Mês da Enfermagem: conheça os desafios deste profissional em um CTI Neonatal

Enfermeira Ana Paula de Souza Costa, coordenadora de Enfermagem do CTI Neonatal do Neocenter Maternidade/Belo Horizonte: “a rotina da equipe de enfermagem de terapia Intensiva neonatal é de alta complexidade, e, muitas vezes, necessita de ações e reações imediatas”

O profissional de Enfermagem é da maior importância na área de saúde. Além de assistirem de perto o paciente, eles dão suporte ao médico, ou seja, são eles que executam prescrições, atualizam prontuários, preparam instrumentos, auxiliam a equipe técnica, coordenam os técnicos e os auxiliares de enfermagem, e desenvolvem outras funções em prol da melhoria da saúde do paciente. Por isso mesmo, nada mais justo terem um dia em sua homenagem – 12 de maio.

A data é comemorada mundialmente em homenagem ao nascimento da inglesa Florence Nightingale (1820), considerada a fundadora da Enfermagem moderna. É também uma forma de homenagear a pioneira da Enfermagem no Brasil, Ana Neri, falecida em 20 de maio de 1880.

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem – COFEN, em 2021, o órgão contava com o registro de 2.486.585 enfermeiros. Desde as suas precursoras Florence Nightingale e Ana Neri, as mulheres são maioria desta força de trabalho. Elas correspondem a 85% dos profissionais de Enfermagem no Brasil.

Para a enfermeira Ana Paula de Souza Costa, coordenadora de Enfermagem do CTI Neonatal do Neocenter Maternidade, Belo Horizonte (MG), e Especialista em Terapia Neonatal e Pediátrica, “o Dia da Enfermagem é, assim, uma forma de homenagear e reconhecer esses profissionais que dedicam seus esforços para o cuidado integral do paciente. Por estar em contato próximo com pacientes e familiares, a equipe de enfermagem desenvolve uma relação profissional pautada na empatia e afeto. Isso torna-se especialmente importante em um ambiente de CTI, onde muitas vezes encontram-se paciente graves e famílias fragilizadas. É uma honra para todos termos essas duas mulheres inspirando nossa classe”.

Especificamente no dia a dia de um CTI Neonatal, “nossa rotina se baseia na assistência e cuidados individualizados. Além das competências técnicas necessárias a cada profissional, buscamos alinhar nosso cuidado diariamente, atendendo às necessidades de cada bebê e sua família. A equipe de enfermagem que atua em terapia intensiva neonatal é composta pelos técnicos de enfermagem e enfermeiros com graduação em enfermagem e especialização em terapia intensiva neonatal. Ressalta-se ainda o papel do coordenador de enfermagem, que possui graduação em enfermagem e especialização em UTI Neonatal ou em especialidades relacionadas ao paciente grave”. Importante dizer que todos os profissionais devem estar legalmente habilitados no Conselho Regional de Enfermagem (COREN).

A rotina da equipe de enfermagem de terapia Intensiva neonatal é de alta complexidade, e, muitas vezes, necessita de ações e reações imediatas. Afinal, nessas unidades, segundos fazem total diferença na vida dos pacientes, observa a enfermeira Ana Paula Costa, ao destacar que o profissional de enfermagem deve identificar os riscos de cada recém-nascido e oferecer cuidado individualizado para aquela criança e sua família. É essencial que a equipe se guie em protocolos e diretrizes bem estabelecidos, além de realizar treinamentos e atualizações periódicas.

Outra função, de extrema importância, observa, é o papel da equipe da enfermagem junto às famílias dos pacientes. Deve-se inserir a família na rotina da criança e treinar cuidados específicos quando necessário. “Junto a isso, mantemos um compromisso diário de acolhimento e orientações até que estejam devidamente preparados para a alta”, enfatiza.

Desafios – De acordo com a coordenadora de Enfermagem do CTI Neonatal do Neocenter Maternidade, “temos como missão oferecer atendimento de excelência sem perder o foco das necessidades e expectativas daquela família. Para que possamos cumprir essa missão é essencial garantir o diálogo e comunicação assertiva entre os diferentes membros da equipe, auxiliar os colaboradores na gestão do tempo das atividades diárias e desenvolver habilidades de liderança, capacitação técnica e pensamento crítico e empático”.

Dentro desse contexto, a equipe deve estar preparada em situações quando a vida do paciente está em risco, como, por exemplo, durante uma parada cardíaca ou uma insuficiência respiratória. É essencial que o enfermeiro possua habilidades técnicas e senso crítico apurados para reconhecer essas situações e auxiliar na assistência de forma segura e rápida. Além disso, acrescenta, o serviço de enfermagem apresenta um papel relevante no planejamento terapêutico do paciente, buscando cumprir os protocolos de forma individualizada e, assim, garantir atendimento de excelência e manter o tempo de internação estipulado.

Em um CTI neonatal, todos devem estar atentos, uma vez que recém-nascidos, principalmente, prematuros exigem cuidados especiais. Quanto mais prematuro for o bebê, maior a imaturidade de seus órgãos e mais ajuda aquele bebê necessitará para concluir seu desenvolvimento fora da barriga da mãe. Um exemplo muito prevalente, explica Ana Paula Costa, é a “Doença da Membrana Hialina”, que afeta os pulmões dos bebês prematuros, causando dificuldade respiratória. Diante desse quadro, enfermeiros e técnicos de enfermagem devem ficar atentos aos índices de oxigenação, frequência cardíaca e padrão respiratório do recém-nascido, e, assim, identificar a necessidade de intervenção precoce.

Já com relação aos bebês não prematuros, uma causa comum de internação é a icterícia neonatal, doença caracterizada pela coloração amarelada da pele do recém-nascido e que pode necessitar de tratamento com fototerapia, conhecido como “banho de luz”. Nesses casos, a equipe de enfermagem deve garantir a permanência adequada do bebê sob a luz e auxiliar a mãe durante o estabelecimento da amamentação, um dos grandes desafios da primeira semana de vida do bebê.

Dinâmica de trabalho – No CTI neonatal, os bebês ficam em unidades separadas de acordo com seu perfil. Por exemplo, bebês prematuros extremos (menores de 28 semanas de idade gestacional), ficam dentro da incubadora e em um ambiente silencioso e escuro, simulando a vida intra-uterina. Já os bebês maiores, permanecem em berços e iniciam uma rotina de banho, troca de fraldas e treinamento de sucção em seio materno, semelhante ao que será realizado em casa após a alta.

A equipe multidisciplinar se reúne diariamente pela manhã e discute cada caso, repassando as programações e gerenciando os riscos daquele paciente.

“O técnico de enfermagem é o responsável por apresentar o caso para o médico, farmacêutico, enfermeiro e nutricionista, um grande diferencial das nossas unidades, já que é o técnico que permanece durante todo dia ao lado do paciente e, assim, mostra conhecimento e domínio sobre aquele bebê”, informa Ana Paula Costa.

Dentro dessa rotina, a inserção da família nos cuidados do recém-nascido e a participação nas tomadas de decisão quanto ao planejamento terapêutico daquele bebê são comprovadamente benéficas para a boa evolução do paciente. “No CTI do Neocenter Maternidade essa é uma prática bem estabelecida e uma premissa essencial no desenvolvimento dos nossos recém-nascidos”, comenta a sua coordenadora, ao explicar que as orientações às famílias se iniciam ainda em sala de parto, reforçando a importância do aleitamento materno exclusivo e administração do colostro na primeira hora de vida (hora de ouro), independentemente da idade gestacional. Tais orientações se estendem à admissão no CTI, quando os pais são acolhidos pela equipe multidisciplinar e conhecem o ambiente onde seus bebês estarão internados.

“Priorizamos a presença dos familiares junto ao bebê e o método Canguru, estabelecendo o contato do recém-nascido com os pais desde os primeiros dias de internação. Por fim, a equipe realiza a orientação de alta, onde aborda temas importantes para as primeiras semanas de vida do bebê, como cuidados com a pele do recém-nascido, administração de medicamentos, manobras de desengasgo, cuidados com as mamas da mãe, prevenção de acidentes e orientação sobre vacinação e triagens neonatais”, destaca.

“Nosso trabalho é, portanto, dedicado ao outro, o que nos dá uma grande alegria, principalmente no acompanhamento que fazemos dos nossos bebês após a alta hospitalar. Temos um mural de fotos na recepção do CTI e pedimos aos pais que atualizem essas fotos para que possamos ver o crescimento deles que, muitas vezes, chegaram em nosso serviço com menos de 800 gramas. Algumas famílias retornam para comemorar o aniversário de um ano com nossa equipe. Na comemoração de 30 anos do Grupo Neocenter, inclusive, várias famílias compareceram junto aos seus ex-prematuros, agora já adultos”, finaliza a enfermeira Ana Paula Costa, feliz por participar desse processo de amor ao outro.

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