Pela 1ª vez presencial, SP recebe maior congresso de câncer de pele da América Latina

As sociedades médicas que respondem pelos três pilares do tratamento de um paciente com câncer: cirurgia (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica – SBCO), sistêmico: quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica – SBOC) e radioterapia (Sociedade Brasileira de Radioterapia – SBRT) se unem mais uma vez na organização do II Congresso Brasileiro de Câncer de Pele que – pela primeira vez presencial – acontecerá nos dias 8 e 9 de julho no WTC Events Center, em São Paulo (SP).

Com olhar multidisciplinar para o câncer de pele não-melanoma e melanoma, o evento, com três salas simultâneas de programação científica, abordará a epidemiologia da doença no Brasil; a atual classificação dos subtipos; estadiamento e prognóstico; avanços no diagnóstico por imagem e molecular, incluindo abordagens com inteligência artificial e o manejo personalizado do paciente – de acordo com o perfil do tumor – com a mais adequada abordagem terapêutica para cada caso.

Reunindo palestrantes de diferentes regiões do país e de importantes Cancer Centers dos Estados Unidos, o evento promove uma atualização de conhecimento e novas perspectivas para atuação dos cirurgiões oncológicos, oncologistas clínicos, radioterapeutas, cirurgiões plásticos, cirurgiões dermatológicos, cirurgiões de cabeça e pescoço, dermatologistas, patologistas e demais profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com diagnóstico de câncer cutâneo.

O cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Héber Salvador, ressalta que o tratamento do câncer tem estado em constante evolução e esta união das modalidades diagnósticas e terapêuticas tem sido primordial para o melhor atendimento ao paciente. Além da realização da SBCO em parceria com SBOC e SBRT, o evento também conta com apoio institucional do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP).

CÂNCER DE PELE NO BRASIL – O mais comum de todos os tipos de câncer é o de pele não-melanoma (basocelular e espinocelular). As estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que 176.940 brasileiros serão acometidos pela doença em 2022.  O mais agressivo dos tumores cutâneos é o melanoma, que corresponde a 8.450 casos anuais. O melanoma é, portanto, uma doença 21 vezes menos comum que o câncer de pele não-melanoma. No entanto, o melanoma causa quase o mesmo número de mortes que os cânceres espino e basolecular somados. Enquanto o melanoma, segundo o INCA, foi responsável por 1.923 mortes em 2020, os dois tipos de câncer de pele mais comuns totalizaram 2.653 mortes no mesmo ano. Em resumo, o melanoma representa apenas 4,5% dos casos de câncer de pele, mas causa 43% das mortes.

DIAGNOSTICAR CEDO E TRATAR LESÃO PEQUENA – Diagnosticar antes que ele tenha uma espessura superior a 4 milímetros. Este é o grande desafio quando o assunto é o mais agressivo dos tumores de pele, o melanoma. Comparativamente, quando ele é descoberto em fase inicial, as taxas de cura superam os 90%. No entanto, quando o melanoma apresenta espessura superior a 4 milímetros, registra menos de 50% de sobrevida em cinco anos. A fase de descoberta do melanoma é fundamental para a tomada de decisão quanto à cirurgia e tratamento sistêmico e, com isso, se obtenha melhores resultados oncológicos. Além da espessura da lesão, outros aspectos considerados no diagnóstico – e determinantes para a indicação do protocolo de tratamento – são a presença de úlceras (feridas na pele), comprometimento dos linfonodos e se a doença disseminou para outras partes do corpo (metástase).

Embora com menor potencial para metástase, os carcinomas basocelular e espinocelular também exigem atenção. O espinocelular raramente sai da pele e tem risco de metástase em apenas 5% a 10% dos casos. Os carcinomas basocelulares e espinocelulares têm como característica mais comum as feridas que não cicatrizam por mais de um mês e sangram eventualmente. “Estes tumores também têm alto potencial de desenvolver metástase, espalhando, principalmente, para o pulmão e o fígado”, alerta o cirurgião oncologista e presidente do Congresso pela SBCO, João Pedreira Duprat Neto.

CIRURGIA – Dentro os principais temas do II Congresso Brasileiro de Câncer de Pele também estão Manejo do câncer de pele em transplantados/imunossuprimidos e manejo do carcinoma basocelular e epidermóide avançado e do melanoma metastático (estágio IV). Haverá aulas também sobre cirurgia de Mohs em carcinoma basocelular, tratamento cirúrgico após diagnóstico clínico e por dermatoscopia digital e a cirurgia como tratamento local e sentinela de carcinoma de Merkel.

RADIOTERAPIA – Em radioterapia, as principais abordagens serão as atuais indicações de braquiterapia no tratamento do câncer de pele não-melanoma e do melanoma; radioterapia adjuvante (após cirurgia) no tratamento do melanoma e técnicas avançadas de radioterapia, com destaque para a Radiocirurgia Estereotáxica Corpórea. Outros temas em destaque são o papel da radioterapia no tumor desmóide, terapia hiperbárica no manejo das toxicidades cutâneas agudas e tardias, radioterapia em pacientes das doenças do colágeno, comparação entre etetronterapia e braquiterapia nos tumores de pele não melanomas e o diagnóstico e opções terapêuticas no melanoma ocular.

TRATAMENTO SISTÊMICO – Os tópicos mais importantes em tratamento sistêmico no evento são imunoterapia no tratamento de carcinoma de células de Merkel; neoadjuvância (antes da cirurgia) no tratamento do melanoma; terapia adjuvante do melanoma; terapias intralesionais e tópicas no câncer de pel; toxicidade dermatológica da imunoterapia e terapias-alvo, assim como a abordagem sobre os alvos – além do gene BRAF (biomarcadores) – que propiciam a medicina de precisão em melanoma. Haverá também importantes abordagens sobre peculiaridade no tratamento do melanoma de mucosa avançado e como tratar populações especiais com carcinoma cutâneo avançado (imunossuprimidos, transplantados ou com doenças autoimunes).

OUTROS TEMAS – Ao longo dos dois dias de evento, com três salas simultâneas, haverá também abordagens sobre onde estamos com a prevenção primária e secundária do melanoma; o que mudou e o quanto ajuda o diagnóstico molecular do melanoma; aconselhamento genético do câncer de pele; manejo do melanoma familial e o papel das sociedades de especialidades na melhoria da assistência ao paciente com câncer de pele. O evento debaterá também os casos mais controversos de diagnóstico, assim como as discordâncias em dermato-oncologia. Abordará a atual contribuição e perspectivas da inteligência artificial e uso de algoritmos; assim como os avanços no estadiamento (definição do estágio da doença) e prognóstico dos pacientes diagnosticados com melanoma.

Haverá também reflexões e busca de melhores caminhos para equidade de acesso no SUS e sistema privado e sobre a jornada do paciente com câncer de pele no Brasil. A programação inclui aulas sobre quando o dermatologista deve encaminhar um paciente com melanoma para o oncologista; qual paciente todo cirurgião deve encaminhar para mapeamento corporal de corpo inteiro; assim como as atuais aplicações de biópsia líquida com amostras tiradas do tumor (ctDNA).

Informações e inscrições: www.cancerdepele2022.com.br

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