Metaverso: a experiência digital que pode alterar as possibilidades no centro cirúrgico

O anúncio da mudança de nome do Facebook para Meta impulsionou a ampliação do conhecimento geral e notoriedade da palavra metaverso. Seu conceito, ainda em definição, é conhecido principalmente para quem está ligado ao mundo dos games, descrito como um grupo de espaços virtuais que pode ser criado, explorado e desenvolvido por pessoas que não estão no mesmo local.

Nesses ambientes do metaverso será possível a interação em tempo real e a realização das mesmas ações que no mundo físico. Isso tudo é possível principalmente com a chegada do 5G ao Brasil, trazendo conexões e velocidade de internet que permitem a transmissão de dados em nível adequado para uma vida em ambiente virtual. Além disso, abre um leque de infindáveis oportunidades que vão além da participação em reuniões: novas formas de fazer negócios, de promover o entretenimento, de estudar e ensinar, de conviver socialmente e, inclusive, de cuidar da saúde.

“O metaverso é muito mais do que um ambiente virtual como o do gameSecond Life’, do início dos anos 2000. Ele vai concentrar, através de uma proposta de experiência (seja ela para trabalho ou diversão), um volume enorme de dados que fazem parte da pegada digital de cada um de nós, sendo, assim, capaz de recriar no mundo digital nossas características no mundo físico. O metaverso é a realização do ‘fisital’”, explica Diogenes Silva, CEO da Anestech, de Florianópolis (SC).

Ainda segundo o executivo, o principal resultado desse movimento é um aprendizado tão robusto e completo pela máquina que ela conseguirá recriar comportamentos, entender as nuances das características individuais e começar ela mesma a ter uma personalidade, atingindo um momento na história previsto como singularidade – ponto em que humanos e máquinas irão se comportar da mesma forma, tendo a máquina desejos e sonhos que, até então, eram coisas exclusivas dos seres humanos. “O metaverso é o caminho para esse ponto único na nossa história”, crava Diógenes Silva.

No meio desse trajeto está a revolução no modo como as pessoas cuidam da saúde. A participação em consultas médicas, a realização de diagnósticos e até mesmo a preparação para uma cirurgia passarão a não depender da presença física dos pacientes. Desse modo, a jornada médica do paciente se torna muito mais cômoda e completa, já que a realização de cada uma das etapas no cuidado de sua saúde – da avaliação ao acompanhamento farmacológico, passando eventualmente pela sala de operação – será independente até mesmo de sua capacidade de relatar ao médico suas condições físicas e doenças preexistentes (informações fundamentais, por exemplo, para os profissionais da anestesiologia).

A perspectiva disruptiva, portanto, é um passo enorme na evolução de ferramentas que já trazem oportunidades – e são cada vez mais essenciais – para a medicina e que abrem espaço diariamente para a chegada de ainda mais inovação. E inovar faz parte da rotina da Anestech, de Florianópolis. Seu trabalho com Inteligência Artificial, no uso e tratamento de dados colhidos pelos anestesiologistas antes, durante e após os procedimentos cirúrgicos, por meio da já consolidada plataforma AxReg, é um exemplo de como a tecnologia revoluciona o modo de trabalhar do profissional da saúde, aperfeiçoando sua atividade e trazendo benefícios aos pacientes e à gestão hospitalar.

“Quando se pensa na aplicação de novas tecnologias na saúde, a primeira impressão é de que tudo ainda está muito distante. Mas, na verdade, essas tecnologias já existem e o trabalho é operar para que elas façam sentido no cotidiano dos profissionais e pacientes, e não somente no mundo virtual”, explica Diogenes Silva, CEO da Anestech.

Essa é uma realidade já observada em diversos países e até mesmo no Brasil. A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos (agência reguladora de saúde norte-americana) tem estudos em andamento e um programa dedicado exclusivamente ao desenvolvimento de ferramentas de realidade médica estendida (MXR), que são as aplicações do metaverso no setor da saúde. Seu objetivo é desenvolver novos dispositivos médicos para cirurgias, diagnósticos e planejar a segurança na aplicação de tais ferramentas.

Já o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, adotou uma ferramenta que permite o acesso digital aos órgãos do paciente, verificando qual a melhor abordagem cirúrgica para cada caso. Ele é controlado por voz e gestos e conta com a tecnologia de óculos de realidade aumentada.

Enquanto algumas dessas tecnologias estão em funcionamento, como o AxReg, outras tantas são desenvolvidas. “Já vivenciamos no nosso cotidiano experiências bem sucedidas de teleconsultas em tempo real para situações de emergência e da aplicação de métodos não invasivos de mapeamento de circulação sanguínea e diagnóstico de câncer de mama”, indica Diogenes Silva, mostrando que a inovação já faz parte da rotina da medicina e que tem um amplo espaço para receber novidades – além de desempenhar um papel ativo na revolução digital que vem sendo construída diariamente.

A singularidade é o ponto dessa interação e não se pode esperar menos do que uma nova visão para não só para evolução do atendimento à saúde, mas também para as relações entre humanos e máquinas. O metaverso é o caminho.

Redação

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