Segurança cibernética ganha atenção de hospitais e clínicas

A vivência dos dois últimos anos, impactados pela pandemia de Covid-19, alterou rotinas de pessoas, grupos e instituições. Trouxe avanços, novas oportunidades e enormes desafios devido à ênfase que o meio digital ganhou. Um assunto, em especial, preocupa os grandes centros hospitalares de todo o país: os ataques hackers, que se intensificaram nos últimos tempos. É fundamental que as instituições protejam os dados dos seus pacientes e de todos os envolvidos no cuidado à saúde.

A digitalização de serviços de saúde é uma realidade impulsionada pelas restrições impostas pela pandemia. Com base de dados mais completas e complexas, o roubo de informações se tornou um grande negócio para os criminosos, que buscam, com a posse de tais dados, conseguir vantagens  como a contratação de serviços financeiros usando os documentos dos pacientes, bem como agir de forma semelhante a sequestros, exigindo o pagamento de um “resgate” para liberar uma operação anteriormente travada.

“Crimes dessa espécie estão passando a fazer parte da rotina dos hospitais, inclusive no Brasil. Uma pesquisa da consultoria PwC Brasil mostra que 49% das empresas de saúde já estão se movimentando para incorporar a cibersegurança em seu planejamento estratégico, o que mostra que este fato não é uma onda passageira: é uma necessidade cada vez mais evidente”, analisa Diogenes Silva, CEO da scale-up Anestech.

Para o executivo, a proteção de dados já tinha entrado em foco desde que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) passou a vigorar no Brasil, em setembro de 2020. Com isso, não somente os dados cadastrais, mas todas as informações médicas dos pacientes deveriam contar com uma segurança ainda maior, sob responsabilidade dos hospitais, para evitar vazamentos ou roubos que comprometessem a privacidade dos clientes.

“A diferença é que, atualmente, esse tipo de crime passou a se sistematizar. Tornou-se cada vez mais frequente a chegada de notícias sobre ataques hackers que paralisam operações hospitalares ou que violam a segurança dos dados. E não são poucas as informações: mesmo os dados médicos oferecem aos criminosos poder de chantagear e de criarem novas modalidades de extorsão por meio de informações sobre o estado de saúde ou medicações do paciente”, indica Diogenes Silva.

O volume de dados médicos armazenados pelos hospitais é enorme. Por meio da plataforma AxReg, a Anestech reúne as informações coletadas pelos anestesiologistas antes, durante e após os procedimentos cirúrgicos, sistematizando tais dados para auxiliar o profissional a criar uma capacidade preditiva fundamental para o sucesso das operações e para o bem-estar do paciente. “A solução elimina o papel da sala de cirurgia, digitalizando todos os procedimentos e criando uma base de dados valiosa tanto para a saúde do paciente, quanto para a avaliação e ação médica, até mesmo para a gestão administrativa e financeira das instituições. O valor dessas informações é, de certa forma, incalculável. Por isso, na Anestech a segurança dos dados sempre foi prioridade”, avalia o executivo.

Uma das soluções é a criptografia dos dados. Com sua utilização, todos os dados tornam-se ilegíveis após a ação de um algoritmo, que permite que apenas softwares que possuam a mesma chave de descriptografia consigam decodificar as informações. Com as cadeias de caracteres, os dados ficam “embaralhados”, praticamente impossíveis de serem decifrados. Outra possibilidade é o aumento da segurança de dados por meio da implantação de firewalls e outros tipos de ferramentas que bloqueiam o acesso indevido a bancos de dados e grupos de informações sensíveis. “É um investimento alto, mas fundamental. E, a cada dia, torna-se ainda mais crucial na área da saúde”, opina Diogenes Silva.

A prevenção é o melhor caminho para melhorar a segurança digital, mas para isso é preciso investimento e incorporação de novas tecnologias. Muitos sistemas usados em instituições de saúde possuem linguagens ultrapassadas e que não permitem a implantação de sistemas modernos de segurança digital, facilitando a ação dos cibercriminosos. É necessário direcionar esforços para aprimorar a segurança antes que os problemas aconteçam.

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