Artigo – 3 tendências de tecnologia da informação que deveriam estar no mapa da área de saúde em 2020

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Os desafios da saúde exigem um olhar para o “infinito e além” dos acrônimos (AI, ML, DL, NLP), mas nem todas as instituições de saúde estão maduras para desenvolver iniciativas neste sentido. Aqui abordamos 3 aplicações de tecnologia simples e eficazes que são tendência no Brasil e estão ao alcance de todos em 2020 para promover um melhor cuidado coordenado e gerar melhores resultados.

1 – Telemedicina/Telenfermagem

A atenção em saúde é classificada em: a) Primária: cuidados prestados por clínicos gerais, b) Secundária: cuidados prestados em locais com internação interna e instalações básicas de diagnóstico, c) Terciária: atendimento especializado que requer uma UTI e diagnóstico especializado.

A vida útil prolongada, a redução do êxodo para as grandes cidades e a maior incidência de doenças crônicas gera uma pressão de custos na saúde e uma maior dependência do suporte especializado. Neste sentido é mais eficaz ter especialistas residentes apenas em área populacional alta, pois é necessário atender um número de pacientes que justifique o respectivo custo.

O livro recém publicado Fundamentals of Telemedicine and Telehealth, da Academic Press (2020) recomenda a sequência a > b > c para quase todos os pacientes, exceto emergências, e a telemedicina tem um papel importante no apoio desta equação ao disponibilizar o melhor atendimento para todos e melhor gestão de custos, tendo sido usada com sucesso no Brasil na modalidade médico>médico e médico>enfermeiro.

Por exemplo, o atendimento crônico precisa de visitas mais frequentes e, portanto, é mais bem gerenciado na atenção primária – que pode e deve ser apoiado via suporte online – diminuindo a necessidade de o paciente viajar e fornecendo ao profissional uma oportunidade de aprender a gerenciar melhor futuros episódios semelhantes.

Também faz muito mais sentido atender pacientes em locais distantes e área populacional baixa através de um clínico geral ou de uma enfermeira com suporte remoto, aumentando a qualidade de cuidado e gerando uma melhor experiencia do paciente.

No Brasil existem instituições e aplicativos especializados no atendimento remoto, ao alcance de todos.

2 – Algoritmos clínicos

Permitir que profissionais possam seguir árvores de decisão ou diretrizes de práticas clínicas (clinical paths) ou algoritmos clínicos baseados em evidências e desenvolvidos localmente, orientados por consenso, pode melhorar a qualidade do atendimento porque:

(1) incorpora diretrizes e recomendações nacionais às práticas de cuidado de rotina e, com isso, aumenta o uso de práticas validadas;

(2) reduz a variação desnecessária no atendimento por um único médico ou grupo de médicos, o que melhora a eficiência e a pontualidade e reduz as disparidades

(3) padroniza os processos de atendimento, melhorando a segurança.

Os algoritmos clínicos já estão disponíveis em plataformas de apoio a decisão clínica tanto para as condições clínicas mais recorrentes no Brasil quanto para tratamento ultra especializado, como a oncologia.

3 – Prontuário inteligente

O prontuário eletrônico do paciente é base fundamental para a transformação digital, porém não tem as orientações que os médicos e as equipes multidisciplinares precisam para seguir o fluxo de trabalho que gera qualidade do cuidado e segurança que os profissionais e os pacientes precisam e merecem.

É necessário agregar inteligência ao prontuário do paciente por intermédio de Soluções de Apoio à Decisão Clínica (CDS) que trazem as informações que eles precisam, quando eles precisam, durante o fluxo de trabalho. As CDS ainda tornam os processos de preenchimento das informações nos prontuários eletrônicos do paciente fáceis e simples.

Protocolos clínicos em formato de prescrição e planos terapêuticos interdisciplinares prontos para o uso, integrados em prontuários eletrônicos são simples de adotar e tem alto nível de aceitação entre os profissionais de saúde, trazendo não apenas mais eficiência, mas também mais satisfação e mais credibilidade junto aos pacientes, melhorando o desfecho final.

Os principais prontuários do Brasil já possuem estes protocolos e planos embarcados.

Em 2020 mais instituições de saúde buscarão melhorar os resultados por intermédio da transformação digital. As tendências citadas neste artigo devem ser avaliadas e inseridas no planejamento de todos.

 

 

Claudia Toledo é General Manager da Elsevier Brasil

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