Médico recorre ao cinema para “humanizar” universitários

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Durante o 23º Congresso Sobramfa, promovido recentemente pela entidade que atua há quase 30 anos na formação humanista de estudantes e profissionais de Medicina, o médico Pablo González Blasco recorreu ao Cinema em sua palestra intitulada “O lado humano da Medicina”. Pioneiro no que ele chama de “cinemeducation”, Blasco enfatizou que o médico humanista – aquele que trata o paciente, não somente a doença – tem de estar em processo permanente de reflexão e não poupou as universidades de críticas em relação à formação médica atual. “O ensino, nos moldes tradicionais, faz com que o estudante se preocupe muito mais com o conteúdo de prova do que em aperfeiçoar uma abordagem centrada no paciente. Mas um médico sem humanismo é apenas um mecânico de pessoas. É fundamental investir na educação afetiva dos universitários para que eles não se esqueçam, em tempo algum, de que o objeto de trabalho de um médico não é a doença, mas o ser humano doente”.

Os nove filmes empregados na apresentação foram: ‘O colecionador de ossos’, ‘A lenda do pianista do mar’, ‘Instinto’, ‘Tempo de glória’, ‘Show de Truman’, ‘Casablanca’, ‘O patriota’, ‘As filhas de Marvin’, e ‘O resgate do soldado Ryan’. Apesar de pertencerem a gêneros distintos, essas produções têm em comum mensagens bastante fortes sobre ser fiel à própria essência e vocação, jamais perder as ilusões, como desenvolver liderança, como enfrentar vitórias e derrotas, como manter a integridade de caráter e principalmente sobre fazer por merecer. “Não é possível humanizar a saúde sem que o humanismo penetre capilarmente na ação médica.  O primeiro passo que o profissional deve dar é admitir que ele deve ser humanizado antes de tudo e de todos. As tentativas de humanizar a Medicina ainda estão debruçadas sobre sistemas e processos, sem envolver as pessoas que são exatamente a interface entre o sistema de saúde e o paciente. Com isso, chegamos a um ponto em que as pessoas se queixam que seus médicos sequer olham para seus olhos durante a consulta”, afirma Blasco.

Segundo o médico, o humanismo surge como uma fonte a mais de conhecimentos para o profissional de saúde, uma ferramenta de trabalho tão importante quanto outros conhecimentos e habilidades que se adquire na escola médica. “Se a universidade se preocupa apenas em treinar e capacitar profissionais, mas descuida da promoção da cultura, é natural que o profissional esqueça os caminhos da compreensão, o gosto pela reflexão, o exercício filosófico que leva consigo a sua atuação prática. Salta aos olhos a falta de vontade política dos gestores, que não abrem espaço no orçamento nem na agenda para os projetos de humanização. Evidentemente, nunca se apresenta uma oposição aberta às iniciativas humanizantes, mas elas não são contempladas no setor financeiro. E humanizar a saúde tem o seu custo – que vai acoplado às pessoas que têm competência em gerenciar o projeto. Está bem longe daquela ideia simplista de investir apenas num visual de hotelaria, como equivocadamente se quer pensar”.

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