Nos hospitais, tecnologia do varejo vira arma contra Coronavírus

Com o aumento do número de casos da Covid-19, as instituições de saúde precisam redobrar a atenção à segurança, para evitar a transmissão do vírus entre profissionais de saúde e pacientes. Em 150 hospitais em São Paulo, uma tecnologia que é usada em lojas se tornou uma aliada para manter o ambiente mais seguro. Com radiofrequência, é possível rastrear roupas e enxovais usados nas instituições, identificando automaticamente as peças que foram submetidas ao processo de higienização.

Essa tecnologia, conhecida como RFID, do inglês Radio-Frequency Identification, foi trazida para o Brasil, para uso em hospitais, pela multinacional Lavsim. Um chip é instalado em cada lençol e roupa utilizados pelos profissionais de saúde e nos enxovais de pacientes. Esse chip é uma identificação individual, única para cada peça. Leitores com antenas, ligados a um sistema computadorizado chamado Truly, enviam sinais de rádio para o chip, que usa a energia enviada para responder ao leitor, indicando toda a sua trajetória e até mesmo quantas vezes aquela roupa foi lavada. Tudo isso ocorre em milissegundos.

A tecnologia torna mais ágil e seguro todo acompanhamento do fluxo das pelas no processo. Isso porque os leitores ficam instalados na entrada e saída da lavanderia hospitalar, na área de expurgo (onde fica a roupa a ser higienizada) e também no local de recebimento das roupas limpas. No momento em que passam pelos sensores, esses materiais são identificados automaticamente, sem que os profissionais de saúde necessitem manipulá-los.

Plínio Rodrigues, diretor de Esterilização da Lavsim, lembra que a tecnologia apoia as orientações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Têxteis que podem ter sido expostos ao novo coronavírus não podem ser agitados ”, explica.

Higienização passo a passo

Rodrigues aponta que todas as roupas de um hospital precisam passar por 4 etapas principais até serem higienizadas. Veja o passo a passo, de acordo com o especialista:

  1. Separação: feita por tipo de peça, grau de sujidade e cor.

  2. Termodesinfecção: realizada com equipamentos que recebem vapor e uma temperatura que atinge 80°C, sem danificar o chip. As roupas hospitalares são submetidas a processos automatizados. Todas as etapas são controladas automaticamente. Elementos do processo, como níveis de água, concentração de produtos químicos, ação mecânica e temperatura, são monitorados por uma estrutura de ponta. Rodrigues esclarece que o chip é muito resistente capaz de suportar altas temperaturas e até os aditivos alcalinos, que controlam o PH da água, os detergentes e o peróxido de hidrogênio, usado para desinfecção, assim como o neutralizante e o amaciante, para a finalização do processo.
  1. Secagem: ao término da lavagem, a roupa já está completamente higienizada, sendo prensada. Em seguida, se faz a “torta” que, por meio das esteiras, são automaticamente transferidas aos secadores. Para a secagem das roupas, os lotes inseridos no processo são identificados pelos operadores, para atualizarem as informações que servirão para programar os secadores para descarga da roupa na temperatura e umidade ideal.
  2. Acabamento: após todo esse processo, a roupa monitorada segue para a passadoria e, finalmente devidamente embalada, é enviada para a expedição, que a entregará ao hospital, que reiniciará todo o fluxo.
Redação

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