Após 100 anos da descoberta da insulina, 85% das pessoas com diabetes não sabem sobre calendário exclusivo de vacinação

Na semana em que é comemorado 100 anos da invenção da insulina – desde que o medicamento salvou a primeira pessoa com diabetes no mundo, em 1921 – a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reforça a importância dos portadores da doença seguirem o calendário de vacinação. Isso porque um estudo recente apontou que 85% das pessoas com diabetes no Brasil não têm conhecimento sobre o calendário de vacinação exclusivo para essa população.

O dado é resultado de uma pesquisa realizada com 2.027 participantes pela ONG ADJ Diabetes Brasil, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) e SBD.

O calendário de vacinação para pessoas com diabetes foi criado pelo fato de que estes pacientes têm o sistema imunológico mais vulnerável e podem desenvolver quadros mais graves das doenças. Entre as pessoas com diabetes tipo 2 que participaram da pesquisa, 47% afirmou não lembrar se o médico já tinha comentado sobre as vacinas em alguma consulta.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes no Paraná (SBD-PR), o médico endocrinologista André Vianna, a desinformação sobre a importância da imunização entre a população com diabetes do país é preocupante.

“Entre os pacientes adultos, o cenário é mais grave. Não existem campanhas que incentivem a vacinação entre as pessoas com diabetes e essa é uma população que precisa de mais cuidados e atenção. Para as crianças e adolescentes que têm essa comorbidade, o caso muda um pouco para melhor, já que a maioria faz acompanhamento com pediatras que orientam a vacinação desde recém-nascidos”, afirma.

Dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde apontam que das 820 pessoas que morreram por gripe em 2019 e que tinham alguma comorbidade, 27,9% tinham diabetes. O imunizante contra a gripe (influenza) está entre as seis principais vacinas que compõem o calendário exclusivo para diabéticos, e deve ser tomada uma vez por ano.

“A vacina fortalece o sistema imunológico desses pacientes que já são mais vulneráveis por causa do diabetes. Não ter um calendário de vacinação específico para o diabetes pode fazer a pessoa negligenciar a aplicação das doses e, uma vez que contraída a doença, o paciente tem mais chances de desenvolver quadros graves”, explica o endocrinologista.

Vacinas recomendadas – Haemophilus influenzae tipo B, Hepatite B, Varicela, Pneumocócica e Herpes zóster também estão entre as vacinas recomendadas para a população que tem diabetes como comorbidade e devem ser aplicadas de acordo com a faixa etária de cada paciente.

Além da divulgação de informações e campanhas sobre a vacinação focada na população que tem diabetes, especialistas recomendam que essas pessoas tenham acompanhamento médico constante.

Para atender a esta necessidade, médicos como o endocrinologista André Vianna, trabalham com a opção de acompanhamento anual – incluindo visitas mensais – o que auxilia os pacientes a manterem uma periodicidade no tratamento, bem como em seus resultados.

“Os pacientes com diabetes precisam de acompanhamento regular para que qualquer alteração seja identificada logo no começo e devidamente tratada. Oferecer aos pacientes um plano anual de consultas é uma forma de humanizar o atendimento e manter os cuidados com a saúde e bem estar ao longo do ano”, finaliza Vianna.

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