Novo método de tratamento pode mudar realidade de pacientes que sofrem com pé diabético

O pé diabético é uma complicação altamente frequente entre os pacientes com diabetes, doença que acomete mais de 16,5 milhões de pessoas no Brasil. Definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma infecção, ulceração ou destruição dos tecidos profundos dos pés, associada a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica, se não tratado corretamente, pode infeccionar e evoluir para amputação.

A situação é alarmante. Segundo o Grupo de Trabalho Internacional sobre Pé Diabético (International Working Group on Diabetic Foot), o risco de um indivíduo com Diabetes Mellitus desenvolver ulcerações nos pés é de aproximadamente 25% e essas feridas representam cerca de 20% de todas as causas de internação por diabetes. Atualmente, as complicações do pé diabético são responsáveis por 40% a 70% do total de amputações não traumáticas de membros inferiores na população geral, de acordo com o Ministério da Saúde. No entanto, essas ulcerações podem ser tratadas, promovendo o controle da evolução da infecção e, até mesmo, a reversão do problema.

Diante desse cenário, existem métodos exclusivos para tratar as lesões desencadeadas pelo pé diabético. Trata-se de um modelo assistencial que visa o tratamento dos fatores que desencadeiam esse quadro, além do tratamento das lesões.

Segundo Dr. Thiago Faiad Name Villari, cirurgião vascular, por meio de um método terapêutico integrado que coloca o paciente no centro do tratamento e permite um olhar humanizado em cada caso, o paciente é orientado a tratar corretamente o diabetes, enquanto trata as lesões causadas pela neuropatia diabética. Essa prática permite reverter um quadro de lesão em um prazo pré-estabelecido, beneficiando o paciente e a fonte pagadora do tratamento, como os planos de saúde. Nos casos em que apresentam doenças vasculares significativas associadas, o paciente será adequadamente referenciado para tratamento primário com equipe de cirurgia vascular credenciada pelo próprio plano.

A necessidade de tratar adequadamente o pé diabético preocupa especialistas do mundo todo. Segundo David G. Armstrong, pesquisador do Grupo de Trabalho Internacional sobre Pé Diabético, a taxa de mortalidade para diabéticos submetidos a amputação de membros inferiores é assustadoramente alta. Os números são expressivos, sendo que 56,6% dos pacientes com diabetes submetidos a uma amputação de membro inferior de grande porte morrem em até cinco anos após o procedimento. “Além do processo de cicatrização ser mais difícil nesses pacientes, as doenças relacionadas, como insuficiência renal e doenças cardiovasculares, agravam ainda mais o quadro e inviabilizam a recuperação”, reforça Dr. Villari.

O problema reflete uma série de fatores que foram negligenciados na fase inicial da doença. A falta de conhecimento da população, as falhas nos serviços de rastreamento e tratamento da doença, além do nítido desconhecimento das características do diabetes leva ao diagnóstico tardio das complicações relacionadas ao pé diabético.

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