Adolescentes com diabetes têm risco maior de desenvolver transtorno alimentar

No Brasil, cerca de 4,7% da população sofre de alguma forma de transtorno alimentar, e entre os adolescentes a taxa chega a 10%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para adolescentes do sexo feminino com diabetes, além disso, há de 2 a 3 vezes mais chance de desenvolver transtorno alimentar do que para as que não são portadoras – o mais frequente é a diabulimia: omissão (ocasional ou sistemática) da dose de insulina com o objetivo de perder peso.

Para despertar a conscientização sobre os tipos de transtornos alimentares, o Dia Mundial de Ação Contra os Transtornos Alimentares é celebrado nesta quinta-feira (2). Transtornos alimentares são condições tratáveis, mas que podem afetar qualquer pessoa. Nesse quesito, assemelha-se ao diabetes, que a comete qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo, raça ou condição social.

Segundo a SBD, a associação entre as duas condições pode ser detectada por sinais como: hemoglobina glicada (média dos níveis de glicose no sangue nos três meses anteriores) em alta sustentada (acima de 9%, por exemplo); hipoglicemias que necessitem de cuidado imediato; preocupação constante com peso e imagem corporal; necessidade de mudança constante no plano alimentar; humor deprimido; e deixar de monitorar glicemias capilares e de aplicar insulina.

Segundo dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da Saúde, de 2021, há cerca de 9% da população brasileira acima de 18 anos convivendo com o diabetes.

“Tanto os familiares como os profissionais de saúde que participam do tratamento, sobretudo de adolescentes e jovens com diabetes, devem ser capacitados para suspeitarem e diagnosticarem de forma precoce a presença de um transtorno alimentar”, explica Claudia Pieper, coordenadora do Departamento de Psiquiatria, Psicologia e Transtornos Alimentares da SBD.

Segundo artigo publicado no periódico especializado International Journal of Eating Disorders, a pandemia fez com que as internações por transtorno alimentar crescessem 48% no mundo. Os pesquisadores afirmam que também foi detectado um aumento nos sintomas de transtorno alimentar, como ansiedade, depressão e alterações no IMC (Índice de Massa Corporal).

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