Médica Intervencionista, área com 91% da presença masculina, já foi expulsa da sala de procedimentos por expor opinião

Com traços indígenas e cabelos pretos, ao entrar em uma sala cirúrgica cheia de homens ela foi questionada se era indiana e ao responder que não, mas que as semelhanças e comparações eram frequentes, a resposta foi “isso não é um elogio! As indianas são feias e sujas”. O comentário, além de xenofóbico, retrata a experiência de médicas que atuam em áreas com maior presença masculina. Quem viveu isso foi a Dra. Mayara Vianna, 33 anos, médica cardiologista intervencionista e hemodinamicista, coordenadora do serviço de hemodinâmica na região Sul do Maranhão e professora e mentora de grupo de pesquisa da Universidade Federal do Maranhão.

Hoje, após driblar vários desafios e conquistar uma carreira consolidada, ela continua na busca por aperfeiçoamento que a fortaleça ainda mais na batalha contra o preconceito. A história de superação da Dra. – é a primeira cardiologista hemodinâmica do estado maranhense – a fez ser indicada para participar do ELISA (Edições de Livre Iniciativa de Solidariedade e Apoio), programa direcionado a médicas em início de carreira que optaram por áreas com maior presença masculina, como: urologia, coloproctologia, hemodinâmica, entre outras.

O ELISA é um projeto da Medtronic, líder em tecnologia na saúde, que regularmente investe em ações de conscientização para ampliar e lutar por um ambiente de respeito e igualdade da mulher na área da saúde.

Para a Dra., a atuação da mulher na saúde em áreas com maior participação masculina sofre um preconceito estrutural que só enxerga capacidade em subserviço, praticado, inclusive, por outras mulheres. Quando iniciou a residência, ela era a única mulher de um grupo de 7 homens e sentia que suas ideias não eram acatadas. Ao tentar se impor, chegou a ser expulsa da sala de procedimentos e ouviu de um professor “eu não estou falando com você”.

Questionada se há arrependimento na escolha pela profissão, ela é enfática ao dizer que “nunca”. “Já me senti enfraquecida e entristecida, mas nunca pensei em desistir. Eu sigo uma linha geracional de mulher que quer confrontar. Quando me diziam que eu não podia ir, aí que eu ia para cima”, reforça a médica. Foi a determinação e o apoio psicoterapêutico que a ajudou a vencer os desafios.

E desde os 29 anos, quando se formou em cardiologia intervencionista, uma área da cardiologia que demanda força física e preparo emocional, pois lida com infarto agudo do miocárdio em tempo integral, ela driblou os desafios do preconceito para cumprir a importante missão de ajudar a salvar vidas. A escolha pela área foi impulsionada pelo amor e vontade de salvar o avô, falecido em dezembro de 2000, vítima da Doença de Chagas e pela carência de profissionais dessa área no Maranhão.

Redação

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