Pesquisa aponta vulnerabilidade dos enfermeiros à Síndrome de Burnout

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Os profissionais da área da saúde estão entre os mais vulneráveis a sofrer a Síndrome de Burnout, doença caracterizada por sintomas como irritabilidade, dores musculares, esgotamento físico e mental, subdividida em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e realização profissional. Dentro desse nicho, os enfermeiros são um dos principais grupos atingidos pela burnout, uma vez que eles experimentam situações estressantes constantes no trabalho, além de atuarem em contato direto com os pacientes críticos que têm prognósticos diferentes e graus de sofrimento diversos.

Um recente estudo da Escola Paulista de Enfermagem da Universidade Federal de São Paulo (EPE/Unifesp) – Campus São Paulo, publicado pela Revista Gaúcha de Enfermagem, buscou identificar a prevalência e analisar a existência de fatores preditores da síndrome de burnout em enfermeiros de unidade de terapia intensiva (UTI). Uma amostra com 91 participantes realizada em um hospital universitário em São Paulo (SP) concluiu que a prevalência de enfermeiros com a Síndrome de Burnout correspondeu a 14,3%. O estudo foi conduzido por Eduardo Vasconcelos, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Unifesp.

“São estressores comuns no ambiente laboral: jornada de trabalho exaustiva, baixa remuneração, conflitos com colegas, complexidade dos procedimentos, falta de recursos pessoais e materiais”, analisa Vasconcelos. Das variáveis estudadas, a duração das férias foi a única que apresentou associação significativa com a ocorrência do burnout.

A amostra

A coleta dos dados ocorreu em julho de 2014. Foram entregues dois instrumentos para os participantes responderem antes do início do horário de trabalho e recolhidos após o término do plantão. Os instrumentos utilizados foram: um formulário de coleta de dados sociodemográficos e o Maslach Burnout Inventory (MBI) em sua versão Human Services Survey (HSS). O formulário de coleta de dados sociodemográficos é composto por perguntas de múltipla escolha e abertas, abrangendo: sexo, idade, setor, estado civil, filhos, turno, carga horária, tempo em unidade de terapia intensiva, número de pacientes atendidos por dia, duração das férias, prática de atividade física e participação em capacitações no hospital.

Os participantes apresentaram altos níveis de exaustão emocional (47,2%) e de despersonalização (34,1%), assim como baixo nível de realização profissional (34,1%). A respeito da despersonalização, Vasconcelos explica: “O trabalhador passa a agir de forma desumana buscando se proteger, desta forma se afasta do contato direto com as pessoas procurando reduzir o nível de estresse e assim se adaptar a situação”.

Reinvindicações trabalhistas

O estudo promove a reflexão sobre o ritmo acelerado das transformações organizacionais, sociais e jurídicas, que tem influenciado no processo de saúde/adoecimento do trabalhador. “A legislação trabalhista atual ainda apresenta pontos que mereciam ser discutidos em busca de melhorias no sentido de garantir por meio da lei que a saúde mental dos trabalhadores estará mais resguardada. O ideal é procurar não ultrapassar o período de 12 meses sem férias e não vender um terço das férias, uma vez que estes fatores podem favorecer o adoecimento”, adverte o pesquisador.

“Por meio de legislação específica, é necessário que as instituições implementem programas de detecção de doenças relacionadas ao trabalho assim como o uso de estratégias de enfrentamento”, conclui.

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