Karina Gatz Capobianco, a esclerodermia se apresenta em duas formas. “A esclerose sistêmica afeta a pele e os órgãos internos do organismo. A esclerodermia localizada atinge uma área restrita da pele, poupando outros órgãos”, explica. A médica ressalta que a forma sistêmica é quatro vezes mais comum no sexo feminino que no sexo masculino e incide principalmente entre os 30 e 40 anos de idade, enquanto a esclerodermia localizada é mais frequente em crianças. Ela acrescenta que o diagnóstico precoce é o melhor aliado para buscar, na oferta de tratamentos existentes, terapias que viabilizem a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

O pintor suíço Paul Klee, considerado um dos pioneiros da Arte Moderna no século XX, foi diagnosticado com esclerose sistêmica em 1935. O artista, que pintou mais de 9 mil quadros, expressou o sofrimento e a angústia da morte em suas últimas obras: “Morte e Fogo”, “Explosão de Medo” e “Cemitério”. “Paul teve um comprometimento microvascular muito severo, ou seja, o Fenômeno de Raynaud. A vasoconstrição dos capilares (pequenos vasos sanguíneos) devido a estímulos como frio e stress pode provocar ulcerações isquêmicas digitais e até a amputação dos dedos, que foi a consequência da doença no artista” salienta Karina. A reumatologista observa que, apesar da dor e incapacidade parcial, ele jamais deixou que a doença o impedisse de trabalhar.

Como forma de homenagear Klee, o Hospital Moinhos de Vento trará o caso para o debate em seu II Simpósio de Esclerose Sistêmica. Uma das palestras será sobre Capilaroscopia Periungueal, um método seguro e não invasivo indicado para a investigação de Fenômeno de Raynaud, que atinge 90% dos pacientes. Outro destaque da conferência será a palestra da médica do Serviço de Reumatologia da Universidade Federal do Paraná, Carolina Muller, que falará sobre uma nova medicação antifibrótica para tratamento de fibrose pulmonar. O evento, que é online e gratuito, ocorre entre as 10h e 16h de sábado (5). As inscrições podem ser realizadas no site da instituição.

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