Jubileu de ouro de formação da 1ª turma de medicina da antiga Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu

A vida é finita, mas as emoções que podemos deixar perduram pela eternidade. E os dias 6 e 7 de abril promoveram uma mistura de sentimentos e emoções que estão eternizados na linha do tempo da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp (FMB) e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

Durante os dois dias uma série de atividades foram realizadas com objetivo de marcar o jubileu de ouro da formatura da 1ª turma de médicos da antiga Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu (FCMBB), atual FMB. No dia 6, o Salão Nobre foi o palco escolhido para uma exposição denominada “Memórias da 1ª turma” e a Sessão Solene da Congregação com descerramento da placa que simboliza os 50 anos da graduação da turma pioneira.

No dia 7 de abril, em frente a Biblioteca do Câmpus, foi realizada a inauguração do monumento em homenagem ao saudoso professor emérito Mário Rubens Guimarães Montenegro, o pioneiro da Faculdade. Em seguida, houve o plantio de uma árvore no câmpus.

A construção e instalação do monumento foram custeadas pelos próprios ex-alunos. A FMB apoiou e auxiliou na organização do evento.

Dia 6 de abril 

A cerimônia em homenagem aos pioneiros teve em sua programação o descerramento de placa da turma, apresentação de piano do professor da pioneira Francisco Habermann, entrega de certificado e medalha de honra para turma e os pronunciamentos que vieram revestidos de muita emoção.

Discursos

“O coração da gente se enche de uma alegria, de uma emoção tão grande que acho que vai ser até difícil de falar”. Estas foram as primeiras palavras proferidas pela aluna da primeira turma Irene Pinto Silva Masci em seu discurso de agradecimento à cidade de Botucatu pela acolhida recebida em 1963 quando os pioneiros chegavam no município dos bons ares. “Esta terra maravilhosa, que não é apenas a terra dos bons ares, mas também do grande coração, diante do grave problema (acesso à moradia para os alunos que vinham de outras localidades fazer o vestibular) abriu as portas de suas residências para receber o grande número de jovens. Foi maravilhoso”, disse. A médica contou ainda a história particular de quando chegou para realizar o processo seletivo com uma amiga e como conseguiram a hospedagem naquela ocasião.

O orador da turma pioneira, Antônio Carlos Lima Pompeo, fez um resgate histórico do início da instalação da FCMBB lembrando de autoridades políticas e acadêmicas que contribuíram com a conquista. A dedicação, o otimismo e o desejo de servir foram predicados citados pelo orador ao se referir aqueles que iniciaram a trajetória da antiga FCMBB. “Para a maioria de nós este início ocorreu numa atmosfera muito desconhecida, numa sociedade provinciana (Botucatu), com histórico escolar relevante, porém sem nenhuma tradição universitária”, recordou. Em seu discurso, ele citou o bom relacionamento existente entre a turma pioneira e os mestres da época. “Se o patrimônio material que tínhamos era obsoleto e necessitava de reconstrução, o patrimônio humano, representado por aqueles professores pilares de sustentação desta escola, era extraordinário”, disse.

A professora emérita do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB) Edy de Lello Montenegro, viúva do professor Mário Rubens G. Montenegro, iniciou seu discurso agradecendo a turma pioneira e relembrou parte de sua história acadêmica e as dificuldades vivenciadas pela FCMBB no início. “Lembro-me quando morava na Visconde Rio Branco (rua), muitos de vocês e das turmas seguintes apareciam nos domingos à noite para saber se havia saído alguma verba (governamental)”, relembrou. A docente recordou da famigerada Operação Andarilho (movimento apartidário de estudantes e professores que colocaram-se em marcha para a cidade de São Paulo reivindicando verbas para os cursos recém-implantados) e leu uma resenha de própria autoria que nunca publicou. Professora Edy encerrou seu discurso homenageando os saudosos alunos da pioneira, assim como fizera o orador da turma, Antônio Carlos Lima Pompeo.

Representando a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o vice-diretor-presidente, professor Trajano Sardenberg, participou da solenidade. O docente mencionou que alguns integrantes da turma pioneira foram seus professores e disse que faltam 13 anos para que ele complete 50 anos de formação médica (graduação). Professor Trajano complementou seu discurso lembrando que dois médicos da turma pioneira (Irene P. S. Masci e Roberto Sogayar) participam das discussões que envolvem a Fundação em seu conselho de administração.

A vereadora Jamila Cury Dorini representou o presidente da Câmara Municipal de Botucatu (Izaias Colino) e iniciou seu discurso citando a moção de congratulações, apresentada pela vereadora Rose Ielo (presente na cerimônia), destinada a comissão da turma pioneira que organizou a festividade de 50 anos. “Como representante do Legislativo quero dizer a vocês, queridos formandos, que eu me lembro tão bem quando vocês chegaram a Botucatu”, recordou. “Vocês despertaram a nossa cidade”. A parlamentar disse que seus pais receberam em casa alguns jovens de outras cidades que vieram prestar o vestibular para o curso de medicina. “Não são vocês que têm que nos agradecer, mas Botucatu, sim, tem que agradecer a vocês”, complementou.

O superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), professor André Luis Balbi, disse estar “bastante orgulhoso e muito emocionado” por dirigir o Hospital neste momento. “Conversando e olhando pra vocês a gente imagina que ninguém esqueceu ou esquece o que passou no HCFMB”. O docente trouxe significativos números que mostram o crescimento e importância da unidade ressaltando que os pioneiros contribuíram no passado para que essa realidade fosse concretizada. “Todos que chegam até aqui (Hospital) são tratados com humanização, com eficiência e com a boa vontade de todos”, afirmou. “A presença de vocês aqui hoje permite que a gente possa manter a construção contínua do HCFMB e da FMB”, finalizou.

André Gasparini Spadaro é secretário municipal de saúde de Botucatu e ex-aluno da FMB. Ele participou da cerimônia representando o prefeito de Botucatu (Mário Pardini) e, do púlpito, realizou seu discurso ante a primeira turma da FCMBB, que possui no quadro de médicos seu pai, o professor Joel Spadaro. Bastante emocionado, André relembrou o período em que se formou como médico e o presente que ganhou na formatura. “Naquele dia, em particular, eu tive o privilégio de receber meu diploma do meu pai”, disse. “Mais do que homenagear a primeira turma eu gostaria de agradecer pela oportunidade que tive hoje de retribuir ao meu pai um dos melhores momentos da minha vida”, finalizou.

“Nós sabemos que uma Faculdade, uma Universidade se constrói com a participação de todos (alunos, servidores técnico-administrativos e servidores docentes). E os senhores, alunos da primeira turma, foram e são parceiros nessa construção, inicialmente na FCMBB e até hoje na FMB”, pontuou a vice-diretora da Faculdade, professora Maria Cristina Pereira Lima (Kika). A dirigente trouxe o agradecimento como tônica de seu discurso e recapitulou uma importante reunião realizada com os membros da comissão da turma pioneira nos dias que antecederam a cerimônia. “Quero agradecer o privilégio de ter me reunido com vocês, de ter recarregado as minhas energias com a alegria, o humor, a sensibilidade e o amor que vocês transmitiram pra gente”, finalizou.

O diretor da FMB, professor Pasqual Barretti, classificou o jubileu de ouro da formatura da primeira turma do curso de medicina da FCMBB como um “momento tão especial” e agradeceu a todos que estavam no Salão Nobre pela presença. “Esta turma iniciou o curso em uma escola recém-criada, fruto da luta de toda uma sociedade, de uma região, da luta política e do entusiasmo de universitários que acreditaram na viabilidade de um projeto pouco comum naquele período”, ressaltou. O dirigente lembrou de personagens políticos e acadêmicos fundamentais no processo de consolidação da FCMBB e recordou aspectos históricos desses 50 anos de formação da primeira turma. “A universidade que vocês aqui iniciaram, a Unesp, foi sem dúvida a universidade pública que mais cresceu e se desenvolveu. Ela é mais nova que a FMB. Mais do que a excelência acadêmica da Unesp, nacional e internacionalmente reconhecida, foi a universidade que buscou sua identidade, que ousou expandir criando como nenhuma outra vagas de ensino público gratuito nos mais distantes pontos do Estado de São Paulo”, complementou.

A Pró-Reitora de Graduação da Unesp, professora Gladis Massini-Cagliari, esteve na cerimônia representando o Reitor da Universidade, professor Sandro Roberto Valentini. “Pra mim é uma honra e considero um privilégio muito grande poder estar aqui nesse momento. Digo que é uma honra não apenas por praxe, porque é mesmo uma honra. Não é um acontecimento trivial podermos comemorar 50 anos da formatura da primeira turma desta faculdade de medicina, que hoje é uma faculdade reconhecida nacional e internacionalmente”, afirmou. De acordo com a docente, o nível de excelência e qualidade alcançados pela Instituição é fruto do mérito, esforço e dedicação de todos. “Tudo o que foi alcançado hoje teve um início e o início foi com a turma pioneira, com vocês que estão aqui”, complementou.

Dia 7 de abril

O sábado ensolarado permitiu a complementação das festividades, que contou com a inauguração do monumento em homenagem ao professor emérito Mário Rubens Guimarães Montenegro e o plantio da árvore da turma pioneira. Na ocasião, fizeram discursos o diretor da FMB, professor Pasqual Barretti, o aluno da turma pioneira professor Roberto Sogayar, e a professora Edy de Lello Montenegro. A palavra foi aberta para quem quisesse se manifestar e os pronunciamentos resgataram histórias e passagens vivenciadas pelos pioneiros. Dessa forma, foram encerrados os dois dias de atividades festivas para aqueles que fizeram jus as homenagens recebidas.

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