No Dia Mundial da Doação do Leite, enfermeira explica funcionamento de bancos durante pandemia

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Hoje (19/05) é celebrado o Dia Mundial da Doação do Leite Humano, e no Brasil a data marca o lançamento da Campanha Nacional de Doação de Leite Materno. Promovida pelo Ministério da Saúde e a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a iniciativa quer conscientizar e incentivar a doação de leite materno, responsável por salvar a vida de milhares de crianças.

No início da amamentação as mulheres, assim como seus bebês, estão se adaptando um ao outro e, ambos, a amamentar/se alimentar. “É comum que a mulher tenha dúvidas relacionadas ao seu processo e, em alguns casos, o bebê pode não pegar a mama adequadamente. Com isso, pode haver ingurgitamento mamário e machucados nos mamilos da mãe”, enumera a enfermeira obstetra pela UNIFESP Cinthia Calsinski. Para essas e outras dificuldades, os Bancos de Leite Humanos são ótimas opções para buscar ajuda.

O Brasil possui a maior rede de Bancos de Leite Humano do mundo e é reconhecido pela OMS por seus esforços em relação ao tema. Os bancos de leite são iniciativas públicas ligadas a maternidades ou hospitais infantis que promovem o aleitamento materno em ambiente hospitalar e comunidade, assim como coletam, controlam a qualidade, pasteurizam e distribuem esse leite.

Cinthia conta que durante a pandemia como as mães estão evitando ir aos hospitais, muitas unidades estão disponibilizando telefones, vídeo-consultas e as redes sociais para ajudar as mulheres que estão com dificuldade na amamentação.

“Infelizmente o número de doadoras e o volume de leite coletado caiu 60% nos bancos de Leite Humano do estado de São Paulo por conta da pandemia. A orientação para as mães é prenderem o cabelo e sempre usar máscara na hora de coletar o leite para doar”, explica Cinthia. Depois da coleta, a orientação é colocar o frasco no congelador. O leite pode ficar armazenado por, no máximo, dez dias.

A maneira encontrada para incentivar e tranquilizar as mães frente à doação de leite humano durante a pandemia de Covid-19 é a garantia que os bancos de leite seguem um controle rígido de qualidade na ordenha, coleta e processamento do leite doado.

Além disso, a mulher que decidir tornar-se doadora não precisará sair de sua casa, pois os bancos de leite realizam a coleta domiciliar, atendendo aos critérios e recomendações da Rede Brasileira de Bancos de Leite e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A enfermeira e consultora em amamentação destaca ainda que é importante reforçar que até o momento os estudos mais recentes não indicam que o novo coronavírus possa ser transmitido pelo leite materno e todo o leite doado é submetido à pasteurização, assegurando a sua qualidade. “Além disso, a doação de leite materno aos bancos de leite humano e postos de coleta é contraindicada para mulheres com sintomas compatíveis com síndrome gripal, infecção respiratória ou confirmação de caso da Covid-19”, fala.

“Qualquer família que tenha um problema ligado à amamentação, pode receber apoio e orientação de um banco de leite. E as mulheres com excesso de leite podem ser doadoras, ajudando a alimentar bebês que estão em UTIs neonatais de hospitais vinculados ao banco de leite que visitaram”, diz Cinthia.

Bancos de Leite no Brasil

Em todo Brasil são mais de 200 bancos de leite que seguem padrões rigorosos indicados pela Anvisa. “Qualquer mulher que amamenta e que tem boas condições de saúde pode ser uma doadora de leite, podendo fazer a retirada do alimento em seu domicílio”, conta a enfermeira obstetra.

O banco de leite realiza um processo de seleção e classificação do leite recebido, avaliando se ele foi armazenado e transportado corretamente, seu volume e sua quantidade de gordura.

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