Planos de Saúde geram problemas para médicos e pacientes

Na noite desta quinta-feira (19), às 18h30, o Congresso Médico do Oeste Paulista terá pela primeira vez em seus 23 anos, um minuto de silêncio, em sinal de protesto contra planos de saúde de São José de Rio Preto (SP) e Região, que interferem no exercício da Medicina visando tão somente lucrar mais e, assim, colocam em risco a saúde e vida dos pacientes.

Após o minuto de silêncio de protesto contra essas empresas e em solidariedade os usuários da saúde suplementar, os médicos tornarão público para os participantes e jornalistas o conteúdo da Carta aberta aos cidadãos de São José do Rio Preto e Região, que será levada a toda a população local nos próximos dias por redes sociais e portais dos médicos e nas consultas de rotina.

SOS Rio Preto

Tanto a carta aberta quanto a pesquisa divulgada na quarta-feira (18), mostrando os abusos das empresas de planos de saúde contra médicos e pacientes serão levadas pela Associação Paulista de Medicina aos ministros da Justiça, da Saúde e ao presidente Jair Bolsonaro, ao quais solicitarão providências em defesa da boa Medicina e da saúde de qualidade.

União nacional dos médicos

APM Estadual (Associação Paulista de Medicina) também já começou a enviar a pesquisa às Promotorias da Saúde e do Consumidor do Ministério Público do Estado de São Paulo e ao Procon de São Paulo.

A pesquisa será apresentada na abertura on-line do XXIII Congresso Médico do Oeste Paulista, com a participação do presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. César Eduardo Fernandes, do presidente da APM Estadual, Dr. José Luiz Gomes do Amaral, e do diretor de Defesa Profissional da APM Estadual, Marun David Cury.

Dados gerais

A mostra é de 354 médicos. A grande maioria dos profissionais de Rio Preto e Região se queixa de não dispor de autonomia para a prática da melhor Medicina, por pressões das empresas de planos de saúde. São abusos que interferem na assistência, comprometendo a qualidade da assistência e serviços à população.

A amostragem do levantamento da APM é bastante expressiva, já que os 354 participantes representam 14% dos 2.500 médicos da região de Rio Preto.

Mais da metade dos médicos (53,39%) afirma que enfrenta restrição por parte dos planos de saúde à solicitação de exames, imprescindíveis para o diagnóstico de doenças de seus pacientes. E 63% dos profissionais relatam conviver com a chamada ‘glosa médica’, ou seja, a operadora nega-se a pagar atendimento, internação, exame laboratorial ou de imagem, remédios e outros serviços essenciais ao paciente.

“A realidade evidencia os grandes obstáculos que as operadoras impõem aos médicos para que possamos oferecer aos nossos pacientes as melhores possibilidades clínicas e terapêuticas. Muitas vezes, quadros clínicos simples podem ser agravados e até vidas perdidas pela não utilização de recursos necessários e disponíveis, vetados em nome de cortes em ‘despesas’ e de mais lucro”, afirma Dr. Leandro Freitas Colturato.

As operadoras de saúde de Rio Preto atendem mais de 450 mil usuários da cidade e da região. O diretor de Defesa Profissional da APM Estadual, no entanto, destaca que o cenário revelado nesta pesquisa feita em Rio Preto e região se reproduz por todo país. “Com este levantamento, a Associação Paulista de Medicina quer, mais uma vez, chamar a atenção da sociedade para o descaso com que as empresas de saúde suplementar tratam o médico, com graves prejuízos à saúde da população”, declara Dr. Marun.

Estatísticas do setor 

Os planos de saúde médico-hospitalares registraram, entre abril de 2020 e abril de 2021, um incremento de 1 milhão de usuários no país, aumento de 2,2% no período. Com esse crescimento, o Brasil possui 48,1 milhões de usuários. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é o maior número registrado desde julho de 2016. Atualmente, 737 operadoras estão em atividade e cerca de 19 mil planos estão ativos.

Redação

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